Jornal do Commercio

Fono na escola

Cenários escolares

O sucesso de professores e fonoaudiólogos que caminham de mãos dadas

Na escola, o fonoaudiólogo pode assumir o papel de maestro de uma grande orquestra formada por professores que sabem o valor da promoção das habilidades comunicativas na infância. Nesse contexto, ele pode dar uma mãozinha à equipe pedagógica no que diz respeito a questões ligadas ao desenvolvimento da aprendizagem. Na rede de ensino, o fonoaudiólogo espia bem a desenvoltura dos alunos diante do uso das linguagens oral e escrita, da voz, da audição e da motricidade orofacial. Essa última se refere a tudo que está relacionado à musculatura dos lábios, à língua, a bochechas e à face, assim como funções como respiração, mastigação, deglutição e fala.

alunos do Centro Escolar Carochinha durante atividade com a fono Tereza Didier
Tereza Didier promove atividades no Carochinha

Esse é um cenário comum no Centro Escolar Carochinha, no Poço da Panela, onde a fonoaudióloga Teresa Didier se une ao time de professores para mostrar que, inserida no contexto escolar, ela também assume a função de educadora e se torna corresponsável pela promoção da aprendizagem das crianças.

O trabalho de Teresa Didier é feito em parceria com a também fonoaudióloga Tereza Paula Albuquerque. O projeto que elas desenvolvem com as turmas da educação infantil ao 5º ano do ensino fundamental estimula os alunos a se expressarem livremente através de poesia, literatura de cordel, entrevista, dramatização, música, artes plásticas e contação de histórias. A coletânea dessas atividades resulta na edição de um livro que se constitui num registro de todo o processo de evolução de escrita dos alunos. Elas ainda se inspiram em campanhas educativas para sensibilizar e estimular a garotada a promover uma mudança de hábitos alimentares e cuidados com a voz.

“Nossa atuação na escola propicia a organização do pensamento e o enriquecimento do vocabulário. Recorremos a temas do cotidiano para estimular a criança, que se envolve com as atividades de forma prazerosa”, diz Teresa Didier, que está à frente do serviço de fonoaudiologia do Carochinha há mais de duas décadas. É durante as brincadeiras pra lá de pedagógicas que ela consegue espiar como estão as habilidades narrativas da garotada e as funções como respiração e fala.

Se durante a atividade lúdica Teresa flagra algum problema, nada de tratar a criança na escola. Eis o porquê: esse não é um lugar de diagnóstico e nem de terapia. “Enquanto educador, o fono atua na prevenção de distúrbios da comunicação e transtornos de aprendizagem. A intervenção clínica, focada no tratamento de algum problema, deve ser feita fora do ambiente escolar”, avisa a presidente do Conselho Federal de Fonoaudiologia (CFFa), Bianca Queiroga

Família Lubienska
Daniel recebe apoio na Lubienska

A equipe pedagógica da Escola Lubienska, na Torre, reconhece esse alerta e recebe suporte frequente da fonoaudióloga Renata da Fonte, que abraça ações cujo objetivo planejar e desenvolver situações que favorecem o desenvolvimento de habilidades comunicativas. Todo esse trabalho é acompanhado de um olhar capaz de identificar condições de risco que abrem portas para possíveis dificuldades que os alunos possam apresentar.

“Também com base no nosso olhar e vivência com os alunos, ela consegue identificar as crianças que precisam de acompanhamento fora da escola para melhorar a fala ou tratar transtornos de aprendizagem”, diz a coordenadora pedagógica da educação infantil do 1º ano da Lubienska, Ana Paula Figueiredo. “A fonoaudióloga até nos orienta sobre a conduta que devemos ter em sala de aula diante de crianças com dificuldades.”

Graças a essa atuação da escola, a dentista Roberta Menezes, 42 anos, contou com orientações para lidar adequadamente com o desvio fonológico (caracterizado por alterações de sons na fala devido à troca de fonemas) do filho, o estudante Daniel Menezes, 9. “Acho muito importante ter, no colégio, um fono para promover as habilidades comunicativas dele a partir de um olhar especial. Ele já superou a troca de fonemas”, conta Roberta. Ela diz que Daniel continua a fazer terapia com um fono fora da escola para vencer a gagueira. “Já melhorou muito.”

Os resultados que Daniel têm apresentado são reflexo do suporte da família, do encaminhamento precoce para avaliação do fonoaudiólogo e do acompanhamento especial para atender às suas necessidades educacionais.