Gastos dos Parlamentares

Os deputados federais da bancada pernambucana gastaram, no primeiro semestre deste ano, R$ 5,1 milhões em verbas de cotas parlamentares. Já os senadores gastaram R$ 692 mil. Os dados foram coletados com base no portal da transparência da Câmara e do Senado.

Como os deputados pernambucanos gastam a cota parlamentar

Os deputados pernambucanos justificaram os gastos com a cota parlamentar. Zeca Cavalcanti (PTB), que lidera a lista de gastos, informou que os custos com divulgação do mandato, devido a sua base eleitoral estar localizada no Sertão, demanda estudos especializados para o desempenho do mandato.

Betinho Gomes (PSDB) informou que os gastos com divulgação do seu mandato, sobretudo com manutenção das redes sociais ajudam a aproximar dos eleitores e faz com que eles apresentem demandas para o mandato. “Esse tipo de atividade de comunicação, sobretudo nas redes sociais, requer uma equipe específica que possa administrar a formatação da comunicação. No gabinete, a equipe é direcionada para cuidar das demandas das bases no Estado”, disse.

João Fernando Coutinho (PSB) afirmou que o contrato para manutenção do seu site, que está fora do ar, inclui também manutenção de perfis no Facebook e Instagram, e que R$ 35 mil gastos com outdoors no interior para divulgação de medidas do seu mandato.

Por nota, Jarbas Vasconcelos (PMDB) afirmou que “os gastos com as duas consultorias de comunicação em questão são para serviços que demandam mão de obra, equipamentos e sistemas específicos”.

Sobre os gastos com combustível, Wolney Queiroz (PDT), explicou que as despesas referem-se aos carros que estão serviço do mandato em Brasília, Recife e Caruaru. “Eu vivo na estrada e, como resido em Caruaru, viajo três ou quatro vezes por semana para Recife. Sem falar nas viagens para o Agreste, Zona da Mata e Sertão”, explicou.
Augusto Coutinho (SD) explicou que os gastos com aluguel referem-se a despesas também com energia, água, IPTU, condomínio e material de escritório e que o valor do aluguel “é condizente com o que é praticado no mercado”. Sobre o combustível, o deputado afirmou que os gastos são frentes aos veículos que estão à disposição do mandato, não limitando apenas ao locado com recurso da cota.

Tadeu Alencar (PSB) também afirmou que o aluguel do seu escritório está dentro do valor praticado pelo mercado e que o gasto inclui despesas com condomínio, IPTU, energia, telefonia, locação de mobiliário e equipamentos de informática, além de insumos.

Guilherme Coelho explicou que o seu gasto com passagens afirmando que deslocamento para Petrolina, a partir de Brasília, não tem voo direto e as conexões encarecem o trecho. “Tem vezes que vou para o aeroporto de Viracopos (Campinas, algumas para Salvador. É quase um dia de viagem”, justificou.

Severino Ninho (PSB) explicou que a pesquisa contratada para o seu reduto eleitoral foi elaborada para identificar os os principais problemas da região. O deputado afirmou, ainda que itens apontados na pesquisa, como a recuperação da ponte de Itamaracá e a retomada de obras da UPAE de Abreu e Lima foram iniciadas pelo governo do Estado.

Sobre os gastos com Correios, o deputado André de Paula (SD) informou que tem uma mala direta com 40 mil pessoas. “Sempre priorizei o contato permanente com quem procuro representar. Faço isso via Correios, rede social, telefone, entrevistas”, explicou. Já Gonzaga Patriota informou que tem mais de 100 mil nomes da sua lista de mala direta e que gasta o valor, entre outros, com o envio de livros de sua autoria publicados pela própria Câmara, que compilam seus pronunciamentos. “Quem não tem dinheiro para comprar voto, pra gastar com eleitor em época de eleição, tem que fazer comunicação com o povo”, explicou.

Marinaldo Rosendo (PSB) informou que abriu mão do uso de outros benefícios da cota parlamentar para apenas a utilização de passagens aéreas.

Procurado pela reportagem, Adalberto Cavalcanti não enviou resposta.

O valor da cota é aplicado em gastos como passagens aéreas, combustível, aluguel de escritórios e carros, além de serviços, como contratos para divulgação da atividade parlamentar e consultorias. Os dados do portal da transparência são públicos e podem ser consultados por qualquer cidadão.

