O Recife a caminho da modernidade



Igreja do Bom Jesus das Chagas (Pátio do Paraíso) foi demolida em 1944 no bairro de Santo Antônio. O local hoje é ocupado pelo edifício Santo Albino. Foto: Acervo do Museu da Cidade do Recife



Com o Bairro do Recife eclético, cheio de prédios novinhos em folha, o governo decide promover melhorias no bairro de Santo Antônio, do outro lado da Ponte Maurício de Nassau, em 1938. “Surge dessa nova intervenção, como decorrência daquelas obras portuárias, a Avenida 10 de Novembro, depois denominada Avenida Guararapes, tendo como referência a demolição do Morro do Castelo, no Rio de Janeiro”, declara o arquiteto.

Ocupada com prédios de arquitetura art déco – sede dos Correios, edifícios Almare e Sul-America – a Guararapes se torna a Torre Eiffel recifense, compara José Luiz Mota Menezes. “É lamentável que, por se desconhecer essa característica simbólica da paisagem urbana da cidade, o Estado destrua a beleza da avenida ao implantar nela estações do BRT”, comenta.

As transformações no Recife urbano continuam na década de 1960, com a abertura, no bairro de São José, de mais um trecho da Avenida Dantas Barreto. “Inicialmente, a ideia era fazer o prolongamento da Rua das Trincheiras, mas derrubam todo um quarteirão. O problema da avenida é que, mais adiante, em 1973, a Igreja dos Martírios é colocada abaixo.”

Construída no século 18 pela Irmandade do Senhor Bom Jesus dos Martírios, formada por negros e pardos, a igreja é tombada pelo patrimônio federal e retirada da lista dos bens protegidos para ser demolida. “O arquiteto Delfim Amorim (1917-1972) apresenta solução para preservar a igrejinha e a avenida passar por trás do templo, mas preferem derrubar”, diz ele.




A abertura da Avenida Dantas Barreto levou à diminuição do número de moradores nos bairros de Santo Antônio e São José. Foto: Acervo Museu da Cidade do Recife



As intervenções em Santo Antônio priorizam o melhoramento da circulação, como a proposta do arquiteto Nestor de Figueiredo e do engenheiro Domingos Ferreira para a Guararapes.“Como o porto começa a crescer, há a necessidade de se fazer previsão. Mesmo sem um número grande de automóveis na época, projetam-se ruas largas”, destaca José Luiz.

“As reformas provocam redução no número de moradores. A população de Santo Antônio cai de 6.299 pessoas em 1950 para 4.794 habitantes em 1960, um crescimento negativo de menos 23%”, acrescenta a arquiteta Virgínia Pontual, professora da Pós-Graduação em Desenvolvimento Urbano da Universidade Federal de Pernambuco (MDU-UFPE).

São José é o bairro que menos cresce no período, passando de 26.524 para 27.288 habitantes. “A abertura da Dantas Barreto começa nos anos 30, continua nos anos 60 e termina em 1973”, diz Virgínia Pontual. A cidade das ruas largas também se abre para o primeiro parque urbano histórico, o Treze de Maio, em Santo Amaro, inaugurado em 1939 para receber o 3º Congresso Eucarístico Nacional no ano seguinte. Depois, o parque é aproveitado para a Festa da Mocidade, numa iniciativa da Casa do Estudante, diz José Luiz.

Nos anos 30, o governo contrata o paisagista Roberto Burle Marx (1909-1994) para embelezar as praças do Recife. “Ele começa a criar os jardins brasileiros, com plantas da flora nativa, modernizando o Centro e os arrabaldes”, observa a arquiteta Ana Rita Sá Carneiro, coordenadora do Laboratório da Paisagem da UFPE. Burle Marx, diz ela, cria um sistema de jardins públicos, como se tivesse uma articulação entre as praças.




Área central e pavilhão do Parque 13 de Maio, no bairro de Santo Amaro, na década de 1940. Foto de Alexandre Berzin – Acervo do Museu da Cidade do Recife



Em 2015, seis praças criadas ou reformadas por Burle Marx no Recife são tombadas como jardim histórico pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan): Casa Forte; Faria Neves (Dois Irmãos); Euclides da Cunha (Madalena); Derby; Ministro Salgado Filho (aeroporto); e da República, incluindo os jardins do Palácio do Campo das Princesas.

Um ano depois, a Prefeitura do Recife classifica como jardim histórico 15 praças de Burle Marx, considerado um dos maiores paisagistas do século 20. “É um legado muito significativo, Recife é a terceira cidade brasileira com mais projetos de Burle Marx (46, dos quais seis não executados), ficando atrás do Rio de Janeiro e de São Paulo”, afirma Ana Rita.


Expediente

8 de abril de 2018

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