População muda rotina na tentativa de proteger-se

Ele nem precisou ser assaltado. Foi o sentimento de impotência diante dos relatos de violência que levou o autônomo Manuel Gomes da Silva, 69 anos, a instalar câmeras de segurança na entrada de sua residência, em Olinda, Região Metropolitana do Recife (RMR), no início do ano. O portão de casa também recebeu reforço, com corrente e cadeado. O comerciante está entre os 70% de brasileiros que mudaram seus hábitos e adotaram medidas restritivas em função do aumento da criminalidade, de acordo com pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em dezembro de 2016 e divulgada em março deste ano. Assim como ele, 46% da população passou a utilizar alarmes, grades, cadeados ou trancas no lugar onde vivem para tentar escapar das estatísticas cruéis da violência.

Os números – são 4.145 mortes e 93.851 crimes contra o patrimônio no Estado somente nos primeiros nove meses do ano – intimidam e afetam, em algum grau, a vida de todos os pernambucanos. Após um assalto em um salão de beleza em Jaboatão dos Guararapes, Grande Recife, a microempresária Elaine Carla Ribeiro, 37 anos, passou a pagar mais para ter o serviço em casa. Já a estudante Hosana Farias, 22, adotou um hábito cada vez mais comum entre os pernambucanos: o uso do “celular do ladrão”. “Meu telefone de verdade fica em modo avião dentro de uma pasta, que coloco dentro de outra pasta. São cuidados que me vi obrigada a tomar para não ser assaltada.”

Com o aumento da violência, desenvolvi algumas fobias e mudei vários hábitos. Cheguei a trocar até mesmo o horário do curso pré-vestibular, para não ter que pegar ônibus à noite”, Hosana Farias

De acordo com a pesquisa da CNI, mais da metade dos entrevistados evitam sair de casa à noite, andar por certos locais da cidade e levar dinheiro consigo. O resultado mostra ainda que a maior parte dos brasileiros aumentou os cuidados na hora de entrar e sair de casa, da escola ou do trabalho.

A restrição do uso dos espaços públicos não é o único problema apontado pela pesquisa. Além de limitar a vida dos brasileiros, a violência tem gerado despesas às famílias. Isso porque três em cada quatro brasileiros afirmaram ter adotado alguma medida custosa, como contratação de seguros contra roubo ou furto, instalação de alarmes, grades ou trancas em suas residências e até compra de armas.

MUDANÇAS DE HÁBITO MOTIVADAS PELA VIOLÊNCIA (2016)

69 %

Aumentar cuidado ao sair/ chegar em casa/ trabalho/ escola

62 %

Evitar andar com dinheiro

53 %

Evitar sair à noite

51 %

Deixar de circular por alguns bairros/ ruas da cidade

46 %

Colocar alarmes, grades, cadeados ou trancas em suas residências

32 %

Mudar o trajeto entre a casa e o trabalho, ou entre a casa e a escola

27 %

Mudar o modo de se vestir para reduzir risco de assalto ou assédio

15 %

Contratar seguro contra roubo/ furto

12 %

Mudar de residência

8 %

Mudar os filhos de escola

3 %

Comprar uma arma

Expediente

12 de Novembro de 2017

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