Combustível e aluguel lideram gastos da cota

O levantamento feito pela reportagem sugere algumas inconsistências de gastos. O deputado Augusto Coutinho (SD), 7º no ranking geral de gastos da bancada com as cotas, apresenta uma despesa de R$ 19.436,22 com combustíveis nos primeiros seis meses de 2017. Nos recibos apresentados à Câmara, consta a locação de uma camionete movida a diesel. No entanto, nas notas de postos apresentadas na prestação de contas há gastos discriminados também com gasolina, combustível incompatível com o carro locado oficialmente.

Augusto também é deputado da bancada que mais gasta em aluguéis. Nos seis primeiros meses do ano, foram empregados R$ 62.634,06 nos dispêndios com imóveis. O segundo parlamentar que mais gasta com aluguel é Tadeu Alencar (PSB), R$ 60.689,81. Na outra ponta da tabela, há cinco deputados que não declararam gastos com escritórios – Guilherme Coelho (PSDB), Zeca Cavalcanti (PTB), Pastor Eurico (PHS), Marinaldo Rosendo (PSB) e Eduardo da Fonte (PP).

Na cota de Adalberto Cavalcanti (PTB), está R$ 34.329,68 em combustíveis. Foi quem mais consumiu do item. Em fevereiro, há uma nota de combustível onde consta a compra de 990 litros de óleo diesel. Nesse mês, há cadastrada no Portal da Transparência da Câmara uma única nota no valor de R$ 5.998,41, do posto São Francisco Comércio de Derivados de Petróleo LTDA, com sede no bairro de Ouro Preto, em Petrolina.

O parlamentar possui dois carros locados em nome da Câmara, um GM Cruise, movido a álcool e gasolina, e uma caminhonete Ford Ranger, a diesel, segundo dados públicos do site do Detran, obtido com a consulta das placas, disponíveis nas notas dos contratos. O consumo médio da caminhonete é de 9 quilômetros por litro, de acordo com dados da montadora. Com o volume de combustível comprado pelo deputado, daria para percorrer os 713 quilômetros de distância entre o Recife e Petrolina, seu reduto eleitoral, indo e voltando, pelo menos seis vezes. Entre os gastos, há também passagens áreas com destino a Petrolina.

Wolney Queiroz (PDT) é o segundo parlamentar que mais gastou com combustível, somando R$ 33.571,00 no primeiro semestre. Guilherme Coelho (PSDB) vem em terceiro, com gastos de R$ 33.192,58 no mesmo período.
O deputado Marinaldo Rosendo (PSB) gastou no primeiro semestre R$ 198.099,25 com passagens aéreas. O segundo deputado que mais gastou com passagens foi Guilherme Coelho (PSDB), R$ 68.359,53.

Em tempos de aproximação com o eleitor por meio das redes sociais, saltam aos olhos os valores das cotas aplicados por Gonzaga Patriota (PSB) e André de Paula (PSD) com serviços postais. O socialista gastou R$ 33.301,01 com Correios, enquanto o custo de André de Paula com o serviço foi de R$ 31.431,42.

O que os deputados falam sobre os gastos

Os deputados pernambucanos justificaram os gastos com a cota parlamentar. Zeca Cavalcanti (PTB), que lidera a lista de gastos, informou que os custos com divulgação do mandato, devido a sua base eleitoral estar localizada no Sertão, demanda estudos especializados para o desempenho do mandato.

Betinho Gomes (PSDB) informou que os gastos com divulgação do seu mandato, sobretudo com manutenção das redes sociais ajudam a aproximar dos eleitores e faz com que eles apresentem demandas para o mandato. “Esse tipo de atividade de comunicação, sobretudo nas redes sociais, requer uma equipe específica que possa administrar a formatação da comunicação. No gabinete, a equipe é direcionada para cuidar das demandas das bases no Estado”, disse.

João Fernando Coutinho (PSB) afirmou que o contrato para manutenção do seu site, que está fora do ar, inclui também manutenção de perfis no Facebook e Instagram, e que R$ 35 mil gastos com outdoors no interior para divulgação de medidas do seu mandato.

