Eles são 30 homens, mulheres e agremiações. Alimentam um mundo imaginário habitado por gigantes, calungas, bichos que falam, santos e músicas de muitos acordes. Quase todos vêm da periferia, dos arredores. Contam de um mundo só deles, que encanta e, às vezes, faz doer. São os Patrimônios Vivos de Pernambuco, mantêm a rica tradição da cultura popular do Estado. Personagens que você vai conhecer agora.

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lia de itamaracá

"Acho que já nasci sorrindo", diz a cirandeira Lia de Itamaracá, que nasceu em 12 de janeiro de 1944 e é Patrimônio Vivo do Estado desde 2005. Famosa no Brasil pela música Quem me deu foi Lia, ela faz do sorriso um cartão de visita.

Depois de gravar um LP, em 1977, a cantora caiu no ostracismo e só voltou à cena em meados dos anos 1990. De lá pra cá, participou do Abril pro Rock, gravou mais dois álbuns e participou de filmes, entre eles Recife frio, de Kleber Mendonça Filho.

Lia já foi chamada de “diva da música negra” pelo jornal norte-americano The New York Times, e comparada à voz da cabo-verdiana Cesária Évora pelo jornal francês Le Parisien.

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zé do Carmo

José do Carmo Souza, 79 anos, é ceramista e mora em Goiana, cidade da Zona da Mata. Nasceu no dia 19 de dezembro de 1933 e recebeu o título de Patrimônio Vivo em 2005. Filho dos artesãos Joana Izabel de Assunção e Manuel de Souza dos Santos, o artista começou a trabalhar com o barro aos 7 anos.

A mãe de Zé do Carmo sonhava que ele fosse padre, mas o destino dele terminou seguindo outro rumo. A fé católica do artista terminou sendo professada na arte. Ele faz escultura sacras com um toque nordestino, como a imagem de um anjo com traços de cangaceiro, de 1,5m, guardada com carinho no seu ateliê.

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maria amélia

Maria Amélia, 90 anos, nasceu em 25 de maio de 1923, em Tracunháem, cidade onde vive até hoje. Ceramista, a artista reproduz no barro imagens de anjos e santos com desenho naïf. Lindos e bem-trabalhados, trazem rostos de traços simples e rechonchudos, embora imponentes. Santo Antônio, São José, Santa Luzia e São Jorge são os seus preferidos.

Amélia, que recebeu o título de Patrimônio Vivo de Pernambuco em 2011, atualmente se recupera de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) sofrido em agosto de 2012. Ela divide o trabalho, numa pequena sala nos fundos da casa, com o único filho, Ricardo, 45 anos, seu discípulo.

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zezinho de tracunhaém

O ceramista Zezinho de Tracunhaém nasceu no dia 5 de julho de 1939, em Vitória de Santo Antão, mas foi em Tracunháem que descobiru a arte do barro. Em 1966, de passagem pela cidade, viu as obras de Lídia Vieira, o primeiro destaque da arte sacra feita na Zona da Mata Norte, e resolveu seguir a carreira artística.

Aos 74 anos, Zezinho, Patrimônio Vivo desde 2007, é um dos principais escultores entre os santeiros da região. De suas peças, as mais conhecidas são as que retratam São Francisco de Assis, seu santo de devoção. Atualmente, o artista se recupera de problemas de saúde.

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mestre dila

Mestre Dila é poeta e xilogravurista. Nascido em 23 de setembro de 1937, no município de Pirauá (PB), ele mora em Caruaru, para onde se mudou em 1952. Considerado um dos melhores nomes do cordel do Nordeste, ele escreve, publica e ilustra folhetos, entalhando não só madeira, mas também pedaços de borracha vulcanizada, técnica incomum entre os artistas populares.

Os trabalhos de Dila exploram o universo do cangaço, sendo Lampião seu principal personagem. Autor de histórias como O sonho de um romeiro com o padre Cícero Romão e A bagagem do Nordeste, o poeta foi eleito Patrimônio Vivo em 2005.

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j. borges

Xilogravurista e cordelista, o mais pop dos Patrimônios Vivos de Pernambuco mora em Bezerros, às margens da BR 232, principal rota que liga o Litoral ao Sertão de Pernambuco. J. Borges nasceu num sítio a 16 km do centro da cidade, em 1935. Na década de 1970, foi descoberto pelo escritor Ariano Suassuna que o divulgou para o restante do Brasil.

