Como a maioria dos hobbits, Bilbo Bolseiro leva uma vida tranquila até o dia em que recebe uma missão do mago Gandalf. Acompanhado por um grupo de anões, ele parte numa jornada até a Montanha Solitária para libertar o Reino de Erebor do dragão Smaug.


Um livro inesperado

80 anos d’O Hobbit

Numa toca no chão vivia um hobbit.”

Quando John Ronald Reuel Tolkien fechou contrato com a Allen & Unwin para lançar seu primeiro livro de ficção, em 1937, ele já era um renomado professor de Anglo-saxão em Oxford. Especialista em filologia inglesa e nórdico antigo, o britânico já tinha lançado ensaios acadêmicos e publicado alguns poemas épicos em revistas especializadas. Mas O Hobbit seria o primeiro vislumbre público do universo da Terra-Média que ele vinha construindo desde a juventude.

Essa história começou com uma frase. Enquanto corrigia provas, Tolkien pegou um papel em branco e escreveu: “In a hole in the ground, there lived a hobbit” (“Numa toca no chão vivia um hobbit”, na tradução da 3ª edição brasileira, de 2009). Isso aconteceu nos anos 1920, e pelos próximos anos Tolkien foi construindo o enredo e desenhando os mapas, montando o universo da aventura. Em 1932, o escritor terminou a história e emprestou o manuscrito para vários amigos – incluindo C. S. Lewis, autor das Crônicas de Nárnia.

O conto do hobbit Bilbo, que deixa o conforto do seu lar no Condado para se juntar a uma companhia de 13 anões – e um mago! – para retomar o tesouro que está sob a montanha, guardado por um dragão, mostrava muitas das influências nórdicas de Tolkien, numa narrativa leve e cativante.

Finalmente o original chegou às mãos do editor Stanley Unwin, que finalmente fez um teste: pediu para o seu filho, Rayner, de dez anos de idade, ler e dar sua avaliação. Com a aprovação do garoto, Unwin e Tolkien iniciaram os trabalhos para lançar o livro.

A primeira tiragem de O Hobbit, lançada na Inglaterra em 21 de setembro de 1937, teve 1.500 cópias, que foram esgotadas em dezembro, graças à boa recepção do público. De lá até hoje, O Hobbit tornou-se um dos livros mais importantes da literatura inglesa, com tradução para mais de quarenta idiomas. Estima-se que tenha vendido mais de 100 milhões de cópias, tornando-se uma das obras mais vendidas da história, ao lado de Don Quixote, Alice no País das Maravilhas, O Pequeno Príncipe e, claro, O Senhor dos Anéis.

Em 2012, na esteira do sucesso da adaptação da trilogia do Senhor dos Anéis, O Hobbit também chegou ao cinema, em três partes dirigidas pelo neozelandês Peter Jackson.



Montanha acima, montanha adentro

O Hobbit no universo de Tolkien

Para além das montanhas nebulosas frias,

Adentrando cavernas, calabouços perdidos,

Devemos partir antes do sol surgir,

Buscando tesouros há muito esquecidos”

O ano de 1937 não marca somente o lançamento do livro O Hobbit, mas também a gênese do Senhor dos Anéis, encomendado pela editora como uma continuação para o recém bestseller.

Tolkien já tinha um trabalho iniciado: a saga dos Elfos e Homens em Valinor, Beleriand, Númenor, e na Terra-Média – o que viria a ser lançado posteriormente na coletânea do Silmarillion, uma espécie de “Antigo Testamento” da mitologia tolkeniana. Porém, os editores não queriam nada disso, queriam sim “mais hobbits!”.

O desafio do Tolkien agora era criar uma nova história, dando continuidade aos acontecimentos do livro anterior e, ao mesmo tempo, inserido tudo dentro da mitologia que ele estava criando. O anel mágico que Bilbo encontra na caverna do Gollum, que então era só um anel, tornou-se O Um Anel – o artefato mágico maligno mais poderoso da Terra-Média. O próprio Gollum, que era só um “monstrinho”, virou um antepassado dos hobbits, que ganhou uma longa vida por influência do anel.

