Conexão para educar e transformar

O educador Mozart Neves, diretor de Articulação e Inovação do Instituto Ayrton Senna, e o cientista Silvio Meira, presidente do Conselho de Administração do Porto Digital,
trocam impressões sobre o assunto.

“Antes era tudo muito chato. A gente ficava só
olhando o quadro e ouvindo a professora falar”,
comenta Gabriela, entre uma olhadinha
e outra no tablet. Aluna do 5º ano do ensino fundamental,
a menina fala de um problema crônico da educação brasileira,
desconectada da realidade de crianças e jovens nativos
digitais e distante dos conhecimentos e competências
exigidos pelo novo mundo do trabalho. Há dois anos, a escola
municipal Manoel Domingos de Melo, onde Gabriela
estuda, passou por uma transformação radical. Localizada
na vila rural de Oiteiro, em Vitória de Santo Antão, Zona da
Mata pernambucana, a unidade foi selecionada para integrar
o projeto Inova Escola, realizado em parceria pela Fundação
Telefônica Vivo, Cesar e Qualcomm.

Para chegar na pequena comunidade de 700 moradores,
é preciso percorrer oito quilômetros numa estrada de terra
esburacada e cheia de subidas e descidas. Ao longo do caminho,
só se veem as hortas de alface, cebolinha e coentro
cultivadas pelos pais dos alunos. Ao entrar na escola rapidamente,
esquece-se a falta de infraestrutura do entorno.
Quando chegam visitantes, o espaço é apresentado pelos
próprios alunos.

O programa instalou internet rápida, distribuiu tablets
com alunos do 3º ao 5º ano e implementou práticas inovadoras
na maneira de ensinar. “Quando entregamos os primeiros
tablets, até então
as crianças não tinham
tido contato
com qualquer desses
equipamentos. Mas
foi impressionante como
no intervalo de
uma manhã aprenderam
a manusear. Eles
têm um chip diferente
do nosso. Aliás, nós somos
analógicos; eles,
digitais”, brinca o diretor
presidente da Fundação
Telefônica Vivo,
Americo Mattar.
Os tablets e a conectividade
serviram como
instrumentos para
tornar as aulas mais
atrativas e divertidas,
mas a mudança vai
além. “Percebemos
um desenvolvimento muito grande de competências de comunicação,
colaboração, pensamento crítico e criativo nos
estudantes, graças à implementação de práticas pedagógicas
com foco na metodologia ativa, na construção colaborativa
e na resolução de problemas”, observa a analista educacional
do Cesar, Juliana Araripe.

Outro diferencial do projeto é sair dos muros da escola e
estabelecer conexões com a comunidade. No ano passado,
a horta foi um dos temas escolhidos, com os alunos desenvolvendo
produtos e soluções para a agricultura. Ao final,
foi realizada uma exposição para apresentar e vender os
produtos – o dinheiro foi guardado para construir o parque
da escola. Entre as muitas ideias, foram desenvolvidos um
defensivo agrícola natural, um vaso inteligente que informa
quando a planta precisa de água para evitar desperdício
e um arado confeccionado com roda de bicicleta.

A cultura maker, de colocar a mão na massa, também é
uma das metodologias utilizadas. “De fato, a gente percebe
hoje o imaginário daquelas crianças completamente transformado.
Elas têm perspectiva de futuro, entendem as possibilidades,
estão aprendendo a autoempreender e estarão
mais preparadas para a vida e o mercado de trabalho”,
acredita Juliana, adiantando que o projeto será ampliado
para as escolas Joaquim Krause e Santa Terezinha de Jesus,
também em Vitória de Santo Antão.

POLÍTICAS PÚBLICAS

O presidente da Fundação Telefônica Vivo diz que um
dos sentidos do Inova Escola é estimular uma mudança
nas políticas públicas do País para romper com os modelos
tradicionais de educação. “Na iniciativa privada, temos agilidade
para testar, sistematizar e entregar de graça um modelo
inovador, que poderia ser replicado pelos governos”,
defende. Fundador da Joy Street, empresa especializada na
gameficação do ensino, Luciano Meira também questiona
o modelo tradicional, que classifica como pedagogia do monólogo
desconectada do presente e do futuro.

Expediente

08 de maio de 2018

Diretoria

Laurindo Ferreira
Diretor de Redação do Jornal do Commercio
Maria Luiza Borges
Diretora de Conteúdos Digitais do SJCC
Beatriz Ivo
Diretora de Jornalismo da Rádio e TV Jornal

Edição

Rafael Carvalheira
Editor Executivo
Mona Lisa Dourado
Editora Assistente
Leonardo Spinelli
Editor Assistente

Conteúdo

Adriana Guarda
Reportagem
Luiza Freitas
Colaboração

JC Imagem

Arnaldo Carvalho
Editor Executivo
Heudes Regis
Editor Assistente
Felipe Ribeiro
Fotógrafo

Design

Bruno Falcone Stamford
Editor Executivo de Artes
Karla Tenório
Editora Assistente de Artes
Moisés Falcão
Coordenador de Design Digital
George Oliveira
Designer
Guilherme Castro
Front-End
Eduardo Mafra
Infografista
Thiago Lucas
Infografista