Viagem

Escapadas pelo Estado podem ser alternativa a quem tem pouco tempo

Do Litoral ao Sertão há opções para pequenas viagens

Quem não está com muito tempo disponível ou tanto dinheiro no bolso para as tão desejadas viagens ao exterior do País, pode encontrar dentro do próprio Estado uma alternativa para não ficar parado durante as férias, principalmente se elas forem de poucos dias. Do Litoral ao Sertão, Pernambuco reserva diversificada paisagem, uma gastronomia composta por pratos regionais e pontos turísticos que ajudam a contar um pouco da história local e também do Brasil. Com a colaboração do blog Mochileo, o JC traçou algumas dicas para quem deseja as “escapadas” por Pernambuco. Um mini roteiro que passa pelo calor das praias de Recife, Itamaracá e Porto de Galinhas; pelas trilhas de aventura nas cidades de Gravatá e Bonito, no Agreste; e pelo Sertão, às margens do rio São Francisco, na cidade de Petrolândia.

Recife

RECIFE ANTIGO

Foto: Felipe Ribeiro/JC Imagem.

O bairro mais antigo da capital pernambucana guarda consigo a história do Estado. A começar pela Praça do Marco Zero – de onde são contadas as distâncias para todas as cidades pernambucanas. No local, o visitante se depara com construções arquitetônicas seculares, em estilo barroco, que foram preservadas até hoje. Na mesma praça, o turista conhece as obras de Francisco Brennand e não é incomum assistir a apresentações de bailarinos ao som de frevo. A poucos metros dali, outro ponto especial é a Rua do Bom Jesus, onde foi construída a primeira sinagoga da América Latina, no século XVII. No bairro, ainda é possível visitar museus, cafés e sorveterias. Na Avenida Rio Branco, o passeio é livre e os jovens andam de bicicletas, patins e skate sem preocupação, já que a via foi revitalizada e o fluxo de carros é proibido.

BOA VIAGEM

Foto: Arnaldo Carvalho/JC Imagem.

Eternizada no sucesso “La Belle de Jour” de Alceu Valença, Boa Viagem é a praia mais famosa da cidade. Localizada em uma das áreas mais nobres da capital, a faixa de areia branca contrasta com o colorido das roupas de banho, do guarda-sol que protege as crianças e com os coqueiros verdes que ficam rentes aos prédios da Avenida Boa Viagem. Embaixo do calor, o turista se refresca na água e com as bebidas de todos os tipos, que são servidas nas barraquinhas e pelos ambulantes do local. Bem perto da praia, o visitante pode almoçar em restaurantes especializados em frutos do mar e, depois, pegar um cineminha em um dos shoppings da Zona Sul do Recife. À noite, os moradores da região se reúnem para jogar partidas de futsal e tênis nas quadras instaladas ao longo do calçadão da praia.

Litoral

PORTO DE GALINHAS

Foto: Arnaldo Carvalho/JC Imagem.

A imensidão azul do mar de Porto de Galinhas, no município de Ipojuca, no Litoral Sul, atrai milhões de turistas todos os anos. Somente em 2018, 1,3 milhão de pessoas visitaram a praia, de acordo com levantamento da prefeitura da cidade. Entre as principais atrações, está um passeio de jangada até piscinas naturais, onde o visitante pode praticar mergulho. Os mais aventureiros adoram sobrevoar a praia a bordo de paramotor e contemplar a vista paradisíaca. As crianças adoram as esculturas de galinhas que decoram a Vila de Porto, onde se pode comprar souvenir nas lojas de artesanato e voltar para casa com camisas, xícaras e miniaturas que fazem referência à ave que dá nome ao local.

ILHA DE ITAMARACÁ

Foto: Arnaldo Carvalho/JC Imagem.

