Carreira

Tempo para descansar, mas também para se aprimorar

Usar férias para aprender algo novo pode ser diferencial na carreira

Thiago Roldan é um jovem que dá passos largos na vida profissional. Aos 20 anos de idade, o programador de Tecnologia da Informação (TI) acaba de ser promovido na empresa de desenvolvimento de software onde trabalha em São Paulo. Até poucos meses, ele atuava como assistente de TI e, após criar um programa capaz de facilitar a localização de dados de mais de dois milhões de clientes, chamou atenção da chefia e conquistou o cargo de programador júnior. O segredo? “Estudando durante as férias do ano passado”, responde Thiago, que sempre aproveita parte de suas folgas para aprender algo novo relacionado ao mercado onde atua.

Mais do que motivacional, a história de Thiago serve de referência para mostrar que é possível utilizar o período de recesso para estudar e ter retornos positivos na carreira. E isso não significa que seja necessário abdicar do descanso de forma integral. “Eu costumo reservar entre três e quatro horas por dia durante as férias para estudar, com intervalos de 20 minutos a cada uma hora”, explica o programador. Entre os estudos por conta própria (com auxílio de pesquisas na internet) e cursos on-line, Thiago já usou as férias para se aprofundar em temas como programação de algoritmos e banco de dados. Ele também já fez um curso de segurança da informação, que teve 38h de carga horária e aprendeu Espanhol – para melhorar a comunicação com o chefe, que é colombiano. “Não tenho dúvidas de que minha recente promoção se deve aos estudos durante as férias, que acabaram agregando ainda mais conhecimento”, analisa.

Segundo o consultor Thiago Hizen, recesso é ótimo período para ampliar habilidades. Foto: Luiz Pessoa/JC360

O consultor de carreiras Thiago Hizen destaca que as férias devem ser aproveitadas para o aprimoramento de habilidades, que ampliem os resultados pessoais. “O processo de aprendizado é contínuo. Todos nós sabemos que as tecnologias surgem e se modificam a cada dia. Existem empregos que no futuro serão substituídos por robôs, por exemplo. Então ter habilidades altamente desenvolvidas e específicas pode garantir o sucesso profissional”, afirma. “Por outro lado, as máquinas nunca serão capazes de substituir a criatividade e sensibilidade humana. Desta forma, aproveitar o recesso para fazer cursos de atendimento às pessoas também pode ser uma excelente estratégia”, observa Hizen.

Ainda de acordo com o consultor em negócios, o curto período das férias é suficiente para o início de estudos sobre assuntos paralelos aos que são desenvolvidos cotidianamente. “Eu sempre digo a meus alunos que as pessoas não devem ficar presas em suas caixinhas. É importante aprofundar os próprios conhecimentos, mas aprender algo totalmente novo também é fundamental para o progresso profissional. Uma nutricionista, por exemplo, pode aprender marketing digital e, por meio das redes sociais, passar a atender pacientes de outras cidades ou estados, ampliando o próprio negócio”, comenta.

Personal Trainer no Recife, João Paulo da Silva, de 38 anos, não se sentiu satisfeito com a formação em Educação Física pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e encontrou nas férias uma oportunidade para melhorar seu próprio trabalho. “O estudo é uma fonte de transformação na vida de qualquer pessoa e eu invisto nisso sempre quando tenho tempo. As pessoas até estranham, mas eu faço questão de estudar nas férias. Aproveito para aprender mais sobre atendimento e o relacionamento com o cliente”, explica. Nas férias de 2018, JP Lima, como João é conhecido no mercado, viajou para São Paulo e fez um curso em formação em coaching financeiro, para dar aulas a outros professores de educação física. “O legal é que quando viajo para estudar, eu estudo, mas também conheço novos lugares e pessoas”, destaca João Paulo.

“Estudo é fonte de transformação da vida de qualquer pessoa”, diz João Paulo. Foto: Acervo pessoal

Em busca de aumentar sua clientela, o acupunturista e professor de Tai Chi, Bruno José Neves, 26, aposta nos estudos durante as férias para conquistar novos públicos. “A medicina chinesa é uma prática milenar. A gente sempre vai ter algo para conhecer. Então, como no dia a dia, nós não temos tanto tempo, aproveito as férias para estudar mais. Isso faz com que eu tenha um aumento no aporte teórico e, consequentemente, melhoria no meu atendimento. Eu acabo atraindo mais clientes e fidelizando os antigos”, avalia Bruno. Para as próximas férias, o professor já se organiza para participar durante alguns dias de um curso em Camaragibe, no Grande Recife, sobre “Lian Gong”, um método que melhora dores musculares e a qualidade da respiração. “Eu amo aproveitar as férias para descansar e viajar. Mas também é importante estudar. No retorno ao trabalho, eu consigo mais resultados e tenho muita alegria em aplicar as técnicas que aprendi durante o recesso”, declara.

