O Top 5 brasileiro em Copas

Por Heitor Nery

Eleger os cinco maiores jogadores brasileiros na história das Copas é uma missão pra lá de complicada, devido ao rico histórico da Canarinho. Mas topamos o desafio. Junto com a TV e a Rádio Jornal e o Blog do Torcedor, o JC montou o Top 5. O Rei Pelé foi unanimidade. Ronaldo Fenômeno foi o segundo mais votado. Romário, Garrincha e o pernambucano Rivaldo fecham a seleta lista.

País com cinco títulos mundiais, o Brasil viu vários de seus jogadores brilharem ao longo das 20 edições já realizadas na Copa do Mundo. A lista com os destaques brasileiros que foram figuras de destaque em Mundiais é tão extensa, que fica difícil escolher quais os maiores jogadores da amarelinha que brilharam na principal competição do futebol mundial. Mas é um desafio que o JC realizou. Neste aquecimento para a Copa da Rússia, elegemos os cinco maiores nomes da história da seleção em Copas do Mundo, contando com votos de integrantes das equipes da TV Jornal, do Escrete de Ouro da Rádio Jornal e do Blog do Torcedor.

Ao todo, 26 profissionais participaram da votação e escolheram, cada um, cinco melhores brasileiros em Copas do Mundo. Foram citados 18 jogadores na votação (confira a lista abaixo), com nomes históricos como Leônidas da Silva, Zizinho, Bellini e Djalma Santos ficando de fora da lista, mas merecendo menções honrosas.

O primeiro colocado na eleição não poderia ser diferente. Único que já venceu a Copa do Mundo três vezes como jogador, Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, foi um nome unânime entre todos os votos. O Rei do Futebol foi o nome da seleção nos Mundiais de 1958 e 1970. O eterno camisa 10 ainda poderia deixar seu nome ainda mais na história da competição, mas lesões em 1962 (no começo da campanha o bi) e 1966 acabaram prejudicando o seu desempenho. Ao todo, Pelé disputou 14 partidas e anotou 12 gols em Copas.

O segundo colocado por pouco não foi eleito de forma unânime. Ronaldo “Fenômeno”, grande nome da conquista de 2002, é o maior goleador brasileiro em todas as edições de Mundial. Após fazer parte do grupo no título de 1994, Ronaldo se tornaria um dos principais nomes do futebol brasileiro para os próximos três Mundiais, marcando 15 gols em 19 partidas.

Um outro histórico atacante da Canarinho foi o terceiro colocado. O “baixinho” Romário, protagonista no título de 1994, recebeu 19 votos. O ex-goleiro Zetti, companheiro do camisa 11 naquela seleção, falou sobre o papel decisivo do baixinho na conquista. “Romário foi a peça mais importante para a seleção de 94. Às vezes ele era muito criticado por ficar ausente nos treinos, mas ele fazia o trabalho dele a parte. Ele estava sempre pronto para o jogo. E sem dúvida ele foi decisivo, não só ele, como todos os jogadores. Mas fora de campo ele foi uma peça importante para juntar a equipe e ajudar a buscar o título”, declarou.

Grande nome na conquista no Chile, Garrincha foi o quarto colocado na votação. Atuando ao lado de Pelé, Garrincha nunca perdeu uma partida de Copa do Mundo com a seleção. A lesão de Pelé em 1962 colocou no “anjo das pernas tortas” a responsabilidade de guiar a seleção brasileira ao bicampeonato, algo que foi tirado de letra pelo ponta. “Joguei pelo menos 12 anos ao lado do Pelé. No último ano ele ainda fazia coisas diferentes do que ele fazia no primeiro. E o Garrincha era um ponta-direita fantástico, que podia decidir qualquer partida”, declarou Pepe, bicampeão com a seleção brasileira nas Copas de 1958 e 1962.

O quinto lugar foi o mais disputado. Com apenas um voto de diferença para o sexto, o escolhido foi o meia Rivaldo, outro destaque na conquista de 2002 e que também chegou na final no outro Mundial que disputou, em 1998. O pernambucano foi o responsável por fechar esta lista, que exemplifica a tradição brasileira na história das Copas.

Infográfico sobre quantos votos receberam os outros jogadores
Infográfico sonre quais os jornalistas que votaram

Rivaldo se diz feliz com presença

Presente entre os cinco jogadores escolhidos pelo JC como os maiores da história da seleção brasileira, Rivaldo demonstrou felicidade com a nomeação. Perguntado se ele realmente se vê dentro dessa lista, o ídolo afirmou que é um orgulho receber esse tipo de reconhecimento, mas que prefere deixar esse tipo de avaliação para os torcedores e para a imprensa. “Primeiramente eu fico feliz de estar entre os cinco. É um orgulho saber disso, por ser pernambucano e ter conquistado esse feito de estar entre os melhores brasileiros em Copas do Mundo. Eu não gosto de opinar sobre mim mesmo, eu prefiro deixar isso para a imprensa e para os próprios torcedores, e isso é o mais importante”, declarou o jogador.

Mesmo sendo eleito o melhor jogador do mundo em 1999, quando atuava pelo Barcelona, a carreira de Rivaldo ficou, de alguma maneira, subestimada dentro do Brasil. O estilo mais quieto do que a comparação com outros jogadores de sua geração, como Romário e Ronaldo, além do final de carreira esticado, quando teve passagens por São Caetano e Mogi Mirim, clube onde foi o presidente, foram alguns dos fatores que contribuíram para essa imagem. Mas nada suficiente para afastar o rótulo de craque construído dentro das quatro linhas.

Quando foi chamado para defender a seleção brasileira Rivaldo sempre correspondeu em campo. O pernambucano está entre os 10 maiores artilheiros da história da amarelinha, com 37 gols em 74 jogos, com uma boa média de 0,5 por partida. O desempenho em Copas também mostra a importância que Rivaldo tinha para a seleção brasileira. Nos Mundiais de 1998 e 2002, anotou oito gols, sendo responsável também por três assistências. Mas o que chama a atenção é o seu fator decisivo. Dos oito gols do pernambucano em Copas, metade ocorreu no mata-mata. Contra a Dinamarca, em 1998, Rivaldo foi responsável por marcar duas vezes na vitória por 3x2 sobre a Dinamarca. Já em 2002, Rivaldo abriu o placar contra a Bélgica, em uma partida bastante truncada para o Brasil, e o gol de empate contra a Inglaterra, evitando que a equipe de Felipão fosse para o intervalo perdendo para os britânicos. Mesmo quando não marcava, Rivaldo tinha presenças decisivas, como na decisão contra a Alemanha, quando participou dos dois gols de Ronaldo que garantiram o pentacampeonato.

O jogador reconhece a sua importância para a amarelinha. Além do desempenho decisivo, o jogador lembrou de outras características que marcaram sua passagem pela seleção, como os fatos de ter utilizado a camisa 10 em duas Copas (estando ao lado de Pelé, Rivellino e Zico como os únicos a utilizar o número em mais de uma edição do Mundial) e de ter entrado como titular em todos os jogos que disputou. “Sei da minha importância para a seleção brasileira, da responsabilidade que tive. Joguei duas Copas do Mundo, as duas com a camisa 10, então isso ainda aumentou a responsabilidade que tive na seleção. E sempre como titular e jogando praticamente todos os minutos. E correspondi em campo, marquei 8 gols jogando em Copas”, concluiu.