Distância pode ter levado à fuga de fiéis, diz papa

?A Igreja é como uma mãe. Nem eu nem você conhecemos uma mãe que age por correspondência.?

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Foto: LUCA ZENNARO / POOL / AFP

O papa Francisco disse em entrevista ao Fantástico, da Rede Globo, que a falta de proximidade com seus discípulos pode ter causado o enfraquecimento da Igreja no Brasil e na América Latina. Em meia hora de entrevista, o pontífice respondeu também sobre manifestações no Brasil e no mundo, comentou escândalos do Vaticano revelados pelo vazamento de documentos secretos (no episódio conhecido como Vatileaks) e expôs um pouco dos bastidores da sua própria eleição, em março.

“A Igreja é como uma mãe. Nem eu nem você conhecemos uma mãe que age por correspondência.” Para o pontífice, faltam sacerdotes, especialmente em locais mais isolados, e os cristãos recorrem a pastores protestantes. “As pessoas precisam do Evangelho e vão ouvir um pastor que os dê atenção.”

Francisco disse que os problemas atuais da Igreja ajudaram a pautar a escolha do pontífice, em especial nas reuniões anteriores ao Conclave, as Congregações Gerais. “Naquela ocasião falamos claramente sobre problemas da Igreja, para deixar clara a realidade e traçar o perfil do próximo papa. Havia problemas de escândalos, mas também se falou de certas reformas funcionais necessárias.”

Nas reuniões ficou decidido que quem quer que fosse o próximo líder da Igreja criaria uma comissão para revisar a administração do Vaticano. “Um mês depois da minha eleição nomeei a comissão, com oito cardeais. As primeiras reuniões serão nos dias 1, 2 e 3 de outubro.”

O pontífice defendeu a atuação da Cúria. “A Cúria sempre foi criticada. Mas lá há muitos santos, gente de Deus que gosta da Igreja.” O papa citou um provérbio para explicar o foco nos escândalos: “Faz mais barulho uma árvore que cai que um bosque que cresce”. Sobre o monsenhor Nunzio Scarano, alto funcionário do Vaticano acusado de lavagem de dinheiro, Francisco disse que “é preciso reconhecer que ele agiu mal e vai ter a punição que merece”.

MANIFESTAÇÕES - Francisco disse não saber o motivo específico do descontentamento que motiva protestos dos jovens no Brasil, mas, para ele, essa geração deve ser ouvida. “Devemos dar lugar para os jovens se expressarem e cuidar para que não sejam manipulados.” E ainda deu seu apoio a manifestações: “Um jovem que não protesta não me agrada”.




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