Homens e máquinas inteligentes

A quarta revolução industrial fez o futuro ficar cada vez mais próximo. A velocidade na criação de novas tecnologias e a rapidez com que esses elementos se incorporam à vida das pessoas desfazem a ideia de que futuro é algo distante. Nos Estados Unidos, deixou de ser futuro no final de 2017 a entrega de um carregamento de cerveja em um caminhão pilotado por um computador. Este ano, a Amazon Go promete trazer para o presente a experiência de compra numa loja de conveniência sem bipar código de barras nem passar cartão. Câmeras e sensores se encarregarão de identificar os produtos colocados nas sacolas, e o pagamento será debitado, automaticamente, na saída do estabelecimento. O Fórum Econômico Mundial também aponta “outros futuros” que deverão virar realidade já em 2025 (veja arte). Essa revolução digital está redefinindo o que é o trabalho neste século e obrigando empresas e profissionais a se reinventarem.

No livro A Quarta Revolução Industrial, o organizador do Fórum Econômico Mundial, Klaus Schwab, diz que esse momento é diferente de tudo o que a humanidade já experimentou em função da velocidade e abrangência das mudanças. “As novas tecnologias mudarão drasticamente a natureza do trabalho em todos os setores e ocupações. A incerteza fundamental tem a ver com a quantidade de postos de trabalho que serão substituídos pela automação, quanto tempo isso vai demorar e aonde chegará”, reflete.

Pesquisas no Brasil e no mundo tentam estabelecer as respostas. Um estudo mundial realizado pela McKinsey em 2017 estima que, dependendo da velocidade com que a automação for implantada, a perda de empregos até 2030 poderá ser de 10 milhões num cenário lento, de 400 milhões num cenário moderado e de 800 milhões se o processo de automação for rápido. Pelo levantamento, o potencial de eliminação no Brasil seria de 15,7 milhões de vagas.

Num primeiro momento, a expectativa é que a substituição do homem pela máquina aconteça nas atividades em que se desempenham tarefas repetitivas. Aí estariam incluídas várias profissões ligadas à indústria, além de operadores de telemarketing, contadores, corretores de imóveis, árbitros de futebol e tantos outros. Como as máquinas estão ficando cada vez mais inteligentes, não vai demorar para que outras categorias sejam afetadas, graças à evolução dos algoritmos, ao avanço da robótica e à sofisticação dos sistemas de inteligência artificial. “As mudanças estão acontecendo.Mas, ao mesmo tempo em que várias funções vão deixar de existir, muitas novas vão aparecer”, pondera a diretora executiva de Talentos e Organização da Accenture Strategy, Patrícia Feliciano.

HISTÓRIA

“As mudanças tecnológicas sempre foram apontadas como ameaça ao trabalho, mas a história provou que isso não aconteceu. Na terceira revolução industrial, por exemplo, os países desenvolvidos experimentaram a era de ouro do capitalismo, com benefícios como progresso técnico-científico,
avanço da produtividade, crescimento econômico sustentado, baixa inflação e pleno emprego. É claro que vai se aproveitar das oportunidades quem estiver mais preparado, com instituições econômicas mais fortes e melhores níveis de educação. Nos países em desenvolvimento, como o Brasil, as transformações vão gerar mais problemas. Num país desigual, o aproveitamento das oportunidades também será desigual”, alerta o professor do Departamento de Economia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e integrante do Movimento Ética e Democracia, Tarcisio Patrício (foto abaixo).

Nas discussões sobre os impactos da revolução digital no mercado de trabalho, há visões apocalípticas, que apostam num maciço desemprego tecnológico; e o inverso, de que as pessoas conseguirão se recolocar, desencadeando uma nova era de prosperidade. Entre as duas impressões, a questão é como ajudar os profissionais a fazerem a transição. “O planejamento de políticas públicas de preparação dos profissionais precisa acontecer para ontem. É preciso investir em educação
para retirar um trabalhador do chão de fábrica e reconectá-lo com outras atividades. Mesmo as pessoas com mais escolaridade também estão precisando se reinventar”, observa o empreendedor em educação e fundador da Novo Expediente, Thiago Mota (foto abaixo).

Embora o País sofra com persistentes déficits sociais, o brasileiro é reconhecido pela capacidade de se adaptar, empreender, inovar e se reinventar. A recessão em 2014 e 2015 evidenciou essa característica. No auge da crise, o Brasil perdeu 2,8 milhões de postos de trabalho. Surgiram, porém, milhares de negócios informais, microempreendedores individuais e novos empresários. E as histórias de reinvenção se multiplicam nesse momento de retomada da atividade econômica. “O Caged mostra crescimento lento na geração de novos postos de trabalho (204 mil de janeiro a março), mas a
boa notícia é que deixou de cair. O problema é que a crise foi muito severa, com a economia começando a cair no segundo semestre de 2014, e a queda persistindo até o primeiro semestre
de 2017”, destaca Patrício. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do IBGE para o primeiro trimestre contabilizam 13,7 milhões de desempregados.

Compartilhe

Expediente

08 de maio de 2018

Diretoria

Laurindo Ferreira
Diretor de Redação do Jornal do Commercio
Maria Luiza Borges
Diretora de Conteúdos Digitais do SJCC
Beatriz Ivo
Diretora de Jornalismo da Rádio e TV Jornal

Edição

Rafael Carvalheira
Editor Executivo
Mona Lisa Dourado
Editora Assistente
Leonardo Spinelli
Editor Assistente

Conteúdo

Adriana Guarda
Reportagem
Luiza Freitas
Colaboração

JC Imagem

Arnaldo Carvalho
Editor Executivo
Heudes Regis
Editor Assistente
Felipe Ribeiro
Fotógrafo

Design

Bruno Falcone Stamford
Editor Executivo de Artes
Karla Tenório
Editora Assistente de Artes
Moisés Falcão
Coordenador de Design Digital
George Oliveira
Designer
Guilherme Castro
Front-End
Eduardo Mafra
Infografista
Thiago Lucas
Infografista