Por causa disso, o capítulo na qual Bilbo encontra Gollum, chamado “Adivinhas no escuro”, foi reescrito por Tolkien antes do lançamento do Senhor dos Anéis. O que inicialmente era uma disputa de charadas, com Bilbo vencendo e Gollum lhe mostrando a saída da caverna como prêmio, foi reformado para mostrar a influência negativa do anel sobre os personagens, e o ódio causado pelo hobbit ao roubar o artefato.
O mago Gandalf também ganhou importância e foi promovido a um dos Istari, enviado pelos Valar para guardar a Terra-Média. O Necromante, que é o antagonista oculto em O Hobbit, virou Sauron, o flagelo da Segunda Era, criador do Anel. Bilbo, agora mais velho, não pode participar da aventura e passa o fardo para Frodo, seu sobrinho. Elrond e Radagast reaparecem no novo livro, assim como algumas locações, como Valfenda e o esconderijo dos trolls.

Os anões são representados por Gimli, filho de Glóin, um dos companheiros de Bilbo no livro anterior. Já o elfo da companhia do anel é Legolas, filho de Thranduil, rei dos elfos da Floresta Verde, e que prende o grupo de Thorin na aventura passada. E se os editores queriam mais hobbits, levaram três a mais: Sam, Pippin e Merry. Ainda se juntam ao grupo os dois humanos Boromir, filho do regente de Gondor, e Aragorn, herdeiro legítimo do trono.

Para quem nunca leu nada de Tolkien e quer mergulhar na Terra-Média, O Hobbit ainda é um bom ponto inicial. A narrativa é mais leve e bem-humorada se comparada com o Senhor dos Anéis (mais ainda em tamanho, já que é pelo menos três vezes menor). Muitos dos conceitos e raças são introduzidos aqui e aprofundados na continuação, porém de forma mais didática, já que é um livro infantil.


Das páginas para as telas

A visão de Tolkien

A primeira edição de O Hobbit foi lançada com muitos desenhos em preto e branco, feitos pelo próprio Tolkien. As ilustrações originais foram coloridas já na segunda impressão, lançada no final de 1937. Esses desenhos nos dão a oportunidade de visualizar os cenários da Terra-Média como imaginados pelo próprio autor (que surpreendentemente era também um bom desenhista). Veja aqui, lado a lado, um comparativo dos originais de Tolkien com o que vimos na adaptação do Hobbit para o cinema.

UMA JORNADA INESPERADA - Já no prólogo, a cena entre Thrór e Thranduil é mais longa, e mostra o motivo da discórdia entre os dois: a disputa pela posse da jóia dos elfos que foi trabalhada pelos anões. Ainda na introdução, vemos Bilbo ainda criança, mas já com o espírito aventureiro enquanto brinca com Gandalf no Condado.

Em Valfenda, já temos uma cena que mostra que Kili tem uma “queda” por elfas, com direito a ele confundir um elfo por elfa, e ser zoado pelos outros anões. A cena do jantar ainda se encerra com uma música cantada por Bofur, acompanhado pela percussão de pratos e garfos do resto do grupo. Ainda na casa de Elrond, Bilbo encontra Narsil - a espada de Elendil que derrotou Sauron - e é convidado pelo meio-elfo a ficar em Valfenda, se desejar.

As últimas cenas extras importantes do filme mostram um diálogo entre Gandalf e Elrond, na qual o elfo mostra preocupação com o temperamento de Thorin e sua tendência a perder o controle. No Conselho Branco, Gandalf comenta que o último anel dos anões desapareceu junto com o pai de Thorin, mas Saruman diz que não há com o que se preocupar, já que o Um Anel está perdido.

A DESOLAÇÃO DE SMAUG - Esse é o filme que mais ganha com as cenas extras. Na casa de Beorn, o homem-urso é apresentado aos anões um a um, repetindo uma das cenas mais engraçadas do livro. Em um flashback, Galadriel conta como os homens do Norte venceram o Rei Bruxo de Angmar e o enterraram em Rhudaur.

Em Esgaroth, o Mestre da Cidade e Braga comentam a profecia que fala da volta do Rei-sob-a-Montanha e como eles poderiam se beneficiar disso. Ao mesmo tempo, a companhia de Thorin invade o arsenal da cidade para conseguir armamentos. Depois que o grupo deixa a Cidade do Lago, Fili, Oin, Bofur carregam Kili ferido e buscam ajuda do Mestre, que os despacha sem cerimônia.

Finalmente, numa cena que não deveria ter ficado de fora de maneira alguma, Gandalf encontra Thrain, o pai de Thorin, em Dol Guldur. O rei conta que não enlouqueceu na batalha, mas foi sequestrado por orcs e torturados, perdendo ainda o último anel dos Anões. Gandalf e Thrain confrontam o Necromante, que mata o anão.

