Tecnologia a serviço das cidades

Impossível, nos tempos atuais, imaginar mover-se e não usar a tecnologia para isso. No trânsito, ela é importante para identificar congestionamentos e apontar, para muitos, o percurso em si. No transporte coletivo, ajuda a saber o horário em que o ônibus passará na parada. Sem ela, os aplicativos de transporte privado sequer existiriam. A tecnologia não é a solução, mas, sem dúvida, é o caminho para a nova mobilidade urbana e, consequentemente, para cidades mais agradáveis e justas. O desafio é usá-la para unificar as opções de deslocamento e, principalmente, de pagamento. Plataformas digitais intermodais. A mobilidade passando a ser vista como um serviço, sem necessidade de propriedade. O MaaS, ou Mobility as a Service (mobilidade como um serviço), conceito ainda pouco conhecido no Brasil.

A tecnologia está fazendo com que o transporte urbano se mova numa nova direção. O interesse pela propriedade está desaparecendo e já é questionável correr atrás do transporte. Ele que venha até o passageiro. E de forma rápida, limpa, segura e de fácil pagamento. Os serviços de mobilidade sob demanda e compartilhados criaram essa cultura, sem volta. Deram opções às pessoas para escolher como querem viajar. Com os apps de viagens, as empresas de software passaram a ter papel fundamental nos diferentes ecossistemas de transporte urbano. Ideias são estimuladas e investimentos vultosos são feitos cada vez mais em novas mobilidades – veja o crescimento de apps de caronas corporativas e não corporativas, de compartilhamento de carros, bicicletas e patinetes. A micromobilidade que temos visto ganhar as ruas das cidades, com bicicletas e patinetes com ou sem estação, é prova disso.


O que é MaaS

  • O MaaS, ou Mobility as a Service (mobilidade como um serviço), é um conceito ainda pouco conhecido no Brasil, mas que vem ganhando força no mundo
  • É uma mudança conceitual. Deixa para trás a propriedade pessoal de meios de transporte para soluções de mobilidade que são consumidas como um serviço
  • É uma combinação de serviços de transporte público e prestadores privados de serviços de transporte, através de um servidor de acesso unificado que cria e gerencia a viagem

Alguns exemplos do MaaS

É um serviço de compartilhamento de carros operado pelo BMW Group em Seattle (Washington), Portland (Oregon) e Brooklyn (Nova York). É o primeiro serviço a combinar o compartilhamento de carros e o passeio em um único aplicativo. O usuário pode dirigir ou ser levado por um motorista. Opera, hoje, uma frota de mais de mil veículos.

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É um serviço de mapeamento e aplicativo de transporte público. Integra dados para todos os modos de transporte urbano, desde caminhada e ciclismo até direção, com ênfase no transporte público. Calcula rotas, permite visualizar clima e tempo, além de mostrar mapas e oferecer informações sobre o transporte coletivo nos países onde está disponível. No Brasil, por enquanto só em São Paulo.

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Plataforma alemã que oferece tecnologia para agregar os mais diferentes modais de transporte urbano, públicos ou privados. Oferece componentes de software inovadores que podem ser integrados em aplicativos existentes ou utilizados por associações de transporte e empresas que ainda não oferecem seu próprio aplicativo.

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Mas serão as plataformas digitais intermodais que vão ditar as regras em breve, mudando todo o jogo. Vão ajudar os usuários a escolher e coordenar suas viagens através de múltiplos modos. A utilização das plataformas de mobilidade urbana que conectam diferentes tipos de transporte ainda é tímida em comparação com os apps de mobilidade única, mas isso deverá mudar em pouco tempo porque há diversas organizações desenvolvendo essas plataformas. Alguns exemplos são a startup Citymapper, que é de Londres (Inglaterra), mas já chegou a São Paulo; a ReachNow, parceria das poderosas Daimler e BMW; e a plataforma alemã Mobimeo. A percepção de que esse é o futuro da mobilidade fez com que a Uber passasse a investir no compartilhamento de bicicletas elétricas, por exemplo, e a Tembici – parceira do Itaú nos projetos de bike sharing – introduzisse o aluguel de patinetes elétricos ao lado das bicicletas – projeto que começou no Rio de Janeiro, mas foi suspenso devido à polêmica envolvendo os patinetes elétricos.

