De mãos dadas por um mundo mais humano

Foi do entendimento de que um mundo melhor é construído a muitas mãos que, há dez anos, surgiu o Instituto João Carlos Paes Mendonça (IJCPM) de Compromisso Social. De lá para cá, mais de 24 mil jovens com idades entre 16 e 24 anos foram impactados por ações em comunidades no entorno dos empreendimentos do Grupo JCPM em quatro Estados do Nordeste. Em Pernambuco, o instituto atende jovens de baixa renda dos bairros de Brasília Teimosa e Pina, ambos na Zona Sul da capital, oferecendo qualificação profissional, cursos pré-universitários e oficinas culturais.

Os trabalhos começaram em 2007, a partir de parcerias com escolas públicas localizadas em Brasília Teimosa, para potencializar o aprendizado dos alunos em sala de aula. Em 2009, o instituto ganhou uma sede própria no mesmo bairro, mantendo a cooperação com as instituições de ensino. Três anos depois, com a inauguração do RioMar, no Pina, o IJCPM passou a ter estrutura completa, dispondo de salas de aula, espaços de convivência, sala de informática e auditório. Para ter acesso aos cursos gratuitos, é preciso preencher dois requisitos: ser egresso ou estar cursando o ensino médio em escola pública e morar em comunidades próximas aos empreendimentos.

“Atuamos com jovens de Pernambuco, da Bahia, de Sergipe e do Ceará, preparando todos para o mercado de trabalho, para os estudos e para a vida. Discutimos sobre sustentabilidade e sobre cidadania. O instituto atua com jovens porque entende que são eles os impulsionadores das grandes mudanças da sociedade a longo prazo. São eles que podem influenciar a família positivamente”, argumenta o empresário João Carlos Paes Mendonça.

Os três principais eixos de atuação do IJCPM são empregabilidade, empreendedorismo e ações socioculturais. “Nosso objetivo é dar ao jovem da comunidade a mesma oportunidade que os outros da idade dele têm”, resume Lúcia Pontes, diretora de Desenvolvimento Social do Grupo JCPM. Cerca de 2 mil pessoas são atendidas em algum projeto do instituto todos os anos. Entre os mais concorridos está o Pré-universitário, curso preparatório para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que atende 70 jovens anualmente.

Morador de Brasília Teimosa, Thiago Abercio Oliveira, 19 anos, foi aluno do Pré-vestibular em 2016. Hoje, cursa história na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). “Descobri minha inclinação para a carreira aqui no instituto, a partir do exemplo dos professores que tive. Diferentemente do nosso modelo de educação nas escolas tradicionais, o IJCPM desperta nos estudantes o gosto por estudar”, destaca. Em 2017, Thiago e um grupo formado por ex-alunos do instituto formaram o Projeto Tartarugas, para ajudar novos estudantes. “É difícil conciliar com a correria da universidade, mas através do trabalho voluntário eu pude ver que posso deixar minha marca na vida de alguém.”

Para João Carlos Paes Mendonça, as empresas podem desempenhar um papel importante na mudança da realidade de outras pessoas. “Não adianta um empreendimento se instalar em um local e crescer, enquanto seu entorno segue sem perspectivas. E a sociedade brasileira precisa de perspectivas que venham não só do poder público, mas de instituições privadas. Achar que só o governo irá resolver todas as questões é um grande engano. Nós, empresários e a sociedade em geral, precisamos dar nossa contribuição. O cidadão comum também pode. Todos podem. E acredito que a educação é o melhor caminho porque ela constrói o alicerce da mudança. Não é algo paliativo. É algo permanente.”

Da aula reforço ao mercado de trabalho

Uma passagem rumo a um futuro melhor. Assim pode ser definido o trabalho realizado no Ponto Cidadão, projeto social âncora da empresa Itamaracá Transportes, que há mais de dez anos qualifica profissionalmente jovens carentes dos municípios de Igarassu e Itapissuma, no Grande Recife. Mais de mil alunos com idades entre 16 e 24 anos já receberam certificados na área de auxiliar administrativo desde que o projeto iniciou, em 2005.

O casarão localizado no número 46 da Rua Joaquim Nabuco, no Sítio Histórico de Igarassu, abrigava a parte administrativa da empresa até o fim dos anos 1990, quando o setor foi transferido para o município de Abreu e Lima. “Começamos a pensar, então, no que poderia ser feito naquele local. A empresa já realizava algumas ações sociais, destinando donativos a instituições. Mas era um trabalho muito assistencialista. Com o espaço ocioso, veio a ideia de criar um centro educacional”, explica Maria Amélia Bezerra Leite, sócia-diretora da empresa e responsável pelo projeto.

O casarão foi reformado e, em 2004, passou a oferecer aulas de reforço escolar. Uma pesquisa realizada junto à comunidade, no entanto, revelou uma necessidade maior. “A maioria dos jovens não via oportunidades de trabalho em Igarassu. Entendemos, então, que nosso foco deveria ser na empregabilidade da juventude”, lembra Amélia. Hoje os trabalhos são divididos em dois projetos. O Passagem Para o Futuro prepara anualmente 100 jovens para atuar em áreas administrativo-financeiras. Desses, 50 têm a oportunidade de ingressar, através de um processo seletivo, no Construindo o Futuro, curso de jovem-aprendiz, com duração de mais 11 meses.

A iniciativa tem impactado a vida de jovens como José Lucas dos Santos, 19. “Comecei as aulas no início do ano. Antes, eu era tímido e não sabia o que queria fazer da vida. As aulas me fizeram mais extrovertido. Além disso, descobri meu caminho profissional e já estou cursando ciências contábeis.”
Entre os professores estão profissionais contratados e voluntários. Alguns dos que se dedicam gratuitamente ao trabalho são funcionários da Itamaracá, como a auxiliar administrativa Jaqueline Gomes. “É um trabalho maravilhoso, junto a jovens moradores de comunidades carentes que estão em busca da primeira oportunidade no mercado de trabalho. Sou voluntária há cinco anos e pude conhecer muito mais a realidade deles.”

“Nosso foco não é apenas no conteúdo. Também trabalhamos muito a questão do comportamento, da postura que eles precisam ter no mercado”, destaca a coordenadora-executiva do Ponto Cidadão, Roberta Cavalcanti. O projeto tem mostrado resultados. A média de inserção no mercado de trabalho dos alunos é de mais de 80%. “Além disso, também realizamos um acompanhamento junto aos empregadores e todos os nossos estudantes são bem avaliados. É gratificante”, afirma Amélia Bezerra.

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