No Litoral Norte, conhecer a Ilha de Itamaracá é como abrir um livro de história. Ligada ao continente pela ponte Presidente Getúlio Vargas, a ilha teve grande importância para a economia açucareira nos primeiros anos de colonização. Um dos principais pontos a serem conhecidos é Vila Velha, um povoado localizado no ponto mais alto da ilha, que guarda um casario colonial e a Igreja de Nossa Senhora da Conceição – uma das mais antigas do Brasil. No século XVII, os holandeses invadiram o local e ergueram o Forte Orange, uma construção de pedras, que resistiu à força do tempo e é, até hoje, visitada por turistas do mundo todo. De lá, é possível ver as águas claras, que atraem pessoas de todas as idades para um banho tranquilo no mar.

Agreste

BONITO

Foto: Diego Nigro/JC Imagem.

Para quem é apaixonado pela natureza, uma opção é buscar o turismo ecológico. Em Bonito, no Agreste, o visitante pode se aventurar em passeios a cavalo, nas fazendas da cidade, e até voar de balão sob os campos verdes do município. No clima quente do Agreste, outra boa pedida é aproveitar atividades aquáticas. Uma das principais atrações de Bonito é o banho em uma das sete cachoeiras da cidade. Na “Véu de Noiva I”, a mais famosa, os mais radicais praticam rapel e depois desfrutam da queda d’água. Além das cachoeiras, alguns hotéis oferecem outras atividades refrescantes como o stand-up paddle. Distante 140 km do Recife, o município de Bonito é procurado por quem quer aventura. A cidade instalou um teleférico com 1.200 metros de trajeto, que leva os turistas até o alto da Capela de Nossa Senhora de Monte Serrat.

GRAVATÁ

Foto: Sérgio Bernardo/JC Imagem.

Gravatá é conhecida como “a Suíça Pernambucana”. Está a 450 metros de altitude e seu friozinho é um convite para os amantes de um bom vinho abrirem uma garrafa quando a noite cai. De dia, é possível subir até o Alto do Cruzeiro (que está a 600m de altitude) e apreciar a vista panorâmica da cidade, ao lado de uma estátua do Cristo Redentor de braços abertos. Para quem gosta de adrenalina, a dica é descer em um rapel de 50 metros, na ponte Cascavel, que fica na altura do quilômetro 82 da rodovia BR-232. O cenário é deslumbrante e o turista fica suspenso em meio à vegetação nativa. Para chegar, o aventureiro passa por uma trilha, que se cruza com a antiga Estrada de Ferro Central de Pernambuco, construída no século XIX e desativada há décadas.

Sertão

PETROLÂNDIA

Distante 430 km do Recife, Petrolândia chama a atenção por sua analogia com a lenda da ilha de Atlântida. Longe da água salgada do oceano, a cidade pernambucana foi realmente inundada pela água doce, em 1988, para a construção da Usina Hidrelétrica Luiz Gonzaga. Nos últimos anos, com o avanço da seca, no entanto, o nível da água do Lago Taparica baixou, fazendo aparecer a antiga construção da igreja do Sagrado Coração de Jesus, que havia ficado escondida por décadas, e que se tornou o principal ponto turístico do município. Hoje, quem visita Petrolândia pode navegar em barcos e chegar bem perto da estrutura, que começou a ser construída na década de 1940. A prática do mergulho também é autorizada na região e é um convite aos desbravadores. Em 2017, por exemplo, mergulhadores localizaram a antiga Igreja Matriz de São Francisco de Assis, que permanece submersa pelo Velho Chico, a quase 20 metros de profundidade.

VALE DO CATIMBAU

Foto: Diego Nigro/JC Imagem.

Em pleno Sertão pernambucano, o Parque Nacional do Catimbau se ergue como uma obra prima da natureza esculpida pela Caatinga. Com extensão de mais de 62 mil hectares, o Vale se espalha pelos municípios de Buíque, Ibimirim e Tupanatinga, e é o segundo maior parque nacional do Brasil. Ao visitá-lo, o turista tem a oportunidade de conhecer sítios arqueológicos, grutas e cemitérios pré-históricos. Entre as trilhas, o visitante se depara com pinturas rupestres e fósseis que, acreditam os cientistas, têm mais de seis mil anos. O que também chama atenção são as formações rochosas, resultado do longo processo erosivo. No aspecto gastronômico, o bode assado é um dos principais pratos do Sertão e é servido em boa parte dos restaurantes da região.