“Não precisamos sonhar com Os Jetsons (animação criada em 1962 em que uma família vive num futuro automatizado) porque a tecnologia sozinha não fará as mudanças necessárias. Precisamos mesmo é que o comportamento das pessoas mude. Antes dos anos 2000 não imaginávamos falar em micromobilidade, por exemplo. Pegar uma carona com um estranho era algo que representava morte certa. E hoje em dia, tudo isso mudou. Outro fator importante é a participação do Estado nesse processo, criando políticas públicas que incentivem a prática da nova mobilidade urbana. Assim como das empresas e corporações” Douglas Tokuno, do Waze Carpool

A tecnologia, no entanto, não conseguirá mudar a mobilidade sozinha. As pessoas são necessárias nesse processo. “Não precisamos sonhar com Os Jetsons (animação criada em 1962 em que uma família vive num futuro automatizado) porque a tecnologia sozinha não fará as mudanças necessárias. Precisamos mesmo é que o comportamento das pessoas mude. Antes dos anos 2000 não imaginávamos falar em micromobilidade, por exemplo. Pegar uma carona com um estranho era algo que representava morte certa. E, hoje em dia, tudo isso mudou. Outro fator importante é a participação do Estado nesse processo, criando políticas públicas que incentivem a prática da nova mobilidade urbana. Assim como das empresas e corporações”, ensina Douglas Tokuno, coordenador do Waze Carpool no Brasil e América Latina.

Douglas Tokuno, coordenador do Waze Carpool no Brasil e América Latina

O Waze Carpool é a modalidade de carona do Waze, aplicativo para traçar rotas no trânsito. Chegou ao Brasil em agosto de 2018 e tem o diferencial de cobrar dos passageiros apenas o necessário para dividir o combustível e a manutenção do veículo. Está presente em quatro países (Brasil, Estados Unidos, Israel e México) e disponível em quatro idiomas. O Waze conta hoje com 115 milhões de usuários ativos globalmente, mas o número de clientes apenas do Waze Carpool não é divulgado.

Outra vantagem da tecnologia como aliada da nova mobilidade urbana é a quantidade e qualidade das informações que o setor público pode obter para fazer o planejamento das cidades ao possuir interface entre usuários e outros membros do ecossistema de mobilidade urbana. Quem ensina é o The Boston Consulting Group (BCG): os dados gerados pelos usuários das plataformas de mobilidade urbana permitirão que as cidades e outras partes interessadas melhorem a previsão de demanda, combinem tecnologias inovadoras (como compartilhamento de bicicletas e scooters) com sistemas de transporte existentes e proporcionem uma experiência ao consumidor cada vez melhor.


Exemplos de inovação para a nova mobilidade

Ideias para facilitar a mobilidade urbana são pensadas aos montes no mundo. Até mesmo o setor de transporte coletivo tem aderido à inovação. Conheça algumas delas:

O Waze Carpool é a modalidade de carona do Waze, o aplicativo que traça rotas mais rápidas em tempo real e com dados de milhares de usuários. É um serviço de caronas que cobra dos passageiros apenas o necessário para dividir o combustível e a manutenção do veículo de quem oferece a carona. O sistema conta com um limite de duas caronas por dia, para não atrair profissionais que dirigem com os apps como Uber, 99 e Cabify.

Até o setor de transporte público se rendeu à inovação. Em busca de novas soluções para antigos problemas, a Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) lançou este ano o Coletivo, programa de inovação em mobilidade urbana. Será um “hub” nacional de inovação para o setor.

Exemplos da tecnologia no transporte coletivo:
Citybus 2.0 e UBus
Serviços de compartilhamento de transporte coletivo. O primeiro funciona em Goiânia (Goiás) e o segundo em São Bernardo do Campo (São Paulo)

Projeto incubado no Porto Digital e que recebe apoio do governo britânico, o Navegue pretende ser um Uber fluvial, oferecendo viagens pelo Rio Capibaribe solicitadas via app. Inicialmente, funcionaria com horários pré-definidos e dois pontos de embarque/desembarque: um no Jardim do Baobá (Zona Norte do Recife) e outro no Marco Zero (Centro), e contaria com dez barqueiros fazendo o percurso Graças-Bairro do Recife

Alguns projetos do Uber Hack 2019

AnyStations

Um sistema para tornar o tempo de espera durante a troca de modais mais interessante. Ao informar para onde vai e quanto está disposto a gastar de tempo e dinheiro, o sistema indica estações virtuais que podem funcionar em espaços públicos ou privados.


Shh!

Aplicativo de locomoção urbana que permite a qualquer pessoa ser guiada pelo celular sem precisar tirá-lo do bolso, através de vibração.


Leva Kids

Um aplicativo de vans escolares para ajudar seu filho à chegar a escola com segurança. Uma espécie de Uber do transporte escolar.


Bora Sale

Aplicativo que conecta pessoas para fazer pequenos trajetos a pé em seus bairros, reduzindo a quantidade de automóveis percorrendo pequenas distâncias.


Unio

Serviço de aluguel de bicicletas para empresas que estimula o uso de modais alternativos através da gamificação, trazendo benefícios tanto para o colaborador quanto para a organização.


Flue

API para integrar dados de concentração de público com a previsibilidade de demanda de transporte. Pensado para garantir oferta de transporte em grandes eventos.


Beahero

API que agiliza o atendimento de pronto socorro de acidentes de trânsito fornecendo a localização precisa de quem liga para o serviço.


Equipa

Espécie de gamificação para fornecer equipamentos de segurança para motociclistas que fazem delivery por aplicativos.


Smart Path

App que mapeia o volume de carros nas vias e propõe rotas alternativas para quem usa a bicicleta.

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