Curiosidades

Ex-jogador Jucélio passou 10 anos sem sofrer expulsões

‘Do pescoço para baixo, tudo é canela’. Comum nos gramados dos estádios de futebol espalhados pelo Brasil ou mesmo nos jogos amadores, a expressão se refere às faltas. Mas para alguns atletas, o que vale mesmo é a disciplina. A falta até podia ser cometida, mas nada que fosse mais grave e que resultasse numa expulsão. Não por acaso, na década de 40 foi criado o Prêmio Belfort Duarte. Entregue atualmente aos jogadores mais disciplinados do Campeonato Brasileiro, até pouco tempo a premiação era destinada apenas aos ex-jogadores de futebol profissional que ao longo das carreiras tivessem passado dez anos sem sofrer qualquer expulsão, desde que atuando pelo menos durante 200 partidas. Ao longo dos seus cem anos de existência, o Central teve em seus quadros um jogador, o zagueiro Jucélio, que conseguiu tamanha proeza. Um verdadeiro lord dos gramados, até hoje considerado um dos maiores nomes da história da Patativa.

Natural de Garanhuns, Jucélio começou a carreira no futebol amador, a princípio atuando pelo Sete de Setembro, na cidade natal, passando depois pelo Leão XIII, de Catende. Foi justamente numa partida amistosa nesta cidade da Mata Sul, quando o time da casa derrotou o Santa Cruz por 2×1, que o futebol daquele zagueiro de estilo clássico chamou a atenção do diretor do Central, Alcides Lima, que não pensou duas vezes em levá-lo para Caruaru. Começava aí uma relação de cumplicidade entre a Patativa e o zagueiro, não por acaso um dos melhores jogadores a vestir a camisa alvinegra nesses cem anos de história.

Como jogador profissional, Jucélio só vestiu a camisa do Central, apesar de ter sido sondado por outras equipes do Estado, como o Náutico e Santa Cruz, ou mesmo do País, a exemplo do Corinthians/SP. Um drama que só aumentou a partir do momento em que o zagueiro viu alguns companheiros de time negociados para outras equipes. “A diretoria do Central, principalmente seu Alcides, dizia que não me vendia, pois se assim fizesse, acabaria o time”, revela o ex-jogador, que não esconde um pouco de mágoa por jamais ter defendido outro time em sua vida profissional.

Jucelio junto ao elenco do Central em 1964.

Distante da tão sonhada oportunidade de atuar por outra equipe, restou ao zagueiro o consolo de ter jogado contra um dos melhores times da época, no caso o Náutico, justamente no período da conquista do seu maior título, o hexacampeonato pernambucano. “Aquele time era uma máquina de jogar futebol, tanto que ganharam do Santos/SP lá em São Paulo com Pelé e companhia. O mais difícil era marcar Nado, por ser bastante veloz e habilidoso”, recorda o ex-zagueiro, referindo-se a uma das estrelas do famoso ataque das quatro letrinhas, como era conhecido o pelotão de frente do time alvirrubro. Não por acaso, justamente numa partida contra o Timbu, no campeonato de 1968, quando o Central empatou no então Estádio Pedro Víctor de Albuquerque por 2×2, Jucélio considera como o jogo inesquecível da sua carreira.

Qual seria então o segredo para marcar uma carreira tão brilhante, enfrentando atacantes habilidosos e mesmo assim, sem jamais ter sido expulso? “Eu marcava de lado, antecipava ao adversário quando a bola chegava, por isso praticamente não fazia falta”, revela Jucélio, que assegura ter recebido não mais do que dois cartões amarelos ao longo de toda carreira. O ex-zagueiro diz ter adotado este estilo após ouvir uma dica dada pelo então treinador Álvaro Barbosa que veio do Treze/PB e comandou o alvinegro caruaruense de 1963 a 1965.

Questionado se caso jogasse nos dias atuais conseguiria repetir a conquista do Prêmio Belfort Duarte, Jucélio fica pensativo, mas mesmo assim responde. “Sei que hoje seria mais difícil alcançar essa meta, mas acredito que sim, pois era o meu estilo de jogo e não mudaria”, dispara. Sorte dos torcedores ‘centralistas’, que tiveram a oportunidade de ver Jucélio dentro de campo. O futebol de qualidade certamente agradeceria tê-lo de volta aos gramados.

Torcedor fiel, Gordo da Lotação fazia caravanas para jogos do Central

Quando criança, com pouco mais de oito anos de idade, logo que chegou a Caruaru vindo com toda a família de Cachoeirinha, José Martins Neto sempre que possível costumava pegar a bicicleta e junto com alguns amigos – muitas vezes escondidos das mães – pedalar do bairro do Caiucá, onde mora até hoje, rumo ao então Estádio Pedro Víctor de Albuquerque para acompanhar os treinos do Central. Amante do futebol, o garoto ia para o estádio ver de perto os ídolos que vestiam a camisa alvinegra.
O tempo passou, o menino cresceu e junto com ele a paixão pela Patativa. A diferença é que agora, já adulto, a bicicleta deu lugar a um veículo, enquanto que a distância para percorrida para ver o Central jogar não se restringia apenas a Caruaru, mas sim a outras cidades e até mesmo Estados. Nascia assim o folclórico ‘Gordo da Lotação’, um dos torcedores símbolos do Central.