Por nota, Jarbas Vasconcelos (PMDB) afirmou que “os gastos com as duas consultorias de comunicação em questão são para serviços que demandam mão de obra, equipamentos e sistemas específicos”.

Sobre os gastos com combustível, Wolney Queiroz (PDT), explicou que as despesas referem-se aos carros que estão serviço do mandato em Brasília, Recife e Caruaru. “Eu vivo na estrada e, como resido em Caruaru, viajo três ou quatro vezes por semana para Recife. Sem falar nas viagens para o Agreste, Zona da Mata e Sertão”, explicou.
Augusto Coutinho (SD) explicou que os gastos com aluguel referem-se a despesas também com energia, água, IPTU, condomínio e material de escritório e que o valor do aluguel “é condizente com o que é praticado no mercado”. Sobre o combustível, o deputado afirmou que os gastos são frentes aos veículos que estão à disposição do mandato, não limitando apenas ao locado com recurso da cota.

Tadeu Alencar (PSB) também afirmou que o aluguel do seu escritório está dentro do valor praticado pelo mercado e que o gasto inclui despesas com condomínio, IPTU, energia, telefonia, locação de mobiliário e equipamentos de informática, além de insumos.

Guilherme Coelho explicou que o seu gasto com passagens afirmando que deslocamento para Petrolina, a partir de Brasília, não tem voo direto e as conexões encarecem o trecho. “Tem vezes que vou para o aeroporto de Viracopos (Campinas, algumas para Salvador. É quase um dia de viagem”, justificou.

Severino Ninho (PSB) explicou que a pesquisa contratada para o seu reduto eleitoral foi elaborada para identificar os os principais problemas da região. O deputado afirmou, ainda que itens apontados na pesquisa, como a recuperação da ponte de Itamaracá e a retomada de obras da UPAE de Abreu e Lima foram iniciadas pelo governo do Estado.

Sobre os gastos com Correios, o deputado André de Paula (SD) informou que tem uma mala direta com 40 mil pessoas. “Sempre priorizei o contato permanente com quem procuro representar. Faço isso via Correios, rede social, telefone, entrevistas”, explicou. Já Gonzaga Patriota informou que tem mais de 100 mil nomes da sua lista de mala direta e que gasta o valor, entre outros, com o envio de livros de sua autoria publicados pela própria Câmara, que compilam seus pronunciamentos. “Quem não tem dinheiro para comprar voto, pra gastar com eleitor em época de eleição, tem que fazer comunicação com o povo”, explicou.

Marinaldo Rosendo (PSB) informou que abriu mão do uso de outros benefícios da cota parlamentar para apenas a utilização de passagens aéreas.

Procurado pela reportagem, Adalberto Cavalcanti não enviou resposta.

Gastos dos Senadores

No Senado, a cota é destinada para aluguel de escritórios, locomoção, combustível, hospedagem, alimentação, combustíveis, assessorias, pesquisas, passagens aéreas e serviços de segurança privada.

Como os senadores pernambucanos gastam a cota parlamentar

Os três senadores pernambucanos gastaram R$ 692 mil reais com o uso da cota parlamentar no primeiro semestre de 2017. Em primeiro lugar no ranking, quem mais gastou foi Humberto Costa (PT), que recebeu o reembolso de R$ 260.206,68, seguido de Fernando Bezerra Coelho (PSB), com 212.394,89 e Armando Monteiro Neto, que utilizou R$ 212.394,89 em recursos para o desempenho das suas atividades. O levantamento dos gastos foi feito pelo JC com base nos dados disponíveis no portal da transparência do Senado, que são públicos.

O valor mensal destinado à Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar dos Senadores (CEAPS) varia de acordo com o estado que cada senador representa. Ele corresponde à soma da verba indenizatória de R$ 15 mil acrescidos do valor de cinco passagens aéreas entre Brasília e a capital do seu estado de origem. No caso de Pernambuco, o valor destinado para a bancada pernambucana é de R$ 36.266,60. No Portal da Transparência do Senado Federal, a cota está dividida em aluguel de imóveis e aquisição de material de consumo para uso do escritório; Locomoção, hospedagem, alimentação, combustíveis; Contratação de serviços de apoio; Divulgação da atividade parlamentar; Passagens aéreas, aquáticas e terrestres nacionais e Serviços de segurança privada. Esta última categoria não é utilizada por nenhum dos pernambucanos.