Dicas para estudar nas férias

  • Encontre um local adequado para estudar;
  • Crie uma rotina intercalando períodos de estudo e momentos de diversão e descanso;
  • Opte pelos assuntos pelos quais você tem mais dificuldade e precisa de mais tempo para estudá-los;
  • Alterne os assuntos e faça pausas de 20 minutos a cada 1 hora;
  • Leia livros divertidos e mais leves;
  • Assista séries, filmes e documentários sobre história e geografia;
  • Evite distrações e fique longe das redes sociais enquanto estuda;
  • Durma bem e se alimente de forma equilibrada;
  • Descanse e reponha as energias para os próximos meses.

Aprendizado que dinheiro nenhum pode comprar

Ser voluntário durante as férias é alternativa aos que desejam ajudar e não possuem muito tempo

O sorriso no rosto das crianças é o cartão de visitas ideal para quem chega ao Hospital Oswaldo Cruz, no Centro do Recife, e se depara com o carinho e a ternura de um senhor de 77 anos que doa seu tempo para recitar poesias e brincar com os pequenos em um momento delicado, que é a luta contra o câncer. Eraldo Campelo é voluntário há 12 anos no GAC, Grupo de Ajuda à Criança Carente com Câncer de Pernambuco, e valoriza cada momento. Muito pelas experiências que já viveu nessa jornada. Um aprendizado que salário algum pode pagar, segundo ele. “Ganhei muito mais. Aprendi a ser um ser humano melhor”, resume Seu Campelo, como é conhecido. Ele é um dos 65 voluntários da instituição, que atende cerca de mil crianças por mês e que precisa de mais braços amigos, especialmente nas férias.

“Quando digo que me tornei um ser humano melhor depois de fazer trabalho voluntário é porque eu aprendi a olhar o outro com mais cuidado, com mais atenção e me colocando no lugar de quem mais sofre”, analisa o aposentado, que frequenta o GAC quase que diariamente “fazendo de tudo”. “Brincando com as crianças, lavando panela do refeitório e até o banheiro, se for necessário”, frisa Campelo. Antes de se aposentar, o voluntário era gerente de escritório em uma empresa pública do Estado. Ele já até escreveu um livro sobre o tema. Lançado em 2013, “Procuram-se voluntários” conta as histórias de pacientes e de seus familiares dentro da unidade.

Assim, como Seu Campelo, o voluntariado é praticado por 7,2 milhões de pessoas no Brasil, conforme dados da Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílios Contínua (Pnad Contínua), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Um número que aparenta ser alto, mas que ainda pode crescer.

Seu Campelo, como é conhecido, é voluntário há 12 anos. Foto: Luiz Pessoa/JC360

No caso do GAC, a presidente da instituição, a médica Vera Moraes, reforça o pedido pela solidariedade. “Nós atendemos muitas crianças e os voluntários são muito importantes no apoio ao atendimento. Os voluntários podem ajudar na produção da comida, podem brincar com as crianças e também ajudam no apoio emocional, ouvindo e até rezando com os pacientes. Isso tem muita relevância para o tratamento”, explica a médica que também atua como presidente do GAC de forma voluntária. Segundo Moraes, o período de férias é um dos momentos mais difíceis para a instituição no que diz respeito ao apoio de voluntários. “Muita gente viaja ou acaba ficando com os filhos em casa. Precisamos que as pessoas se sensibilizem e possam se doar a esta causa”, pede.

Não é difícil ser voluntário, mas é preciso seguir algumas regras. Uma lei sancionada em 1998 define o voluntariado como uma atividade não remunerada e, deste modo, sem fins empregatícios. O prestador do serviço não recebe vale transporte ou vale alimentação, por exemplo, e nem é liberado do emprego formal para desenvolver a atividade.

A coordenadora do voluntariado do GAC, Adriana Castro, reforça que o tempo da atividade depende da disponibilidade de quem desempenha a filantropia. “Aqui no GAC, pedimos que a pessoa fique, no mínimo, 4 horas semanais (uma manhã ou tarde), mas o período máximo é o voluntário que define, em parceria com a nossa equipe. Se a pessoa só pode ser voluntário durante as férias, não tem problema”, afirma. Para ter mais informações sobre como ajudar o GAC, basta entrar em contato pelo telefone (81) 3423-7636 ou pelo site www.gac.org.br.

O treinamento para se tornar voluntário é feito pela Rede Pernambuco Voluntário, que reúne várias instituições sociais no Estado. As capacitações são feitas na sede do Movimento Pró-Criança, no bairro dos Coelhos, Centro do Recife. Quem precisar de mais informações sobre a rede deve ligar para o telefone (81) 3412-8961 ou enviar e-mail para redepernambucovoluntario@gmail.com.

Jornal do Commercio