Eleito Patrimônio Vivo em 2005, J.Borges já levou sua arte para a Europa, países da América Latina e do Norte, e ilustrou obras de autores ilustres, como o uruguaio Eduardo Galeano, mas continua gravando as coisas de Pernambuco.

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josé da costa leite

José da Costa Leite, 86 anos, é cordelista. “Tão importante para o Brasil quanto Goeldi”, segundo o seu conterrâneo Ariano Suassuna, ele é natural de Sapé, na Zona da Mata paraibana, e chegou a Pernambuco aos 8 anos, ficando até hoje em Condado, onde vive e trabalha.

Em 1947, ele começou a vender cordel pelas ruas e dois anos depois criou suas próprias histórias. Aos poucos, também foi aprendendo a ilustrar suas rimas com xilogravura, tornando-se anos depois uma das grandes referências dos traços nordestinos talhados em madeira. Costa Leite é Patrimônio Vivo desde 2006.

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confraria do rosário

Fundada há mais 200 anos, no Sertão do Estado, a Confraria do Rosário de Floresta do Navio, Patrimônio Vivo desde 2007, é uma irmandade religiosa criada por escravos africanos.

Todos os anos, no dia 31 de dezembro, a comunidade celebra Nossa Senhora do Rosário com uma procissão feita pelos negros nas ruas de Floresta, sob o forte sol sertanejo.

Numa casa pequena, no Centro da cidade, os quase 60 confrades guardam uma história herdada com fé e amor. Tudo sob forte intercessão mariana, que ilumina e protege os negros de uma cidade de terra acre, de sol desabrido e de seca severina.

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maracatu carnavalesco misto leão coroado

O Maracatu Carnavalesco Misto Leão Coroado foi criado em 8 de dezembro de 1863, dia de Nossa Senhora da Conceição, para os católicos, e de Iemanjá, para o culto nagô. Uma das mais antigas do Estado, a agremiação foi nomeada Patrimônio Vivo em 2005.

A sede do grupo fica no Bairro de Águas Compridas, na periferia de Olinda. Atualmente, o Leão Coroado é regido pelo babalorixá Afonso Aguiar, que assumiu a presidência em 1997, após a morte de Mestre Luís de França, que estava na liderança desde 1954. Hoje, o maracatu conta com cerca de 90 integrantes.

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maracatu estrela de ouro de aliança

O Maracatu Estrela de Ouro de Aliança surgiu em 1º de janeiro de 1966, no Sítio Chã de Camará, em Aliança, Zona da Mata. O folguedo foi criado por Mestre Batista e hoje é presidido por seu filho, José Lourenço, que herdou o grupo após a morte do pai, em 1991.

Patrimônio Vivo do Estado desde 2011, o grupo é um dos mais importantes da região conhecida como a Terra dos Caboclos de Lança. Em 1998, o Estrela de Ouro gravou uma das faixas do CD Maracatu atômico. De 2000 a 2005, o grupo foi vice-campeão do Carnaval do Recife. Em 2004, o sítio foi titulado Ponto de Cultura pelo Ministério da Cultura.

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maracatu estrela brilhante de igarassu

Uma das mais antigas agremiações pernambucanas, o Maracatu Estrela Brilhante de Igarassu sugiu por volta de 1824, numa das cerimônias de coroação de escravos e negros livres – o que ficou conhecido como a Instituição dos Reis do Congo.

A geneologia dos batuques do conhecidíssimo maracatu de Igarassu começou com João Francisco. Ele repassou para Manoel Próspero de Santana, seu genro, casado com Dona Mariú. Ela morreu em 2002, aos 104 anos, cinco anos antes já tinha entregue à filha, Olga Santana, o posto de matriarca de maracatu.

Olga morreu em agosto de 2003. Atualmente o Estrela está nas mãos de seu filho, Mestre Gilmar. O maracatu é Patrimônio Vivo de Pernambuco desde 2011.

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teatro experimental de arte

O Teatro Experimental de Arte (TEA) foi criado há 50 anos, em Caruaru, sob a batuta do casal Arary Marrocos e Argemiro Pascoal. O grupo é um dos mais importantes nomes das artes cênicas do Estado.

