O primeiro passo para a verticalização do Recife


Quando o edifício começou a ser construído, o mundo já conhecia o concreto armado, técnica avançada à época. Porém, o governo via a novidade com desconfiança. O proprietário do futuro hotel, o engenheiro turco com descendência grega Constantin Sfezzo, encontrou resistência para a aprovação do projeto nos órgãos públicos. Famílias residentes nas proximidades se mudaram com medo de o prédio, alto demais para os padrões da cidade, desabar sobre as casas onde viviam, feitas de tijolo e pedra, relata a arquiteta.

Atualmente, o Hotel Central é protegido por lei municipal como Imóvel Especial de Preservação (IEP) e tem tombamento estadual. “Ele surge numa época em que havia muitos estrangeiros circulando no Recife, em função das obras de modernização, e a cidade era deficitária em hotelaria de padrão elevado”, afirma Marina Russell, que fez o projeto de restauração do edifício, obra executada de 2016 a 2017.

Hospedaram-se nele a cantora portuguesa radicada no País Carmen Miranda, o cineasta norte-americano Orson Welles e passageiros do Graf Zeppelin, balão dirigível que sobrevoou o Recife de 1930 a 1937 e atracava numa estação no bairro do Jiquiá, em viagens da Alemanha para o Brasil. Não passaram despercebidos ao engenheiro, sociólogo e antropólogo alemão, Carl Bruer, um dos passageiros hospedados em 1931, os buracos de balas da Revolução de 1930 em paredes da hospedaria. Ele deixou o registro num diário de viagem.

Dez anos depois de inaugurado, o Hotel Central perde espaço para o Grande Hotel, comenta o cardiologista Rostand Paraíso, cronista da cidade e autor do livro Charme e Magia dos Antigos Hotéis e Pensões Recifenses, lançado em 2003. Na edição do dia 12 de junho de 1938, o Jornal do Commercio publicou anúncio da abertura do Grande Hotel, programada para o dia 25, com “baile de gala” nos “majestosos salões”.



Grande Hotel, no bairro de Santo Antônio, é hoje ocupado pelo Fórum Thomaz de Aquino. Foto: Acervo do Museu da Cidade do Recife



Para construir a hospedaria de luxo, com cassinos frequentados pelos recifenses e por soldados americanos que aqui viviam durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o governo autorizou a derrubada do antigo Colégio dos Jesuítas, na Avenida Martins de Barros, em Santo Antônio, diz Rostand Paraíso, 88 anos. Com o fim do hotel, o prédio de frente para o Rio Capibaribe passa a funcionar como sede do Fórum Thomaz de Aquino Cyrillo Wanderley.

Contemporâneo do Hotel Central, o Arranha-céu da Pracinha também atraía os olhares dos recifenses, com seus gigantes sete pavimentos e sua construção de concreto armado de frente para a antiga sede do Diário de Pernambuco, na Praça da Independência. O prédio, na Rua Duque de Caxias, bairro de Santo Antônio, era ocupado por salas comerciais e consultórios médicos.



Com sete pavimentos, o Arranha-céu da Pracinha era um dos prédios mais altos do Recife nos anos 20. Foto: Guga Matos/JC Imagem.



Menino nos anos 50, Reinaldo Carneiro Leão frequentava o último andar do Arranha-céu da Pracinha, onde um dos seus tios, Fernando Campêlo, mantinha consultório médico. “Por causa da altura, o prédio chamava a atenção na cidade. De lá, da parte de trás, se via as igrejas do Centro e o Pina”, recorda Reinaldo, hoje com 73 anos e sócio do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano, instituição que, entre outras ações, defende a preservação dos nomes tradicionais das ruas do Recife.


Expediente

8 de abril de 2018

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