Um futuro inteiro de possibilidades

“Toda proposição útil sobre o futuro deve parecer, a princípio, ridícula”. A afirmação é do futurista profissional Jacques Barcia, parafraseando o pesquisador do Centro de Estudos Futuros da Universidade do Havaí (EUA) Jim Dator. Uma das premissas básicas dessa ciência é: se sua ideia sobre o amanhã é aceitável, você está usando referências do presente. E isso está errado. Graças ao ofício desses pesquisadores do que ainda está por vir, é possível usar métodos científicos para identificar novos horizontes. Melhor ainda, trabalhar e se preparar para que eles se aproximem da forma menos danosa.

 

A ideia desses profissionais que parecem ter saído de um roteiro de ficção é identificar o que eles
chamam de “sinais fracos”. São pesquisas, comportamentos ou simples histórias aparentemente
inofensivas, mas que, se ganharem escala ou aplicações específicas, têm capacidade de romper paradigmas do presente.

Jacques dá dois exemplos. O primeiro é o de um estudo em que dois ratos que estão em países diferentes têm seus cérebros conectados por um chip. E o primeiro animal consegue transmitir ao segundo o percurso necessário para encontrar comida. O outro caso de “sinal fraco” é o de um trabalhador japonês que não tem casa e mora na lan house onde trabalha.

Esses dois cases foram usados para embasar um workshop que Jacques realizou para o Museu do
Amanhã, no Rio de Janeiro, sobre o futuro do trabalho. A proposta para os participantes era utilizar o método dos estudos futuros para pensar quais atividades podem surgir e como será o mundo profissional em 2068. Uma das possibilidades levantadas durante a oficina é o surgimento de carreiras ligadas ao compartilhamento de ideias – como os próprios ratos do estudo fizeram.

Outro cenário é a mudança completa dos ambientes sociais, com a diluição das definições entre casa,
trabalho e lazer. “É possível que esses limites se desgastem nos próximos anos. Tudo isso pode
se fundir para o oposto do home-office, com tudo compactado no mesmo espaço. Seria uma realidade
pós-trabalho, já que a própria definição de trabalho vai mudar”, sugere Barcia.

FUTURISTA É provável que os limites do ambiente entre casa, trabalho e lazer se fundam, diz Jacques Barcia

Para chegar a essas proposições, o grupo de jovens profissionais e estudantes que participaram
no workshop usaram conceitos dos estudos de futuro. “Trabalhamos com pelo menos quatro cenários:
o crescimento, o colapso, o equilíbrio e a transformação. Ajudamos as pessoas a perceberem
esses quadros, a identificarem o que mais as agrada e a traçarem estratégias no presente para
estar preparadas para todas as possibilidades”, detalha o futurista,que também já foi consultor do
Porto Digital.

De tantos amanhãs possíveis, as possibilidades mais radicais e opostas são descartadas, e as análises se concentram em futuros alternativos.

Entre os que afirmam que haverá um desemprego em massa em consequência da automação e os
que defendem que tanta facilidade de produção vai tornar o trabalho quase desnecessário, Jacques
também fica com o caminho do meio e provoca. “A natureza do trabalho se modifica tanto até
2068 que não deve ser reconhecível para os padrões de hoje. Mas o fato é que isso é possível. E, uma vez acontecendo, como vamos nos preparar enquanto sociedade, com políticas públicas, como indivíduos para encarar esse futuro desconhecido?”.

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Expediente

08 de maio de 2018

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