A BATALHA DOS CINCO EXÉRCITOS | As cenas novas do último filme são, principalmente, nas batalhas. O embate entre Smaug e Bard, na Cidade do Lago, é mais longa - bem como a destruição de Esgaroth. O mesmo acontece em Dol Guldur, com mais tempo de tela para Elrond e Saruman lutando contra os Espectros do Anel, e ainda uma conversa com Gandalf sobre Narya, o anel élfico que está com o mago.

Na Batalha dos Cinco Exércitos, as tropas élficas e anãs se enfrentam por mais tempo, com direito a saraivada de flechas élficas e uma engenhosa defesa dos anões. Os soldados de Dáin ainda mandam uma carga de cavalaria, ou melhor, uma tropa de bodes montados que é sensacional.

E mais uma vez temos duas cenas que fizeram muita, mas muita falta no cinema: o enterro de Thorin e a coroação de Dáin. É o fechamento do arco do Rei sob a Montanha e dá um fim para a Pedra de Arken, que foi tão importante no enredo até esse ponto.

Cenas do filme


UMA JORNADA INESPERADA – Já no prólogo, a cena entre Thrór e Thranduil é mais longa, e mostra o motivo da discórdia entre os dois: a disputa pela posse da jóia dos elfos que foi trabalhada pelos anões. Ainda na introdução, vemos Bilbo ainda criança, mas já com o espírito aventureiro enquanto brinca com Gandalf no Condado.
Em Valfenda, já temos uma cena que mostra que Kili tem uma “queda” por elfas, com direito a ele confundir um elfo por elfa, e ser zoado pelos outros anões. A cena do jantar ainda se encerra com uma música cantada por Bofur, acompanhado pela percussão de pratos e garfos do resto do grupo. Ainda na casa de Elrond, Bilbo encontra Narsil – a espada de Elendil que derrotou Sauron – e é convidado pelo meio-elfo a ficar em Valfenda, se desejar.
As últimas cenas extras importantes do filme mostram um diálogo entre Gandalf e Elrond, na qual o elfo mostra preocupação com o temperamento de Thorin e sua tendência a perder o controle. No Conselho Branco, Gandalf comenta que o último anel dos anões desapareceu junto com o pai de Thorin, mas Saruman diz que não há com o que se preocupar, já que o Um Anel está perdido.
A DESOLAÇÃO DE SMAUG – Esse é o filme que mais ganha com as cenas extras. Na casa de Beorn, o homem-urso é apresentado aos anões um a um, repetindo uma das cenas mais engraçadas do livro. Em um flashback, Galadriel conta como os homens do Norte venceram o Rei Bruxo de Angmar e o enterraram em Rhudaur.
Em Esgaroth, o Mestre da Cidade e Braga comentam a profecia que fala da volta do Rei-sob-a-Montanha e como eles poderiam se beneficiar disso. Ao mesmo tempo, a companhia de Thorin invade o arsenal da cidade para conseguir armamentos. Depois que o grupo deixa a Cidade do Lago, Fili, Oin, Bofur carregam Kili ferido e buscam ajuda do Mestre, que os despacha sem cerimônia.
Finalmente, numa cena que não deveria ter ficado de fora de maneira alguma, Gandalf encontra Thrain, o pai de Thorin, em Dol Guldur. O rei conta que não enlouqueceu na batalha, mas foi sequestrado por orcs e torturados, perdendo ainda o último anel dos Anões. Gandalf e Thrain confrontam o Necromante, que mata o anão.
A BATALHA DOS CINCO EXÉRCITOS | As cenas novas do último filme são, principalmente, nas batalhas. O embate entre Smaug e Bard, na Cidade do Lago, é mais longa – bem como a destruição de Esgaroth. O mesmo acontece em Dol Guldur, com mais tempo de tela para Elrond e Saruman lutando contra os Espectros do Anel, e ainda uma conversa com Gandalf sobre Narya, o anel élfico que está com o mago.
Na Batalha dos Cinco Exércitos, as tropas élficas e anãs se enfrentam por mais tempo, com direito a saraivada de flechas élficas e uma engenhosa defesa dos anões. Os soldados de Dáin ainda mandam uma carga de cavalaria, ou melhor, uma tropa de bodes montados que é sensacional.
E mais uma vez temos duas cenas que fizeram muita, mas muita falta no cinema: o enterro de Thorin e a coroação de Dáin. É o fechamento do arco do Rei sob a Montanha e dá um fim para a Pedra de Arken, que foi tão importante no enredo até esse ponto.


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19 de Novembro de 2017

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