Além de ser o campeão nos gastos, o senador Humberto Costa é também o que mais apresenta despesas com aluguel de imóveis para o escritório político, que englobam despesas como água, luz, telefone e IPTU. As notas fiscais com o aluguel de quatro salas conjugadas em um empresarial no bairro de Boa Viagem, zona sul do Recife, somaram em seis meses a despesa de R$ 43.800,00. Outra categoria em que o petista está no topo é aquisição de material de consumo, que inclui serviços postais e locação de equipamentos, uma vez que não é permitido adquirir nenhum bem permanente através da cota. O valor semestral gasto por ele, de R$ 10853,76, é superior à soma dos outros dois senadores, que corresponde a R$ 7.251,67. As maiores notas são com aluguel de microcomputadores, que correspondem a R$ 1.970,00 mensais. Em contrapartida, Humberto é o que menos gasta com a rubrica de contratação de serviços de apoio ao parlamentar, de apenas R$ 1.652,94, em despesas com armazenamento de documentos inativos.

O senador Fernando Bezerra Coelho (PSB) fica muito a frente dos demais pernambucanos nessa categoria, que por sinal é a segunda com qual ele mais gasta, contabilizando um valor semestral de R$ 47.697,50. As notas atestam serviços de assessoria de imprensa (R$ 24.000,00) análise qualitativa de mídia (R$ 3699,99) e clipping de notícias (R$ 9.600,00). Fernando, porém, está na outra ponta do ranking nos gastos em aquisição de material de consumo, com apenas R$ 2.245,73 e também não apresenta nenhuma nota na categoria divulgação da atividade parlamentar.

Armando Monteiro Neto (PTB) é praticamente o único que utiliza a cota para divulgação da atividade parlamentar, já que Humberto tem apenas uma nota de R$ 700,00 e Fernando não utilizou nenhum recurso. Esta rubrica fica em terceiro lugar nos gastos totais de Armando no semestre. As notas somaram R$ 53.520,00, para pagamento de serviços com comunicação da atuação senador através da internet e redes sociais.

Os três senadores pernambucanos gastaram R$ 692 mil reais com o uso da cota parlamentar no primeiro semestre de 2017. No topo dos gastos, está Humberto Costa, com R$ 260,2 mil, seguido por Fernando Bezerra, com R$ 219,4 mil, e por último está Armando Monteiro, com R$ 212,3 mil.

O que dizem os senadores sobre os gastos com a cota parlamentar

Os senadores pernambucanos explicaram os gastos com a cota parlamentar. A assessoria de Humberto Costa esclareceu que as despesas estão dentro do limite estabelecido e seguem o que determina o regimento interno do Senado. A nota enviada afirma, ainda, que o valor gasto com aluguel refere-se a quatro salas em um empresarial em Boa Viagem e está dentro do praticado pelo mercado. “Neste montante, estão inclusos o IPTU, o condomínio e o gasto mensal de água”, diz o texto. No escritório do senador, trabalham 20 assessores.

Também através de nota, o Fernando Bezerra (PSB) afirmou que o valor gasto com divulgação do mandato inclui clipping diário de notícias e produção de peças para as redes sociais. “Os gastos mensais do gabinete estão totalmente em conformidade com as necessidades do mandato e as normativas/cotas do Senado Federal”, diz o texto.

Armando Monteiro Neto (PTB) disse que acompanha os gastos dos demais senadores e afirma, como o levantamento do JC constatou, que é o que menos gasta os recursos da cota parlamentar da bancada. Sobre os valores pagos com divulgação do mandato, o petebista afirmou que seus gastos estão dentro do que é permitido. “Tem uns que gastam mais com deslocamentos e gastos de transporte e outros que contratam empresas voltadas para mídia digital e comunicação. Depende do perfil do senador, como ele atua, do que ele valoriza. Estritamente dentro do que é permito, eu contrato profissionais que possam me oferecer suporte. Eu não tenho como fazer tudo com a estrutura do meu gabinete, com serviços especializados também”, explicou.

Expediente

27 de Agosto de 2017

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