Rivaldo, maior pernambucano em Copas

Por Thiago Vieira

Dez pernambucanos já tiveram a honra de disputar uma Copa do Mundo com a camisa da seleção brasileira. Alguns, mais de um Mundial. Caso de Rivaldo, campeão em 2002 e vice em 1998. Revelado pelo Santa Cruz, o meia foi eleito pelos internautas do Jornal do Commercio o maior pernambucano na história das Copas. Completaram o pódio os atacantes Vavá, bicampeão em 1958 e 1962, e Ademir Menezes, vice em 1950.

PÓDIO Eleição feita pelo JC apontou Rivaldo como o pernambucano mais representativo em Copas.

Duas Copas do Mundo, duas finais e um título. Oito gols em 14 partidas. Com esse currículo, Rivaldo foi eleito o maior jogador pernambucano da história dos Mundiais em enquete feita pelo Sistema Jornal do Commercio de Comunicação. Com 62,34% dos votos, ele superou os outros nove candidatos. Quem completou o pódio foi Vavá, um dos poucos jogadores do mundo a marcar gols em duas finais, em 1958 e 1962, recebendo 18,18%. Em terceiro, Ademir Menezes, o maior artilheiro brasileiro de uma única edição de Copa, com nove gols em 1950. Ele foi escolhido por 8,44%.

Completam a lista, em ordem de mais votados: Ricardo Rocha (5,52%), Juninho Pernambucano (1,62%), o goleiro Manga (1,3%), Hernanes e Josué (0,97%, cada), Zequinha (0,65%) e Rildo, que não foi votado - veja a votação no jconline.com.br/esportes.

Nascido na cidade de Paulista, Rivaldo foi revelado pelo Santa Cruz. Ele foi um dos pilares da equipe que foi vice-campeã em 1998, perdendo a final para a França. Já em 2002, foi um dos protagonistas da conquista do penta na Coreia do Sul e no Japão.

Rivaldo estreou com a camisa da seleção em Mundiais na vitória do Brasil por 2x1, contra a Escócia, em 1998. Àquela época, ela já era craque do Barcelona, e vestia a tradicional camisa 10 da seleção. Marcou o primeiro gol já no jogo seguinte, contra o Marrocos, na vitória por 3x0. Ele também deu uma assistência naquele jogo. O pernambucano passou em branco nas duas partidas seguintes, contra a Noruega, na derrota por 2x1 pelo último jogo da fase de grupos, e na goleada brasileira por 4x1 diante do Chile, nas oitavas de final.

Ademir (à direita) foi o terceiro e Vavá (abraçando Pelé) o segundo, na votação feita pelo JC

Mas foi nas quartas daquele ano que o jogador teve uma das suas maiores partidas. Diante da Dinamarca, ele balançou a rede duas vezes, na dura vitória por 3x2. Na semifinal, voltou a ser determinante. Desta vez deu a assistência para Ronaldo no empate em 1x1 contra a Holanda. Na disputa por pênaltis, converteu a sua cobrança. O baque naquele ano veio na final, com a derrota por 3x0 para a França.

Quatro anos depois, a nova chance para levantar a taça. E Rivaldo estava mais uma vez entre os que poderiam fazer a diferença. Logo na estreia, contra a Turquia, marcou um gol e deu uma assistência na vitória por 2x1. No segundo jogo, mais um gol, desta vez na vitória por 4x0 diante da China. Na última partida da fase de grupos, balançou as redes novamente, n0 5x2 contra a Costa Rica.

Nas oitavas-de-final, ele abriu o placar num duro jogo contra a Bélgica, no jogo que terminaria 2x0. Na partida seguinte, diante da Inglaterra, Rivaldo empatou a partida no fim do primeiro tempo, dando início à reação brasileira para a classificação no placar de 2x1. Aquele foi o seu último gol numa Copa do Mundo, mas o protagonismo ainda não tinha chegado ao fim.

Depois de uma semifinal em branco, na vitória por 1x0 novamente diante da Turquia, Rivaldo teve participação nos dois gols da final contra a Alemanha, ambos anotados por Ronaldo Fenômeno. Os gols do penta.

Copa sem pernambucanos

Pernambuco tem tradição em exportar jogadores para a seleção brasileira em Copas do Mundo. Para se ter uma ideia, a última vez que o País foi representado sem nenhum atleta nascido no Estado foi em 1986, no Mundial disputado no México. De lá para cá, Ricardo Rocha (1990 e 1994), Rivaldo (1998 e 2002), Juninho Pernambucano (2006), Josué (2010) e Hernanes (2014) estiveram na lista final escolhida pelos respectivos treinadores. No entanto, na Rússia, a lista final de convocados não conta com nenhum jogador pernambucano.