Foi no começo dos anos 80 que Gordo comprou o famoso veículo, um dos símbolos das estradas brasileiras no final dos anos 70 e início da década de 80, que acabou sendo seu instrumento de trabalho, pois costumava fazer lotação por todo o Agreste. Logo a Caravan passou a servir de lotação para uma causa bem mais nobre, pelos menos na visão do seu proprietário e alguns amigos: acompanhar os jogos da Patativa, a princípio em Pernambuco, na disputa do campeonato estadual, passando depois pelas partidas amistosas, dentro ou fora do Estado, até os confrontos válidos pelo Campeonato Brasileiro, em distâncias bem mais longas. Como o preço do combustível era bem mais em conta do que nos dias atuais, todo esforço era válido para acompanhar o time do coração nas mais diversas praças esportivas.

Sem contar Recife, destino comum na década de 80 quando dos jogos do Campeonato Pernambucano, junto com Vitória de Santo Antão, Paulista, Goiana, Timbaúba, Garanhuns, Serra Talhada ou Petrolina, outras cidades entraram no roteiro da caravana alvinegra. Campina Grande, até mesmo nas partidas amistosas contra o Treze/PB ou Campinense/PB, João Pessoa/PB, Natal/RN, Fortaleza/CE, Juazeiro do Norte/CE, Mossoró/RN, Maceió/AL, Arapiraca/AL, Aracaju/SE, Feira de Santana/BA e Salvador/BA. Não havia distância que impedisse a presença dos fiéis torcedores nos jogos da Patativa na região.

Dessas várias viagens, uma acabou sendo inesquecível. Mesmo sendo em Pernambuco, não deixou de ser cansativa, até mesmo pela distância. A viagem marcante ocorreu no dia 17 de julho de 1999, quando Gordo e sua Caravan marcaram presença em Petrolina, na primeira partida das semifinais da série A2 de 1999, quando a Patativa empatou em 0x0 contra o 1º de Maio. No jogo de volta, no Lacerdão, a vitória do Central por 2×1 garantiu a passagem para a final contra o Íbis, a conquista do título e o acesso de volta à série A1 estadual. “Foi uma viagem cansativa , mas valeu. Afinal de contas foi o primeiro passo para a presença na decisão em que conquistamos o título e carimbamos o retorno ao lugar de onde o Central jamais deveria ter saído”, relembra.

A Caravan já não mais existe, até mesmo por ter sido vendida há cerca de dez anos. Até mesmo a profissão teve de mudar, pois passou a ser motorista de caminhão e não mais de lotação. Contudo, permanece o amor ao Central e prosseguem as viagens, não apenas com os amigos em veículos particulares, nas distâncias que podem ser percorridas por via terrestre, mas também de avião, voando alto para acompanhar os jogos da Patativa, desafiando as maiores distâncias.

Torcedor do Central escalou arquibancada para assistir jogo histórico

Você pode até não gostar de futebol, mas certamente, caso goste de festas populares, a exemplo do maior São João do Mundo, morando ou não em Caruaru, já deve ter visto o senhor Ernando Laureano de Carvalho, 73. Seja no São João da Capital do Forró, nas prévias da semana pré-carnavalesca, nas paradas cívico-militares de Sete de Setembro, Réveillon no Marco Zero, nas passeatas ou mesmo carreatas políticas em épocas de eleições, enfim, em qualquer evento que junte aglomeração de público, este funcionário público aposentado da prefeitura certamente estará presente com sua tradicional vestimenta alvinegra customizada com os escudos do time do coração, cartola ou boné, e segurando uma bandeira da Patativa do Agreste. Uma paixão que começou na adolescência, aos 19 anos, quando começou a acompanhar os jogos do Central, então um time amador, porém com um crescente número de torcedores, graças às memoráveis campanhas feitas nos campeonatos promovidos pela Liga Desportiva Caruaruense (LDC).

“Nessa época eu gostava mesmo era de acompanhar os clássicos contra o Comércio”, relembra o fanático torcedor, numa referência a um dos mais ferrenhos adversários, já extinto, da época dos memoráveis embates válidos pelos campeonatos promovidos pela LDC. Depois, após a profissionalização do clube, a paixão pelo Central só aumentou, valendo qualquer loucura para acompanhar os jogos do time, a exemplo da ocorrida no inesquecível jogo contra o Flamengo/RJ, no Brasileirão de 1986. “Como não havia mais ingressos, o estádio estava lotado e eu não queria perder a partida, acabei escalando uma das arquibancadas do PV. O esforço foi válido, pois jamais esquecei aquela vitória e a festa feita pela torcida nas arquibancadas”, recorda o ‘alpinista’ alvinegro.

