O mercado de logística deve crescer 26% em 2018. Esse avanço tem feito cada vez mais empresas buscar profissionais qualificados para trabalhar no setor. Atentas a esse movimento, instituições de ensino oferecem cursos técnicos e de graduação.

 

Cursos de logística atraem pessoas de todas as gerações

Maria Clara Araújo nem sabia o que era logística até o dia em que sua mãe chegou em casa avisando que tinha feito uma inscrição pra ela num curso técnico da área. Até aquele momento, o plano da adolescente era ser professora de história, mas aceitou o desafio. Hoje com 17 anos, Clara já concluiu a formação, de 15 meses, e será a representante de Pernambuco na etapa nacional da Olimpíada do Conhecimento do Senai, em julho. Esta será a primeira vez que a temática logística entrará na disputa. Nos últimos anos, tem aumentado a oferta de cursos técnicos e de graduação tecnológica na área para atender um mercado de trabalho em expansão. Segundo a Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (AD Diper), existem cerca de 15 mil pessoas trabalhando nos setores de transporte, armazenagem e Correios no Estado. Já os projetos de empresas atacadistas somam 60,5 mil empregos.

Maria Clara representa Pernambuco na etapa nacional da Olimpíada do Conhecimento do Senai

No Senai, o curso técnico em logística foi criado em 2009 e é oferecido pela escola do Cabo de Santo Agostinho. “O profissional de logística pode atuar em várias áreas dentro da cadeia de suprimentos, como recebimento, conferência, compras, comércio exterior, transporte e expedição. Como somos uma instituição de educação profissional, a atividade prática é muito forte”, explica o diretor das escolas do Senai do Cabo e de Ipojuca, Daniel Fagundes. Com duração de 15 meses, o curso pode ser frequentado por alunos que concluíram ou estão cursando o 2º ou 3º ano do Ensino Médio. A mensalidade custa R$ 275.

“Eu me apaixonei pelo curso e me encontrei nele, porque é muito amplo e permite a possibilidade de atuar em diversas áreas, seja na indústria ou no varejo, na armazenagem, na distribuição, no transporte, no planejamento. É um mundo de opções”, comemora Maria Clara, que está estudando uma média de oito a dez horas por dia para participar da Olimpíada do Conhecimento do Senai, em Salvador, em julho. A estudante vai enfrentar dez competidores de vários Estados do Brasil e, se vencer, vai disputar a fase mundial na Rússia. Depois do curso técnico, Maria Clara foi aprovada em Engenharia da Produção e começou a cursar. “Imagino meu futuro trabalhando em Suape. É o sonho de quem gosta de logística estar nesse porto tão importante para o Estado”, diz.

PROFISSIONAIS

A retomada da economia anima o setor de logística, junto com a expectativa dos setores que atende. Pesquisa encomendada pelo Sest/Senat aponta que a atividade vai crescer 26% este ano, na comparação com 2017. Esse movimento de recuperação fez com que Ronaldo Tavares, 60 anos, voltasse ao mercado de trabalho. “Passei dois anos desempregado e me virei vendendo roupas e fazendo bicos, mas a minha vida toda foi no setor de logística”, conta, dizendo que está há seis meses trabalhando como supervisor de armazenagem no CD da varejista Império Móveis e Eletros, no Cone, no Cabo de Santo Agostinho.

Ronaldo Tavares: De volta ao mercado de trabalho aos 60 anos
Gilma Oliveira comanda uma rotina de 600 viagens de caminhão por mês na Symbolus Logística

Há 20 anos no mercado, Gilma Oliveira diz gostar da adrenalina da atividade logística. “Cada dia é diferente. Os desafios e os problemas vão aparecendo e a gente tem que encontrar a melhor solução”, afirma. Gerente de Operações da Symbolus Transportes há quatro anos, ela comanda uma equipe de 50 motoristas e planeja até 600 viagens por mês, entregando produtos químicos para indústrias de todo o Brasil.

Formação específica impulsiona carreira

Os cursos de logística também estão atraindo profissionais que já atuam na área e querem se qualificar para ocupar novos cargos e melhorar a remuneração. No mercado de Pernambuco, os salários variam de dois salários mínimos (para vagas operacionais) até 20 salários mínimos para os cargos de gestão. Nas faculdades e universidades, a oferta é de cursos de graduação tecnológica, com duração de dois anos. A DeVry/UniFBV foi a primeira a oferecer o curso de logística no Estado, em 2007. Além dela, Faculdade Guararapes, Unibra, Maurício de Nassau, Fafire e Estácio também incluíram a formação na oferta de cursos.

“A maior procura pelo curso de logística é de pessoas que já conhecem a atividade. A procura tem aumentado nos últimos anos, mas ainda é preciso deixar claro que a graduação tecnológica não é um curso técnico. Ela permite atuar tanto no mercado profissional quando enveredar pelo mundo acadêmico, com a possibilidade de cursar mestrado e doutorado. Com duração de dois anos, é ideal para quem quer concluir em menos tempo e entrar no mercado de trabalho”, observa a coordenadora dos cursos tecnológicos de gestão da DeVry/UniFBV, Alcione Donida.

Jeferson Felipe Bezerra, 23 anos, trabalhava como serralheiro e pensava em cursar zootecnia, mas conseguiu seu primeiro emprego com carteira assinada na área de logística e se interessou. “Foi uma oportunidade que surgiu e eu agarrei. Comecei como operador, mesmo sem ter experiência, e depois fui promovido a conferente. Quando concluir o curso, posso assumir outros cargos como encarregado de logística, por exemplo, e ganhar três vezes mais. Isso sem falar que a empresa onde eu trabalho dá oportunidade a quem se qualifica”, diz o estudante do terceiro período de logística.

Professor do curso de logística e profissional do mercado há 19 anos, Paulo Alencar diz que a área vem se desenvolvendo desde os anos 80 e carece de profissionais qualificados. “Existem empresas que têm vagas para gestores de logística o ano inteiro e não conseguem encontrar pessoal qualificado. O profissional de logística pode trabalhar em empresas de forma geral, que utilizem a atividade em seu processo. São indústrias, companhias varejistas, lojas virtuais. As oportunidades são tanto para os cargos mais básicos (auxiliares, conferentes, operadores de empilhadeira) até funções como coordenadores, gerentes e diretores”, exemplifica.

O estudante Alexandre do Nascimento, 27, gosta do setor de suprimentos e aposta no curso de logística como ponte para alcançar o sonho. “Comecei a trabalhar com 20 anos na área de transporte e logística. Vi as oportunidades crescendo e vim fazer o curso, porque o mercado tá exigindo qualificação. Suape deve voltar a crescer com a recuperação da economia e as oportunidades vão surgir”, acredita. No próximo dia 12, o Teatro RioMar sedia o seminário “Logística e Inovação”, que vai discutir gargalos e oportunidades do setor.