Desde que o técnico Tite assumiu o comando da seleção, em junho de 2016, o único jogador da terra a ser chamado foi o lateral-esquerdo Mariano, agora com 31 anos e atuando no Galatasaray-TUR, com origem em São João, município do Agreste pernambucano. A convocação veio para a disputa contra o Paraguai, pela 14ª rodada das Eliminatórias, que acabou em vitória por 3x0 para o Brasil. Ele, que ainda defendia o Sevilla-ESP, supriu a ausência de Daniel Alves, suspenso no jogo anterior pelo terceiro amarelo, mas acabou ficando apenas no banco, não sendo utilizado.

Outro que também tinha a esperança, ainda que remota, de ser lembrado na lista final era o meia Hernanes. Depois da Copa do Mundo que disputou em 2014, no Brasil, o recifense não voltou a vestir a camisa da seleção. Com uma temporada apagada na Internazionale-ITA e posteriormente na Juventus-ITA, entre 2015 e 2016, ele foi para o futebol chinês em 2017. Voltou ao Brasil para defender o São Paulo, no mesmo ano, e acabou sendo um dos pilares da campanha de recuperação do Tricolor na Série A do Brasileiro, sendo escolhido para a seleção daquela competição. O desempenho rendeu elogios de Tite e fez o atleta voltar a acreditar que poderia jogar no próximo Mundial. Mas as expectativas foram frustradas com a lista divulgada no dia 14 de maio, quando ele acabou fora da lista.

• Pernambucanos em Copas

• Ademir Menezes

Atuou na Copa do Mundo de 1950, marcando 9 gols e sendo até hoje o maior artilheiro da seleção brasileira numa única edição. Começou e encerrou sua carreira no Sport

• Vavá

Vencedor das Copas do Mundo de 1958 e de 1962, marcando gols nas duas finais. Recebeu o apelido de Peito de Aço, pelo estilo aguerrido. Tem nove gols em dez jogos que participou. Também foi revelado pelo Sport

• Zequinha

Também esteve no elenco campeão de 1962. À época, ainda não existia substituição, e ele acabou não atuando em nenhuma partida.

• Rildo

Esteve no elenco de 1966. Foi acionado no terceiro jogo da fase de grupos, e marcou o gol na derrota por 3x1 contra Portugal, jogo que o Brasil foi eliminado.

• Manga

Manga era companheiro de Rildo. Também era suplente daquele time, e foi acionado também diante de Portugal.

• Ricardo Rocha

Disputou a Copa do Mundo de 1990, começando no banco de reservas, mas sendo titular no último jogo da fase de grupos, em que o Brasil venceu a Escócia por 1x0, e na derrota para a Argentina, também por 1x0, nas oitavas-de-final. Em 1994, era o capitão da seleção, mas acabou se machucando aos trinta minutos do segundo tempo na primeira partida, e não conseguiu se recuperar até o fim da competição.

• Rivaldo

Disputou as Copas de 1998 e de 2002, conquistando um título em uma e um vice-campeonato em outra. Marcou 8 gols em 14 partidas.

• Juninho Pernambucano

Esteve no elenco da Copa do Mundo de 2006. Atuou em três partidas, e marcou um gol na vitória por 4x1 sobre o Japão, na fase de grupos.

• Josué

Esteve no elenco que disputou a Copa de 2010. Foi acionado na terceira partida da fase de grupos, no empate em 0x0 diante de Portugal.

• Hernanes

Foi acionado em duas partidas na Copa do Mundo de 2014. Na estreia, contra a Croácia, e nas quartas-de-final contra a Colômbia.

Iniciada em 1990, essa foi a maior sequência de Mundiais com jogadores na seleção brasileira que o Estado já viveu. Pernambuco, no entanto, não foi sempre lembrado. O primeiro jogador a vestir a camisa do Brasil numa Copa foi Ademir Menezes, apenas em 1950, quarta vez que o torneio foi realizado. Sem representantes em 1954, a primeira série com pelo menos um jogador local foi de 1958 a 1966, com quatro atletas atuando em três disputas. Mas, ao fim, um novo jejum, até Ricardo Rocha ser chamado para a Copa do Mundo na Itália, seis edições depois.

Das vinte Copas do Mundo realizadas até hoje, Pernambuco teve pelo menos um jogador em onze, e em quatro dos cinco títulos conquistados. Ao todo, foram 39 jogos com um atleta local presente, e 31 gols marcados. A lista final com os 23 convocados para o Mundial da Rússia será divulgada no dia 14 de maio no Rio.