Mas a indumentária com que seu Ernando passou a ser mais conhecido pelos torcedores, sejam alvinegros ou não, só apareceu em meados da década de 90, mais precisamente no Campeonato Brasileiro da série B de 1995. Na época a Patativa fez uma bela campanha e só não retornou à elite do futebol nacional por conta do regulamento, que premiava com o acesso à série A apenas os dois primeiros colocados da competição, glória à época alcançada pelos representantes do Paraná, o Coritiba e o Atlético. O Central pode até não ter conseguido a tão sonhada classificação, mas a partir daquele campeonato, o aposentado adotou em definitivo o visual com o qual ganhou popularidade na Capital do Agreste. “Aquela campanha fez com que os caruaruenses recuperassem o orgulho de torcer pelo Central”, assegura.

A paixão pelo Central fez com que o aposentado acompanhasse o time também fora de Caruaru. Recife, Arcoverde, Santa Cruz do Capibaribe, Salgueiro, Garanhuns, João Pessoa e Campina Grande foram algumas das cidades que seu Ernando marcou presença devidamente trajado com a conhecida indumentária alvinegra. Contudo, até mesmo pela rivalidade, ele lamenta o fato do Porto não estar no momento disputando nenhuma competição ao lado do Central. “O clássico é sempre uma partida diferente, não apenas para os jogadores, como também para os torcedores”, explica. Quanto ao seu maior desejo, a exemplo da maioria da torcida alvinegra, é ver um dia o Central conquistar um título estadual. Já dá para imaginar a festa que seu Ernando certamente fará, caso este sonho venha a se tornar realidade!

Avô associa neto ao Central no dia do nascimento

Dentre os vários torcedores que não escondem o orgulho por defenderem as cores e o nome do Central no ‘País de Caruaru’ ou mesmo no ‘exterior’, seja em alguma cidade pernambucana, no Nordeste ou qualquer Estado brasileiro, um deles merece um registro todo especial. Aos 61 anos, o instrutor de auto escola Zenóbio Meneses Ribeiro, natural de Agrestina, porém caruaruense de coração, sem dúvida é um sério candidato ao título de ‘torcedor símbolo’ do Central. Não por acaso possui um livro escrito, ‘Meu Central, meu orgulho, minha paixão’, à espera de apoio para ser impresso, no qual narra fatos e resgata personagens que deixaram os nomes gravados nesses cem anos de história da Patativa do Agreste.

A exemplo de tantos outros torcedores que demonstraram a paixão pelas cores alvinegras, Zenóbio traz no currículo diversas viagens feitas para acompanhar a Patativa nos gramados de Pernambuco e de todo Nordeste. Lembra com saudade da época em que o Central fazia frente ao chamado ‘trio de ferro’ da capital, sendo um adversário difícil de ser batido dentro de seus domínios, principalmente nos anos 70 e 80, quando o Lacerdão era o temido ‘PV’.

Colecionador de camisas do alvinegro, a mais antiga do seu acervo, que também considera como a mais bonita e que ainda usa com orgulho, corresponde justamente à época do histórico jogo em que o Central derrotou o Flamengo/RJ por 2×1 no então Estádio Pedro Víctor de Albuquerque, no Campeonato Brasileiro de 1986. Tanta paixão pelo alvinegro fez com que, em 1999, na gestão do então presidente Leonardo Chaves, fosse convidado para assumir o posto de diretor social do alvinegro. Foi a partir daí que passou a soltar as famosas girândolas, outra de suas marcas, nos dias de jogos do glorioso no Lacerdão.

Desse período, guarda com orgulho uma de suas maiores proezas. Em 2001, junto com o saudoso funcionário Severino Celestino da Silva (Pinto Rico), Deda, outro ex-funcionário do clube, além de ‘Potó’, conhecido torcedor alvinegro, em duas semanas pintaram todo o estádio, com custo zero para a diretoria, já que as tintas foram doação de um patrocinador. Zenóbio ainda diz ser o responsável por um recorde digno do Guinness Book: ter associado o próprio neto, Kawã Matheus Figueiredo de Meneses, hoje com quase dez anos, como o mais novo sócio-torcedor do mundo. “Ele nasceu por volta das 3h da madrugada em 2 de agosto de 2009, no dia em que o Central derrotou o Santa Cruz por 2×1, e no estádio eu já estava de posse da carteirinha dele, inclusive com a mensalidade paga, para provar que não era mentira o que eu estava falando aos demais torcedores”, recorda o avô-coruja.

Depois de acompanhar jogos do Central por vários estádios de Pernambuco e do Nordeste, pintar as arquibancadas do Lacerdão e fazer do neto o mais novo sócio-torcedor do mundo, faltava a Zenóbio registrar tantas lembranças e outras histórias do time que tanto ama num livro. Nascia assim seu mais ambicioso projeto, o livro ‘Meu Central, meu orgulho, minha paixão’, devidamente escrito e à espera de algum alvinegro, puro-sangue como o autor, para finalmente publicá-lo. “Seria o maior presente que eu poderia dar para o clube que tanto amo, neste momento tão especial, quando chega aos cem anos de fundação, fazendo com que um pouco da sai história fique registrada para as atuais e futuras gerações”, relata o torcedor símbolo da Patativa do Agreste.

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