Camisa superlativa

Ao longo de 999 jogos e quase 100 anos de história, a seleção brasileira acumulou recordes coletivos e individuais que ajudaram a construir a aura do time mais vencedor da história do esporte mais praticado e conhecido do planeta. Marca das mais valiosas do esporte mundial. Esse é o assunto do 3º dia da série sobre os mil jogos da amarelinha. Textos de João de Andrade Neto.

Pentacampeã mundial e única a participar de todas as Copas do Mundo, a seleção brasileira se tornou superlativa ao longo de 999 jogos e quase 100 anos de história. Uma fábrica de bater recordes com a assinatura dos maiores jogadores de todos os tempos. A começar por Pelé.

Com 95 gols em 114 partidas, o Rei do Futebol é até hoje o maior artilheiro da seleção brasileira. Mas poderia ser também o goleador máximo de quase todas as outras seleções. Para se ter uma ideia, a quantidade de gols de Pelé com a camisa amarela do Brasil é quase três vezes maior que a do maior artilheiro da seleção da Itália (tetracampeã do mundo), Luigi Riva, que anotou 35 tentos com a Azzurra.

Os 95 gols de Pelé também o colocariam no topo da artilharia das seleções da Argentina (Gabriel Batistuta, 56 gols), Alemanha (Gerd Müller, 68), Espanha (David Villa, 50), França (Thierry Henry, 51), Holanda (Johan Cruyjff, 50), Inglaterra (Bobby Charlton, 49), Portugal (Pauleta, 68) e Uruguai (Héctor Scarone, 31), só para citar as seleções mais tradicionais. A maior artilharia de um jogador por uma seleção, no entanto, pertence a Ali Daei, que marcou 109 gols pelo Irã, entre 1993 e 2006.

Os recordes da seleção, no entanto, vão muito mais além dos feitos de Pelé. E sobressaem quando o assunto é Copa do Mundo.

Além dos cinco títulos mundiais, o Brasil é o País com mais pontos somados em Copas do Mundo. São 172 contra 160 da Alemanha, segunda colocada no ranking. A seleção canarinho também é a equipe com maior número de vitórias (67), de gols marcados (210) e melhor saldo de gols (122). Além disso é a que mais chegou à final da competição. Além dos títulos de 1958, 62, 70, 94 e 2002, o Brasil foi vice em 1950 e 1998. A Itália soma seis finais. Foi campeã em 1934, 38, 82 e 2006 e vice em 1970 e 1994, perdendo justamente para os brasileiros.

Outro recorde de Copa do Mundo que tem o Brasil como dono é o de maior artilheiro em todas as edições do torneio. Feito alcançado por Ronaldo, em 2006, com 15 gols, superando a marca do alemão Gerd Müller que durava desde 1974, com 14. Outro recorde individual pertence ao lateral-direito Cafu, único jogador a disputar três finais de Mundial consecutivas (1994, 98 e 2002) – na última, como capitão. O jogador também é o que mais vestiu a camisa da seleção brasileira: 149 vezes.

No rol dos maiores recordistas da seleção também estão Zagallo, técnico que mais dirigiu o escrete nacional, em 131 partidas, e o de Taffarel, como o goleiro que mais defendeu a meta verde-amarela: 108 vezes.

Uma marca milionária

Com o futebol cada vez mais ligado aos negócios, os feitos da seleção brasileira no gramado rapidamente se transformaram em cifras milionárias. Atualmente, a CBF conta com 11 patrocinadores (cinco deles multinacionais) e mais dois parceiros. E o número ainda pode aumentar com a proximidade da Copa do Mundo no País. A camisa amarela se transformou em uma máquina de fazer dinheiro.

“Não saberia mencionar hoje o valor de mercado da seleção brasileira, mas sem dúvida é uma das marcas mais valiosas do esporte mundial. Embora, esse valor já tenha sido ainda maior”, afirmou o especialista em marketing esportivo, José Carlos Brunoro. “A seleção brasileira tem muito prestígio pelo que representa para o futebol. É a seleção que possui cinco títulos mundiais e tem alguns dos maiores jogadores de todos os tempos, entre eles o maior de todos que é o Pelé”, completou.

Opinião semelhante tem o economista pernambucano Jorge Jatobá. Para ele, apesar de ter sofrido uma desvalorização por conta dos maus resultados recentes, a seleção brasileira ainda figura entre as marcas mais fortes mundialmente. “Houve uma queda de prestígio nos últimos oito anos, mas ainda é uma marca muito valorizada, na casa dos milhões de dólares, sem dúvida”, afirmou. “Quando se fala em valor é preciso levar em consideração dois pontos. O do mercado de jogadores, onde a seleção ainda possui alguns dos atletas mais caros do mundo, e da marca em si, que leva em consideração toda a história e tradição da camisa”, completou o economista.

Com relação ao primeiro ponto (valor dos atletas), em julho, a empresa Pluri Consultoria, que trabalha com marketing esportivo, avaliou o atual time de Mano Menezes como o terceiro mais valioso do mundo. Na pesquisa, feita antes da convocação do meia Kaká para os últimos amistoso, a seleção foi avaliada em 442 milhões de euros (cerca de R$ 1,15 bilhão), atrás da Espanha (R$ 1,72 bilhão) e da Alemanha (R$ 1,17 bilhão).

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