Pernambuco é seleção

Dos 32 pernambucanos que defenderam a seleção brasileira 13 conquistaram títulos. Quatro a Copa do Mundo: Vavá (1958 e 1962), Zequinha (1962), Ricardo Rocha (1994) e Rivaldo (2002). Saiba mais sobre eles hoje, na série sobre os mil jogos da seleção, marca que será atingida quarta ontra a Colômbia. Textos: João de Andrade Neto e Marcos Leandro.


Manga; Russo, Ricardo Rocha, Rildo e Givaldo; Zequinha, Hernanes, Rivaldo e Juninho Pernambucano; Ademir de Menezes e Vavá. No banco de reservas: Wendell, Carlos Alberto Barbosa, Josué, Givanildo Oliveira, Zé do Carmo, Nado e Almir Pernambuquinho. Essa é apenas uma das possíveis formações de uma seleção brasileira formada pelos 32 jogadores pernambucanos convocados ao longo dos 999 jogos do escrete nacional. Um time que poderia ter ainda Orlando Pingo de Ouro, Djalma, Lula e Elcy, entre outros. Um timaço.

O primeiro pernambucano a vestir a seleção brasileira foi justamente um dos mais importantes. No dia 21 de janeiro de 1945, o atacante Ademir Menezes fazia sua estreia com uma vitória por 3x0 sobre a Colômbia, no Sul-Americano do Chile. Ao todo foram 41 partidas ao longo de oito anos defendendo o Brasil.

Ademir é até hoje, ao lado de Rivaldo, o pernambucano com mais gols marcados pela seleção. Foram 37, nove deles marcados na Copa do Mundo de 1950, quando terminou como artilheiro da competição, apesar da frustração da perda do título para o Uruguai.

Título que Rivaldo conseguiu em 2002, sendo um dos protagonistas do time. O meia, que também disputou a Copa de 1998, detém ainda a honra de ser o pernambucano com mais jogos pela seleção. Em 10 anos, foram 78 partidas (14 em Mundiais). Outros atletas nascidos no estado campeões do mundo com a camisa amarela foram: Vavá (1958 e 1962), Zequinha (1962) e Ricardo Rocha (1994). Manga e Rildo (1966), Juninho Pernambucano (2006) e Josué (2010) também representaram Pernambuco no principal campeonato do mundo.

Mas a ligação do Estado com a seleção brasileira não se resume à Copa do Mundo. Mesmo que por apenas uma partida, o orgulho de defender o País é eterno. “Estava treinando no Vasco quando fui convocado e soube pelos repórteres que cobriam o treino. Não acreditei. É algo que nunca vou esquecer. Dá para contar vantagem para o resto da vida”, afirmou o ex-volante Zé do Carmo, que também pode se orgulhar de ter um desempenho de 100% com a seleção. Em quatro jogos foram quatro vitórias. Com direito a um gol, marcado em um amistoso contra o Peru, em 1989. “Falam que eu tenho um gol a mais que Givanildo na carreira por conta disso”, brinca Zé do Carmo, lembrando do hoje treinador Givanildo Oliveira, que atuou pelo Brasil em 12 vezes e não balançou as redes.

Em compensação tem dois títulos: Taça do Atlântico e o Torneio Bicentenário dos EUA (ambos em 1976). No geral, 13 jogadores pernambucanos conquistaram títulos com a seleção. Além dos já citados, os outros foram os atacantes Almir Pernambuquinho, Bodinho, Lula, Simão e Orlando Pingo de Ouro.

Pernambucanos na seleção

Goleiros

Manga 16 jogos e 15 gols sofridos Wendell 7 jogos e 5 gols sofridos

Laterais

Carlos Alberto Barbosa 1 jogo Givaldo José de Oliveira 5 jogos Russo 5 jogos

Zagueiros

Ricardo Rocha 43 jogos Rildo 49 jogos e 1 gol Zequinha (José Pereira Miná) 5 jogos

Meio-campistas

Givanildo Oliveira 12 jogos Hernanes 8 jogos e 1 gol Josué 28 jogos e 1 gol Juninho Pernambucano 40 jogos e 6 gols Rivaldo 78 jogos e 37 gols Zequinha (José Ferreira Franco) 17 jogos e 2 gols Zé do Carmo 4 jogos e 1 gol

Atacantes

Ademir Menezes 41 jogos e 37 gols Almir Pernambuquinho 8 jogos e 1 gol Bodinho 5 jogos e 3 gols Djalma Bezerra dos Santos 1 jogo Elcy Goulart de Freitas 1 jogo Elias Soares de Oliveira 5 jogos Geraldo José da Silva 6 jogos e 3 gols Lula (Luís Ribeiro Neto) 13 jogos e 2 gols Mário (Amaro Gomes da Costa) 1 jogo Nado 3 jogos Orlando Pingo de Ouro 3 jogos 2 gols Otoney Raul Oliveira 2 jogos Rinaldo 11 jogos e 5 gols Roberto Cearense 2 jogos e 1 gol Simão 7 jogos e 5 gols Vavá 23 jogos e 14 gols Zé Alves 1 jogo

Palco de craques

Pernambuco também está ligado à seleção brasileira como palco no qual desfilaram grandes craques do futebol nacional e mundial. Aliás, palco não, palcos. Três estádios tiveram a honra de sediar jogos da Canarinho nas 17 apresentações em solo recifense: Arruda (10 jogos); Avenida Malaquias (5) e Ilha do Retiro (2).

Grande nome do futebol verde-amarelo nos anos 30 e 40, Leônidas da Silva, o Diamante Negro, mostrou todo o seu talento em cinco amistosos realizados na capital pernambucana em 1934. O atacante fez cinco gols neste giro da seleção, que se preparava para a Copa do Mundo da Itália.

O Brasil venceu o Sport por 5x4, o Santa Cruz por 3x1, o Náutico por 8x2 e a seleção pernambucana por 5x2. No último confronto, novamente contra os corais, o escrete se deu mal e perdeu por 3x2. Todos os duelos foram realizados no campo da Avenida Malaquias, nas Graças, que pertenceu ao Sport e depois ao América.

Nas décadas de 50 e 60, a seleção brasileira fez apenas dois jogos no Recife, ambos amistosos e na Ilha do Retiro. No primeiro deles, brilhou a estrela de Didi, o Príncipe Etíope. Ele fez um dos gols na vitória por 2x0 sobre a seleção pernambucana. Em 1969, também contra o combinado local, o Brasil fez 6x1, com um dos gols marcados por Pelé. Esta foi a única partida do Rei do Futebol pela seleção no Recife.

Os outros dez jogos da saga verde-amarela em Pernambuco foram realizados no Arruda. Em um deles, o amistoso contra a Iugoslávia, em 1986, terminou com show de Zico, autor de três gols no triunfo por 4x2.

O jogo mais especial talvez tenha sido a goleada por 6x0 sobre a Bolívia, pelas Eliminatórias da Copa de 1994. O Brasil vinha em descrédito, mas o apoio do povo pernambucano foi fundamental na mudança de comportamento da seleção, que mais tarde traria o tetra dos EUA.

Vídeos

  • Rivaldo

  • Ademir Menezes

  • Juninho Pernambucano



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