Um futuro de muitas faces


A menina de voz rouca e riso fácil inspira e emociona quando fala de sonhos. “Eu quero ser médica militar. Sei que não tenho tanta condição, porque sou de família carente, mas eu tenho o meu querer. E se eu quero, eu vou buscar e vou conseguir. Eu acredito em mim. Sei que precisamos colocar os pés no chão, mas todo ser humano deve sonhar, ou não chega em lugar nenhum.” A fala empoderada de Maria do Carmo Alcântara, 16 anos, espelha o pensamento de outros jovens que frequentam ou frequentaram o Instituto João Carlos Paes Mendonça de Compromisso Social (IJCPM). Este ano, a entidade completa uma década de criação, educando e qualificando jovens de comunidades vizinhas aos empreendimentos do Grupo JCPM nas cidades de Recife, Fortaleza, Salvador e Aracaju. Na próxima terça-feira (28), às 18h, o Instituto será homenageado pelos seus 10 anos, em reunião solene na Assembleia Legislativa de Pernambuco, por proposição do deputado Waldemar Borges (PSB).

“Nesses 10 anos, percebemos que trabalhar com o entorno dos empreendimentos do Grupo foi uma decisão acertada. Diante de uma realidade de diferenças sociais alarmantes, era preciso intervir e tentar contribuir para melhorar. Outro acerto foi trabalhar com a juventude (de 16 a 24 anos), porque estamos tratando do futuro do País. Ao longo de uma década fomos acompanhando a evolução desses jovens e reestruturando nossas ações para atendê-los”, pontua a diretora de Desenvolvimento Social do Grupo JCPM, Lúcia Pontes.

A história do Instituto começou no Recife, em 2007, com a proposta de apoiar projetos sociais nas comunidades de Brasília Teimosa e do Pina. As primeiras ações foram realizadas na Escola Assis Chateaubriand, no Pina, apoiando o Projeto Bantu, uma parceria entre uma design de joias artesanais e a juventude local. Em 2009, foi alugado um imóvel em Brasília Teimosa, que passou a se chamar Espaço Jovem Rumo ao Futuro.







“Em 2010, durante o projeto de implantação do RioMar Recife, atuamos na obra desenvolvendo um programa de capacitação na construção civil com moradores. Além disso, abrimos um forte diálogo com a comunidade a partir da apresentação do projeto”, detalha a coordenadora de Desenvolvimento Social do Grupo, Fábia Siqueira. Nesse período, o Espaço Jovem passa a ganhar outro nome e é batizado de Instituto JCPM de Compromisso Social e passou a fazer parte da estratégia do Grupo. Hoje são seis unidades funcionando dentro dos shoppings da holding nos Estados de Pernambuco, Ceará, Bahia e Sergipe.

“Temos um passivo de desigualdades que precisa ser corrigido. Sabemos que isso é obrigação do Poder Público, mas iniciativas como a do IJCPM, que complementam esse esforço, precisam ser valorizadas”, defende Waldemar Borges.

“Quando começamos o trabalho no Recife, dialogávamos com um jovem que só tinha acesso à internet na lanhouse e que estava interessado em cursos profissionalizantes, inglês e informática. Hoje 91% usam internet em casa e querem aprender sobre design gráfico, games, audiovisual, aplicativos e linguagem de programação. Eles também estão mais seletivos em relação ao mundo do trabalho. Querem cursar universidade e recusam ofertas de emprego que não são de interesse”, destaca a gerente de desenvolvimento social do Grupo JCPM, Juliana Martorelli. Para atender a essas demandas, o IJCPM está reavaliando seu planejamento.







O coordenador de projetos sociais do Instituto, Carlos Duarte, diz que uma das novidades de sucesso foi o curso de robótica, ministrado pela Robolivre. A ideia era começar com um projeto-piloto de uma turma e hoje já são três. “Outro diferencial foi a customização do pré-vestibular. O curso existe desde 2012, mas nos últimos dois anos vem sendo realizado em parceria com o Direto ao Ponto, especializado em tecnologia da educação para jovens de periferia”, explica, avaliando que o desempenho dos alunos melhorou. “A mentoria foi uma inovação bem aceita pelos estudantes. Eles recebem acompanhamento individual para ajudar no planejamento dos estudos e nas dificuldades nos conteúdos”, diz o executivo do Direto ao Ponto, Felipe Liberal. Em 2016, de uma turma de 60 alunos, 17 (quase 30%) foram aprovados no Enem. Dois alunos tiraram nota 980 (o máximo é 1 mil) na redação e outros cinco cravaram nota acima de 900.

Desde que fez curso e teatro no Instituto, Edson Araújo Silva, 17, alimenta o sonho de criar uma Academia de Artes. “Antes do teatro eu era muito tímido e depois fiquei mais sociável. Me apaixonei por essa arte, que nos dá a possibilidade de viver outras vidas além da nossa. Na Academia quero oferecer aulas de teatro para a comunidade”, afirma. Além do sonho artístico, Edson também quer cursar administração para cuidar da gestão da Academia e ter outros oportunidades profissionais”, diz. Morador de Brasília Teimosa, ele participa do teatro da Igreja Nossa Senhora do Rosário, no bairro vizinho do Pina.

Leitora de Freud, Ana Maria Souza quer ser psicóloga. “A profissão ajuda a compreender você mesma e o mundo. Também permite trabalhar alteridade e empatia, além de compreender os fenômenos sociais. Saí do curso do pré-vestibular mais madura. Tivemos aulas de argumentação para aprender a expressar nossa opinião”, conta. Aos 17 anos, Ana Maria é um prodígio. Conversa com desenvoltura sobre filosofia e literatura e diz que quer aprender mais. E assim são os meninos do Instituto. Ana Maria quer ser psicóloga, Rebeca vai seguir carreira militar, Steven sonha em ser escritor, Paloma se imagina advogada, Thaís pensa em ser fisioterapeuta e, todos, acreditam que o futuro depende do empenho de cada um.






Linha do tempo do Instituto JCPM

Entre 2009 a 2017, o Instituto JCPM realizou mais de 10 mil atendimentos com os jovens do Pina e de Brasília Teimosa

Educação para a vida: jovens decidem se querem cursar universidade, fazer curso técnico ou empreender

Pré-vestibular é um dos cursos do IJCPM. São 60 vagas, com um programa customizado para os jovens de periferia

Em 2016, dois alunos do pré-vestibular do IJCPM tiraram nota 980 (o máximo é 1.000) na prova do Enem

IJCPM começou este ano a oferecer curso de robótica, atendendo a uma demanda dos jovens por inovação

Proposta do IJCPM era abrir uma turma-piloto de robótica este ano, mas o sucesso foi tanto que já são três

Ensino da robótica também trabalha conteúdos como raciocínio lógico e estimula trabalho em equipe

Maria do Carmo Alcântara, de Brasília Teimosa, faz parte das primeiras turmas de robótica do IJCPM

Informática foi um dos primeiros cursos oferecidos pelo IJCPM, atendendo a pedido dos jovens das comunidades

Momento de relaxar: alunos do IJCPM participaram de aula de pilates e de dança antes das provas do Enem

Instituto estimula diversidade e expressão cultural dos alunos das comunidades do Pina e de Brasília Teimosa

Equipe do IJCPM: Lúcia Pontes (centro), ladeada por Carlos Duarte, Fábia Siqueira, Juliana Martorelli e Marina Amorim

Expediente

26 de novembro de 2017

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