MINI ROCK

por Robson Gomes rgomes@jc.com.br
O que é música infantil pra você? Existe um ritmo específico para a criança se divertir, se movimentar? Um samba, um coco, um maracatu, um frevo... Um axé music, talvez. Mas, e se a garotada gostar mesmo de uma guitarra e uma bateria potentes, como um grande show de rock? As amigas roqueiras Cacau e Nana pensaram nisso e apresentaram à galerinha o universo da Mini Rock.

“A Mini Rock é dissidência de uma banda que tínhamos chamada Rock de Minissaia. No ano que surgiu esse projeto, em 2011, foi a época em que muitos amigos nossos tiveram nenês, inclusive eu, e a gente estava com filhos pequenos, e nós vimos que não tínhamos opções de diversão pras crianças”, explica a vocalista Cacau. E para atender um pedido durante o carnaval daquele ano, apresentaram um show de rock infantil no bailinho do Eu Acho é Pouco.

No início, a banda trouxe as cantigas de roda para passearem no mundo no rock'n'roll. A versão delas para Samba Lê Lê é um dos grandes sucessos. Ao longo do tempo, músicas autorais, como Cosquinha, foram surgindo, e as crianças curtindo cada vez mais essa sonoridade.“As bandas de rock'n'roll mais antigas são bem latentes. Tanto eu como Nana gostamos muito disso naturalmente. A gente já cantava bandas como Queen, The Police, Led Zeppelin, AC/DC. A gente saiu pegando essas referências e trazendo pros arranjos da Mini Rock”, coloca Cacau.

Nessa proposta de apresentar o mundo do rock para as crianças, as meninas acabaram de lançar o EP Mini Rock Canta Beatles. E Nana explica que os pais também se identificam com o perfil da banda: “A gente percebeu essa necessidade dos pais, que falavam 'que legal! Eu quero que meu filho escute isso, as minhas referências, eu escutava muito Beatles...'. E pensamos, por que não fazer isso para as crianças também? Afinal de contas, Beatles, além de ser um clássico, tem um conteúdo muito lúdico, se você prestar atenção. As crianças se envolvem, se encantam com Yellow Submarine, por exemplo. Começamos a fazer os shows desse projeto há dois meses e deu supercerto. O próprio público pediu para que lançássemos um disco pra ouvir em casa. E assim a gente fez”.

A empatia das crianças com a Mini Rock faz com que Cacau e Nana se empenhem a cada dia para produzir um trabalho de qualidade e que ajude na formação delas: “O lúdico não é bobo. Você não precisa ser bobo pra ser lúdico. Criança gosta de sinceridade. Gosta que você fale na lata, porque ela responde na lata. Você não precisa ser bobinho para se comunicar com a criança. Pelo contrário, a criança no dia-a-dia ela é muito mais clara do que muito adulto pensa”, reforça Nana.

O rock pode ser um ritmo barulhento para alguns, mas para as crianças, este ritmo pode ser a porta de entrada para uma grande diversão. Principalmente se essa garotada for a algum show, ou ver e ouvir algum material da Mini Rock. Cacau e Nana, professoras na vida real e no palco, mostram com este trabalho que, para gostar de um bom riff de guitarra e um solo de bateria, não tem idade para começar

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