* Colaborou o Blog Mochileo

Viagem exige cuidado com os pets

Há serviços que podem ajudar os donos de animais durante o tempo fora

Uma das maiores preocupações de quem cria animais de estimação é com quem deixar o bichinho durante viagens. Para alguns donos, inclusive, um dos principais pontos do planejamento do passeio envolve encontrar estratégias para não deixar os pets desamparados. A boa notícia é que existem boas alternativas, incluindo serviços, que permitem encontrar pessoas dispostas a cuidar dos animais durante o recesso de seus tutores.

Há três anos, a estudante de medicina veterinária Alanna Farias, de 28 anos, é “pet sitter”, como são chamadas pessoas que cuidam de animais para que seus donos viajem. “Tudo começou quando uma amiga precisou viajar e deixou o cachorrinho dela comigo. Isso foi se espalhando no boca a boca e hoje sempre tenho algum hóspede na minha casa”, conta ela. Alanna está cadastrada no DogHero, um aplicativo onde os donos podem localizar anfitriões que morem perto de suas casas e que possam cuidar de cachorros. Não tem tempo mínimo nem máximo para a hospedagem – tudo é acordado entre o tutor e o anfitrião.

Alanna e a mãe, a policial aposentada Maria Auxiliadora, 56 anos, têm juntas quatro cachorros e podem receber mais oito hóspedes. “As pessoas nos procuram e pedem para que a gente mantenha a rotina do cão. A ideia é que ele não sinta muito a falta do dono, então podemos fazer até dois passeios por dia, mantemos a hora certa da comida e, dependendo do tempo que o cachorro fica aqui em casa, também damos banho nele”, explica a estudante.

Segundo o adestrador e psicólogo canino, Nahum Anselmo, nenhum cachorro deve ficar mais de 24 horas sozinho. “É muito perigoso para a integridade física do animal. Ele pode comer alguma planta tóxica, pode morder um fio elétrico, pode se assustar com estampidos de fogos, por exemplo, tentar fugir e se machucar”, explica.

Ainda de acordo com o especialista, a comida dos cães também precisa ser recolocada, no mínimo, uma vez por dia. “Tem pessoas que viajam e deixam um balde com água e dois quilos de ração, mas isso não é suficiente. Os cachorros gostam de comida limpa. Basta a baba do próprio animal ou poeira sujar a água, que ele não vai querer tomar mais. O mesmo ocorre com a ração que, depois de um dia exposta, ela começa a sofrer um processo de fermentação, que os cães não gostam. Se o dono viaja e deixa o cachorro sozinho, o animal vai passar fome, mesmo que a comida esteja lá na frente dele”, afirma o adestrador.

Para quem não quer o serviço oferecido por aplicativos ou hotéis para animais, outra opção é deixar os pets sob o cuidado de algum conhecido da família, que pode fazer visitas diárias à casa onde o cachorro vai ficar. “Pode ser um vizinho ou um familiar, por exemplo. Agora, é importante que seja alguém que já tem contato com o animal. Do contrário, por mais amor que esta pessoa tenha, ela pode acabar assustando o bichinho”, comenta Nahum.

“O ideal é que esta pessoa fique com a chave da casa e vá visitar o cachorro ao menos uma vez por dia. Ela deve trocar a ração e a água, limpar o xixi e o cocô do cachorro e passear com ele. Também é importante ficar atento se o animal não está comendo ou com diarreia. Em caso de doença, é preciso levar o bicho ao veterinário indicado pelo dono”, acrescenta.
As dicas também valem para quem vai aproveitar as férias para brincar com os animais, mas está preocupado com o retorno ao trabalho e não quer deixar os pets sozinhos em casa durante o dia todo. O ideal, contudo, é sempre ter um tempo livre para cuidar do pet, dizem os especialistas.

Jornal do Commercio