Elisângela Lins

Sonhos cumpridos no mercado de trabalho


Na casa de Elza Luiza da Silva, 20 anos, ela é a única pessoa da família com emprego de carteira assinada. Embora a mãe e os três irmãos estejam em idade economicamente ativa, a crise encolheu as chances no mercado de trabalho. Moradora do bairro do Pina e ex-aluna do Instituto João Carlos Paes Mendonça de Compromisso Social (IJCPM), Elza conseguiu seu primeiro emprego na loja da Tabira do RioMar Recife, em janeiro deste ano. A remuneração que recebe como comerciária ajuda a mãe diarista a manter a casa. Entre 2012 e 2017, o IJCPM conseguiu colocar 1.831 jovens das comunidades do Pina e de Brasília Teimosa no mundo do trabalho. Nas seis unidades do IJCPM em Recife, Salvador, Fortaleza e Aracaju foram 4.068 inserções desde 2007.

“No Instituto fiz cursos de inglês, informática, multidisciplinar e pré-vestibular. Se não fosse pelo trabalho deles de inserir jovens no mercado de trabalho não estaria hoje na Tabira, porque minha família não teria condição de pagar esses cursos de qualificação”, afirma Elza. Evangélica, ela fez Enem este ano para cursar biomedicina, mas também pensa em fazer teologia para se tornar pastora. “Se não passar numa universidade pública, vou pagar uma faculdade com meu salário”, planeja. Elza está fora da estatística dos jovens que não trabalham nem estudam, a chamada geração nem nem. No País, de cada dez pessoas com idades entre 18 e 24 anos, três estão totalmente desocupados. São 6,6 milhões de jovens que deveriam estar ingressando na universidade ou no mercado de trabalho, mas encontram portas fechadas.

Entre 2009 e 2017, o IJCPM realizou 2.802 cursos de qualificação profissional. “Aqui no Instituto a gente prepara o jovem para a vida. Ele pode escolher ir para o mercado de trabalho, cursar universidade, fazer curso técnico ou empreender. Nossos cursos de qualificação vão desde o Jovem Aprendiz (em parceria com o Senac e o CIEE) até opções de aperfeiçoamentos para ensinar conteúdos como inteligência emocional, trabalho em equipe, apresentação em público, preparação de currículo e orientação para entrevistas de trabalho. Todos indispensáveis para quem quer se inserir no mercado de trabalho”, enumera a coordenadora de projetos sociais do IJCPM, Marina Amorim.

O trabalho do Instituto na colocação de jovens no mercado começou com a implantação do RioMar Recife, em 2009, quando foram realizados os primeiros cursos voltados para a construção civil. As pessoas da comunidade foram qualificadas para trabalhar na obra do mall. Depois vieram os cursos de varejo, que capacitaram profissionais para atuar nas lojas. As oportunidades no centro de compras são mapeadas pelo Instituto, que tem um banco de mil currículos com diferentes perfis para indicar aos lojistas.







Pesquisa realizada com 500 jovens acompanhados pelo Instituto, depois que ingressaram no mercado de trabalho entre 2009 e 2017, mostra que 45% ainda estão em atividade. A maior parte é do sexo feminino (52%), mora no Pina (52%), está na faixa etária entre 20 e 25 anos (49%) e concluíram o Ensino Médio (53%). O levantamento também aponta que 12% dos jovens foram promovidos.

Morador de Brasília Teimosa, Gedson Henrique da Silva, 24, trabalha há 4 anos no Outback do RioMar Recife. Conseguiu o emprego por indicação do IJCPM e durante sua passagem pela empresa já foi promovido de garçom para bartender. Hoje se divide entre o sonho de estudar música e fazer engenharia mecânica. “Além de nos abrir as portas do mercado de trabalho, o Instituto nos dá a chance de escolher caminhos. Se não fosse a oportunidade de fazer vários cursos não sei o que estaria fazendo agora. Antes do Instituto só vivia na rua jogando bola. Aprendi a ser mais responsável”, observa. Quando não está trabalhando, Gedson toca percussão na banda Zoadões do Forro, que nasceu na comunidade.

Ex-aluna do IJCPM, Elisângela Lins, 23, se diz veterana do programa de compromisso social. “Comecei no Instituto quando ainda era Espaço Jovem, em Brasília Teimosa. Aproveitei todas as oportunidades possíveis, fazendo cursos de teatro, multidisciplinar, inglês e informática. O Instituto foi importante porque me abriu as portas do emprego. Meu primeiro trabalho com carteira assinada foi como auditora de vendas no RioMar, graças à indicação do IJCPM. Eu só tinha 18 anos e tinha dinheiro para fazer minhas coisas. Em 2014, comecei a trabalhar na Crawford (grife de roupas masculinas) do RioMar e, nesse tempo, já fui promovida de caixa para vendedora”, comemora.

Elisângela resume o sentimento dos jovens que passam pelo Instituto. “Eles nos ensinam a acreditar em nós mesmos. Não é porque somos jovens de comunidade que vamos nos limitar a essa realidade. É possível sonhar e acreditar num futuro diferente”, defende.










Expediente

26 de novembro de 2017

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