O TEA, que também é ponto de cultura, já formou cerca de 1.500 atores, sendo um dos principais responsáveis pelo dinamismo das artes cênicas no Agreste. É no Teatro Lício Neves (casa da companhia) onde acontecem, desde 1981, festivais de teatro estudantil e uma mostra nacional.

O Teatro Experimental de Arte é Patrimônio Vivo de Pernambuco desde 2008.

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dona selma do coco

Nascida em Vitória de Santo Antão, em 10 de dezembro de 1929, ela é Patrimônio Vivo desde 2008. A coquista mora em Olinda.

A tradição do coco, ela herdou dos pais e avós. Dona Selma ganhou projeção entre o público jovem a partir de 1997, quando se apresentou no Abril Pro Rock. Sua apresentação virou notícia em meios de comunicação locais e nacionais.

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galo preto

Tomaz Aquino Leão, Mestre Galo Preto, nasceu em Bom Conselho, no distrito de Princesa Isabel, no Agreste pernambucano. Ele chegou ao Recife aos 12 anos, trazido pelo irmão, o cantador Preto Limão.

Patrimônio Vivo de Pernambuco desde 2011, Galo Preto foi descoberto em 1947, pelo poeta Ascenso Ferreira, enquanto vendia frutas nas ruas fazendo rima.

Depois de passar dois anos preso, mesmo sem provas, Galo voltou à carreira em 2007. Hoje o artista é uma das referências do coco no Estado.

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índia morena

Margarida Alcântara, a Índia Morena, é a mais famosa contorcionista pernambucana. Patrimônio Vivo desde 2006, ela mora em uma casa simples e pequena, perto do Aterro Sanitário da Muribeca, em Jaboatão dos Guararapes, uma comunidade pobre da Região Metropolitana do Recife.

Índia se apaixonou pelo picadeiro ainda criança, quando um macaquinho apareceu na porta de casa. O animal tinha fugido do circo que acabara de chegar à Vila São Miguel, no Bairro de Afogados, comunidade onde morava. Margarida foi devolvê-lo ao grupo e conquistou a amizade da dona do circo. Quando a companhia foi embora, ela segiu junto.

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clube de alegoria e crítica o homem da meia-noite

Criado em 2 de fevereiro de 1932, O Homem da Meia-Noite é uma das principais agremiações carnavalescas de Olinda. O boneco gigante, de quase quatro metros de altura, é um calunga que guarda espíritos ancestrais.

Patrimônio Vivo de Pernambuco desde 2006, o bloco desfila pelas ladeiras do Sítio Histórico sempre aos sábados de Zé Pereira. O Homem da Meia-Noite guarda mistérios e é símbolo do sincretismo.

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Caboclinho sete flexas

Criado há 45 anos, o Caboclinho Sete Flexas é Patrimônio Vivo do Estado desde 2008. A sede do grupo fica numa viela no bairro de Água Fria, na Zona Norte do Recife, uma das mais mestiças comunidades da cidade.

A agremiação foi criada por seu José Alfaiate em gratidão a um pedido atendido pelo caboclo Sete Flexas. Em 2005, o caboclinho encantou a bailarina alemã Pina Bausch, quando ela visitou o Recife.

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clube indígena canindé

Tornou-se patrimônio vivo em 2009. Filha de Severino Batista da Silva, o mestre Bibiano, Dona Juracy Simões veio ao mundo no meio da cultura do caboclinho em 1945. Foi a primeira mulher a presidir uma dessas agremiações em Pernambuco. Justamente o Caboclinho Canindé, com 116 anos, o mais antigo em atividade no Estado.

Embora tenha sido, em 1935, um dos fundadores da Federação Carnavalesca de Pernambuco, Canindé já não desfila mais em busca de troféus. Ao longo da trajetória, acumulou nove títulos consecutivos do Carnaval. “Canindé já cumpriu sua missão, não pode competir”, diz Dona Juracy.

