Tribunal Regional Federal da 4ª Região confirmou, no histórico 24 de janeiro de 2018, a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ampliou a pena para 12 anos e 1 mês de reclusão

O ex-presidente Lula (PT) foi condenado a 12 anos e 1 mês de prisão nesta quarta-feira (24) por unanimidade pelo Tribunal Regional Federal da 4ª região (TRF-4) em um processo referente à Operação Lava Jato. A condenação em segunda instância pode levar à aplicação da Lei da Ficha Limpa, tirando o petista da disputa presidencial de 2018. A decisão por unanimidade reduz a margem para que a defesa do ex-presidente entre com recursos contra a decisão dos desembargadores da 8ª Turma. Lula só pode ser preso quando se esgotarem esses recursos.

Lula foi acusado dos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Ele teria recebido benesses da empreiteira OAS, inclusive um triplex no Guarujá, no litoral paulista, em troca de contratos com o governo federal. Em julho de 2017, o juiz federal Sério Moro – responsável pelos processos da Lava Jato em primeira instância – condenou o petista a 9 anos e seis meses de prisão. Lula ainda responde como réu em outros cinco processos.

Apesar da condenação, o PT lançará Lula, nesta quinta-feira (25), oficialmente como candidato do partido à presidência da República. O ex-presidente lidera as pesquisas de intenção de voto, aparecendo com 35% no Ibope e 37% no Datafolha. Outros nomes cotados como opções no partido, como o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad e o ex-governador da Bahia Jacques Wagner, não têm o mesmo desempenho eleitoral.



A trajetória de Lula

Luiz Inácio Lula da Silva nasceu em 1945, no sítio Várzea Comprida, em Caetés, na época distrito de Garanhuns, Agreste de Pernambuco. Aos 7 anos, como retirante, mudou-se para São Paulo com a família para fugir da grande seca que assolou o Nordeste em 1952. Aos 14 anos, tornou-se metalúrgico na região do ABC Paulista. Em 1975, Lula se tornou presidente do Sindicato dos Metalúrgicos. No fim da década de 1970, ele seria o líder das grandes greves na região industrial paulista.

No dia 10 de fevereiro de 1980, o então líder sindicalista fundou o Partido dos Trabalhadores (PT). Em 19 de abril do mesmo ano, Lula foi preso por 31 dias, em plena ditadura militar, acusado de liderar uma greve dos trabalhadores no ABC Paulista.
Três anos depois, Lula atuou na criação da Central Única dos Trabalhadores (CUT). Em 1986, foi eleito para o primeiro mandato de deputado federal, atuando na Assembleia Nacional Constituinte.

Em 1989, concorreu pela primeira vez à Presidência da República, na primeira disputa eleitoral após a redemocratização do País. Lula chegou ao segundo turno, mas perdeu para o ex-presidente Fernando Collor.

O petista voltaria a disputar a presidência nos anos de 1994 e 1998, antes de ser eleito em 2002 com 61,3% dos votos válidos, derrotando o ex-ministro da Saúde José Serra (PSDB-SP). Em 2005, Lula enfrentaria sua primeira grande crise política com o escândalo do Mensalão. Apesar disso, foi reeleito presidente em 2006, com 60,8% dos votos, no segundo turno contra Geraldo Alckmin (PSDB-SP).

Em 2010, Lula consegue fazer como sucessora a pupila Dilma Rousseff (PT), que seria reeleita em 2014. Em meio à crise que culminou no impeachment de Dilma, em março de 2016, ele tenta voltar ao governo como ministro, mas tem a posse negada pela Justiça, após a divulgação de um áudio em que a então presidente o avisava que enviaria o termo de posse para ele usar “em caso de necessidade”. Na época, Lula já era investigado pela Operação Lava Jato.

Em 12 de julho de 2017, já após o impeachment da petista, Lula foi condenado pelo juiz federal Sérgio Moro a 9 anos e 6 meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, no âmbito da Lava Jato. Ele teria recebido um triplex no Guarujá (SP) da empreiteira OAS em troca de contratos no governo federal.


Abaixo, a cobertura completa do SJCC no dia do julgamento

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24 de Janeiro de 2018

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