Integração de modais de transporte é o futuro

A solução para a nova mobilidade urbana passa pela integração dos transportes. Esqueça aquele conceito de uma única forma de deslocamento. Vou de carro, vou de ônibus ou vou de bicicleta. Ficou no passado. As integrações são o presente e serão o futuro das cidades. E os sistemas de compartilhamento de carros, bicicletas e patinetes – e também de ônibus regular, como já vem surgindo – são os propulsores dessa mudança. Que veio para ficar. Isso é consenso.

Além do caminhar, mesclar diferentes tipos de transporte para chegar de um ponto a outro ficou fácil e pode ser bem mais barato. A sociedade começa a perceber isso. As bicicletas públicas compartilhadas têm números animadores – crescimento de viagens superior a 300%, como é o caso do BikePE. Os sistemas dockless (sem estação) – patinetes elétricos e bicicletas – também crescem no País, apesar da polêmica que os envolve. Estudos começam a comprovar a constatação das ruas. Pesquisa do Instituto Ipsos e da 99 realizada nas cinco regiões do País, em junho, constatou que o brasileiro utiliza, em média, três modais diferentes durante a semana. E que a predominância na integração ainda é da caminhada – 13,9% dos entrevistados afirmaram que antes ou depois de usar um app de transporte privado caminhavam. Mas a utilização integrada com o transporte coletivo é forte – 10,2% – e com o automóvel é relevante – 9%.

Pesquisa do Instituto Ipsos e da 99 mostrou que o brasileiro utiliza três modais diferentes durante a semana

A avalanche de alternativas de transporte dos últimos anos também está provocando um outro fenômeno: desmistificando o automóvel e os valores sociais que sempre o envolveram. Outra pesquisa, realizada em 2018 pelo Instituto Clima e Sociedade (ICS), entidade que financia projetos e estudos sustentáveis no País, mostrou que, de fato, o passageiro que hoje utiliza os aplicativos de transporte privado era usuário do transporte público (ônibus, metrô ou trem) – uma média de 50% das pessoas –, mas revela uma fuga do carro – entre 20% e 30% dos passageiros afirmaram que antes de usar um app com frequência tinham o automóvel como principal transporte.

    Principais meios de deslocamento utilizados pela população

    Três modais diferentes são utilizados, em média, pelo brasileiro durante a semana. Os números são de uma pesquisa nacional realizada em 2019 nas cinco regiões do País.

  • 70%

    caminham para percorrer mais de 500 metros
  • 46%

    utilizam ônibus, micro-ônibus ou van
  • 43%

    usam o automóvel, seja como motorista ou passageiro
  • 18%

    usam o carro solicitado por aplicativo

  • 18%

    usam a motocicleta
  • 16%

    fazem uso da bicicleta e do patinete elétrico
  • 9%

    utilizam metrô, trem, BRT ou VLT
  • 7%

    usam o táxi
"Quando se trata do movimento de pessoas e coisas, vimos mais transformações nos últimos cinco anos do que nos 50 anteriores. E os próximos dez prometem acelerar profundamente essa mudança. E a transição para o SEA (System Electric and Automation) irá modificar a forma como tradicionalmente planejamos, projetamos, operamos, financiamos e gerenciamos nossos transportes e direitos de passagem. Estamos nas fases iniciais do enfraquecimento do nosso sistema de transporte tradicional e da chegada da nova transição ativa, compartilhada, elétrica e automatizada. Não vai acontecer em todos os lugares ao mesmo tempo, mas acabará por chegar a todos os cantos do planeta” Timothy Papandreou, consultor

    A chegada dos apps de transporte privado fortaleceu a integração

    As combinações mais comuns são:

  • 13,9%

    Carro por aplicativo + a pé
  • 10,2%

    Carro por aplicativo + ônibus
  • 9%

    Carro por aplicativo + automóvel como passageiro

É claro que essa predominância de deslocamentos a partir de modais integrados precisa ser estimulada como forma de diminuir, assim, a utilização exagerada do automóvel. “Os governos e as gestões públicas precisam priorizar o coletivo e deixar de investir tanto no transporte individual. Temos oito vezes mais espaço nas ruas para o carro, duas vezes para a moto do que para o pedestre, por exemplo. É preciso estar atento às mudanças na prática. Quando se trata do movimento de pessoas e coisas, vimos mais transformações nos últimos cinco anos do que nos 50 anteriores. E os próximos dez prometem acelerar profundamente essa mudança. E a transição para o SEA (System Electric and Automation) irá modificar a forma como tradicionalmente planejamos, projetamos, operamos, financiamos e gerenciamos nossos transportes e direitos de passagem. Estamos nas fases iniciais do enfraquecimento do nosso sistema de transporte tradicional e da chegada da nova transição ativa, compartilhada, elétrica e automatizada. Não vai acontecer em todos os lugares ao mesmo tempo, mas acabará por chegar a todos os cantos do planeta”, alerta Timothy Papandreou, consultor, fundador e CEO da Emerging Transport Advisors, empresa que fornece orientação estratégica para empresas, investidores, startups e governos sobre mobilidade compartilhada, elétrica e automatizada.

O papel dos sistemas metroferroviários é grande nas integrações de modais de transporte

A corrida agora é para ver quem conseguirá integrar a informação sobre todas as possibilidades de transporte numa mesma plataforma. Permitindo que o usuário decida, num mesmo app, por exemplo, se usará o ônibus ou o metrô, pegará um Uber ou alugará um carro, ou se escolherá uma bicicleta pública ou um patinete elétrico. Tudo acionado e pago na mesma plataforma.

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