Você sabe o que é logística? Ela parece invisível, mas está presente no nosso dia a dia, encurtando distâncias. Quando compramos uma maçã no supermercado, muitas vezes não nos damos conta do caminho que percorreu até chegar a nossas mãos. Foi cultivada por um agricultor, uma empresa comprou parte da produção, foi transportada até um centro de distribuição e depois chegou ao supermercado. Todo esse processo de compra, planejamento, transporte, armazenagem e distribuição é o que se chama de logística.

 

Da produção a sua casa, encurtando distâncias

A aposentada Janice Gomes não resiste ao telão da TV QLED de 75 polegadas e dá uma paradinha para olhar. Ela imagina que o produto foi fabricado no Brasil e levou poucos dias para chegar ali na loja. Reage com surpresa e uma espontânea gargalhada quando descobre que a televisão foi produzida na Coreia do Sul e passou 30 dias viajando de navio e caminhão até desembarcar em Pernambuco. Assim como Dona Janice, nós consumidores não costumamos pensar como os produtos chegam até nós. Quando colocamos uma fruta no carrinho do supermercado, clicamos para comprar um livro na loja virtual ou escolhemos um carro na concessionária, estamos sendo beneficiados pela logística. Um processo que muita vezes parece “invisível”, mas está presente na vida das empresas e das pessoas.

O conceito de logística é milenar e surgiu com as guerras, a partir da necessidade de transportar tropas, armamentos, materiais e alimentos para os campos de batalha. Essa operação precisava acontecer pelo caminho mais curto, em menos tempo e com menor custo. Eficiência muitas vezes determinante para o resultado da guerra. No Brasil, a atividade registrou uma arrancada a partir dos anos 1980, com o avanço da globalização e a “importação” pela indústria nacional do modelo de produção integrada da japonesa Toyota. Ainda nova no País, a logística vem crescendo junto com um movimento de qualificação profissional e de busca por inovação e novas tecnologias.

“As pessoas costumam associar logística ao transporte. De fato, ele é o principal componente na operação, mas o conceito é bem mais amplo. Inclui processo de compra e venda, planejamento, transporte, armazenagem, distribuição e tecnologia. Tudo isso para fazer o produto chegar ao consumidor com o menor intervalo de tempo, pela melhor rota e com menor custo. Nas empresas, logística é uma área de custo, por isso quanto mais eficiente ela for, mais a companhia será competitiva”, explica o professor do curso de logística da DeVry/UniFBV, Paulo Alencar.

Atuando no setor há 19 anos, Alencar costuma dizer que uma pessoa não precisa ser americana para comer um McDonald’s, nem japonesa para comprar um carro da Toyota nem brasileira para tomar um bom café. “As empresas fazem um esforço para disponibilizar esses produtos onde o cliente estiver e esse esforço se chama logística. Para resumir, logística é encurtar distâncias”, complementa.

As pessoas costumam associar logística ao transporte. De fato, ele é o principal componente na operação, mas o conceito é bem mais amplo. Inclui processo de compra e venda, planejamento, transporte, armazenagem, distribuição e tecnologia".
Paulo Alencar, professor de logística da DeVry/UniFBV

O grupo varejista RM exercita no dia a dia a máxima de encurtar distâncias. Com três supermercados no Recife e um em Caruaru, a empresa mantém um Centro de Distribuição (CD) no bairro recifense de Afogados e uma transportadora própria com uma frota de 70 veículos para abastecer suas lojas.

“Temos fornecedores de todos os Estados do Brasil e do exterior. As mercadorias que chegam no nosso CD são separadas e armazenadas e seguem para as lojas. Cada supermercado também mantém um pequeno estoque próprio para garantir o abastecimento mais imediato. Os fornecedores internacionais são os mais variados. Toda nossa oferta de uva passa e ameixa seca, por exemplo, é importada da Argentina. Também trazemos azeite de Portugal e da Tunísia e massas da Itália”, destaca o diretor comercial do RM, Marco Ferreira Filho, explicando que as importações chegam a levar entre 45 e 60 dias.

“Muitas vezes o consumidor no supermercado não se dá conta de que aquele produto que colocou no carrinho veio de outro Estado ou de outro país, que fez um percurso de avião, navio ou caminhão para chegar até ali. E ele quer encontrar o produto com a mesma qualidade que saiu da indústria ou do campo.

Depósito central do RM Express

O desafio das empresas é planejar o caminho percorrido pelo produto com a melhor eficiência possível, porque erros no processo logístico podem significar aumento de custo e repasse para o bolso do consumidor”, reforça Paulo Alencar. Diretor do Centro de Transportes e Logística do Massachusetts Institute of Technology (MIT), Yossi Sheffi, diz que a logística tem crescido por causa da globalização.

“É claro que existem mais mercadorias indo e vindo ao redor do globo. Isso explica por que algumas empresas mais bem sucedidas do mundo são de logística. O Walmart é um exemplo disso. Eles vendem a mesma coisa que todos estão vendendo, mas compram melhor e movem de um jeito melhor para as lojas. São 2,5 milhões de funcionários, equivalente a quase um país”, observa.

SEMINÁRIO

Yossi Sheffi estará no Recife nesta segunda-feira (12) para participar do seminário "Logística e Inovação: uma estratégia para Pernambuco", que vai acontecer das 9h às 13h, no Teatro RioMar. Realizado pelo Cone – Condomínio de Negócios, o evento vai discutir a vocação do Estado para o setor e como importantes ativos econômicos do Estado: o Porto de Suape e o Porto Digital podem se conectar em torno da atividade para gerar desenvolvimento. Uma das palestras mais esperadas será a do presidente do Canal do Panamá, Jorge Quijano. O executivo vai explicar os benefícios da ampliação do Canal para o comércio marítimo mundial e como o Brasil pode se beneficiar.

Na prática, a TV QLED que Dona Janice viu na loja poderia sair da Coreia do Sul e encurtar caminho pelo Canal do Panamá, chegando no Porto de Suape em 17 dias. Bem diferente dos 30 dias pela rota Ásia-Europa-Brasil. Além do tempo, o atalho também poderia reduzir o preço da TV em até 5%.