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maestro duda

José Ursino da Silva, o maestro Duda, é um dos principais nomes na história do frevo. Patrimônio Vivo de Pernambuco desde 2010, ele masceu em Goiana, em 1935, vivendo entre Pernambuco e Paraíba durante toda sua vida. Aos 8 anos, passou a integrar a banda Saboeira, aprendendo a tocar sax. Dois anos depois, compôs a primeira de muitas canções: o frevo Furacão. Já no Recife, tocou na Jazz Acadêmica de Capiba.

A partir daí, sua trajetória se mistura com a do frevo, mas não se restringe ao ritmo. Autor de frevos como Nino Pernambuquinho, tem composições executadas por sinfônicas de todo o mundo, com suítes que misturam temas regionais como maracatu, ciranda, baião e frevo a valsas. Hoje, comanda a Orquestra do Maestro Duda.

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maestro nunes

Autor de frevos essenciais do repertório carnavalesco, como Cabelo de fogo, José Nunes de Souza, o maestro Nunes, nasceu em 1931, em Angélica, distrito de Vicência. Desde os nove anos passou a tocar clarinete e na década de 1950 veio para o Recife continuar sua carreira musical.

Estudou no Conservatório Pernambucano de Música, tornando-se membro fundador da Banda Municipal do Recife. Militou também no Movimento de Cultura Popular (MCP) e fundou, na década de 1970, a Escola Musical do Frevo.

Patrimônio Vivo de Pernambuco desde 2009, foi professor de alguns dos mais destacados maestros contemporâneos de frevo, como Spok e Forró.

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mestre nuca

Aos 77 anos, Mestre Nuca, Patrimônio Vivo de Pernambuco desde 2005, esconde o sorriso de canto de boca, ao mesmo tempo em que lamenta por não conseguir mais fazer suas peças. O lado esquerdo do corpo ficou paralisado após um acidente vascular cerebral. O coração também lhe pregou várias peças.

Na casa pequena em que mora, numa das ruas estreitas de Tracunhaém, Manoel Borges da Silva construiu uma família de artistas. Ele nasceu em Nazaré da Mata, num engenho, em agosto de 1937, mas se mudou para Tracunhaém aos 3 anos. Aos 8, já vendia bonecos de barro na feira de Carpina. Aos poucos foi aperfeiçoando o trabalho. Em 1968, apaixonado pelo Sport Club e influenciado pelo leão da bandeira do Recife resolveu fazer felinos de cerâmica.

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manoel eudócio

Nascido no Alto do Moura, em Caruaru, o ceramista Manuel Eudócio, 82 anos, faz diariamente peças de argila como crônicas coloridas de um povo que vive de saudade e alegria, mesmo quando a vida nem sempre é festa.

Discípulo de Mestre Vitalino, juntos eles foram responsáveis pela divulgação da arte nordestina do barro no Brasil e no Mundo. Em seu trabalho, Eudócio, que é Patrimônio Vivo de Pernambuco desde 2005, usa referências de folguedos populares e da commedia dell'arte.

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sociedade musical curica

Em Goiana, cidade da Zona da Mata de Pernambuco, a banda filarmônica Curica se orgulha dos títulos que tem: além de Patrimônio Vivo de Pernambuco (desde 2005), é a mais antiga em atividade da América Latina.

O grupo, inicialmente formado por 15 músicos, foi fundado em 1848 por José Conrado de Souza Nunes, na Igreja de Nossa Senhora do Amparo dos Homens Pardos, para tocar nas festas católicas da cidade. Acabou por se transformar em um mimo dos moradores. Ou de uma parte deles, já que os goianenses dividem seu amor entre a Curica e a banda Saboeira, fundada anos depois, em 1855.

“Banda filarmônica de interior é que nem time de futebol da capital: cada família torce por uma”, explica o presidente da Curica, Edson Júnior

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associação musical euterpina de timbaúba

Fundada em fevereiro de 1928, a Banda Filarmônica Euterpina de Timbaúba foi criada quase que como um grito de independência dado pelo professor José Mendes da Silva, na época com 23 anos. Já existia a Sociedade Musical Primeiro de Novembro, mas o grupo já não dava conta da demanda de eventos da cidade.

Batizada com um nome que fazia alusão à deusa da música, Euterpe, a banda filarmônica é um orgulho de timbaubenses. A sede do grupo fica no centro da cidade, ao alto, de onde pode se ver parte do comércio e das avenidas principais.

A Euterpina Tambaúba é Patrimônio Vivo de Pernambuco desde 2012.

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sociedade musical euterpina juvenil nazarena - orquestra capa-bode

A Sociedade Musical Euterpina Juvenil Nazarena - Capa-Bode foi criada em 1888. Àquela época Nazaré era uma cidade pequena onde existia um grêmio formado pelos comerciantes locais – músicos nas horas vagas. Por isso eles tiveram a ideia de criar, oficialmente, uma banda.

Num bonito casarão, em frente à Praça do Frevo, fica a sede do grupo. Os músicos já passaram por outras duas casas, mas essa é definitiva. No espaço acontecem ensaios e reuniões. As recordações de 125 anos de história estão nas fotografias e pôsteres enfileirados nas paredes, sob a intercessão da imagem de Santa Cecília, padroeira dos músicos.

A banda é Patrimônio Vivo desde 2010.

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joão silva

Amigo e parceiro de Luiz Gonzaga, João Silva embarcou, sem mala, sem cuia, só com a roupa do corpo, para o Rio de Janeiro quando tinha apenas 16 anos de idade. Nunca tinha saído de Pernambuco. Guiava-se pelo desejo de chegar à Rádio Nacional e, ali, virar artista. Conseguiu mais do que esperava. Convenceu o Rei do Baião a cantar músicas alegres, festivas e com isso deu uma vendagem de 1,6 milhão de exemplares ao álbum Danado de bom, de Gonzagão. De volta ao Recife depois de décadas no Rio, aos 78 anos ele continua sendo um dos compositores mais populares do Pais, gravado por gente como Ney, Gil e Ivete Sangalo. João Silva é Patrimônio Vivo há quatro anos.

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camarão

Mestre Camarão nasceu em 23 de junho de 1940, em Brejo da Madre de Deus, no Agreste, e é Patrimônio Vivo de Pernambuco desde 2005. O sanfoneiro ficou conhecido como Camarão após o cantor Jacinto Silva ter feito menção às suas bochechas avermelhadas durante um show para uma rádio da região.

Mestre no instrumento, ele contabiliza mais de 50 anos de carreira dedicados ao xote, xaxado, forró e baião. Residindo no Recife desde a década de 1980, o mestre ministra aulas de sanfona na Escola Acordeom de Ouro, fundada por ele no bairro de Areias, onde mora.

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arlindo dos oito baixos

Patrimônio Vivo de Pernambuco desde 2012, Arlindo dos Oito Baixos, 70 anos, começou a tocar sanfona ainda na infância, como passatempo, em Sirinhaém, na Zona da Mata. Aos 18 anos foi tentar a carreira de músico, e aos 23 estava dividindo seu tempo entre shows e o trabalho de barbeiro num salão em Beberibe, no Recife. Na época, casado, com três filhos, se apresentando com vários artistas locais, Arlindo conheceu Luiz Gonzaga. Não demorou muito para que se tornassem parceiros. Gonzaga abriu a portas do cenário da música nacional para o colega.

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pagode do didi

O pagode, no bar do Didi, acontece. Nada é marcado nem tem show agendado. É um grande encontro de amigos. Há 32 anos, Valdemir de Sousa resolveu deixar o trabalho de gerente no restaurante português Adega da Mouraria, no Bairro de Santo Antônio, para abrir seu próprio negócio. Levou consigo um violão debaixo do braço, a coragem de viver um sonho e a ousadia de ser seu próprio chefe.

Ele nem esperava que as suas partituras de clássicos da MPB dessem lugar às rodas de samba que já trouxeram ao Recife grandes nomes nacionais antes mesmo de se tornarem famosos. O espaço é Patrimônio Vivo de Pernambuco desde 2010.

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fernando spencer

Conhecido como cineasta das três bitolas, porque filmou em Super 8, 16 mm e 35 mm, Fernando Spencer nasceu no dia 17 de janeiro de 1927, no Recife. Jornalista, seguiu carreira como crítico de cinema por 40 anos. Desde 2007, é Patrimônio Vivo. Aos 86 anos, as imagens da história do cinema guardadas em fotografias e os pôsteres, pendurados na parede do terraço de casa, estão entre as cenas que ainda lhe inspiram a prosa.