Faixas exclusivas

3,3 km de faixas exclusivas para os ônibus existiam em Fortaleza em 2013 107 km é a extensão em 2018 2.900% é o percentual de crescimento x

Transporte público no mesmo ritmo

Não na mesma proporção da ciclomobilidade, mas a capital cearense também acumulou avanços no transporte público por ônibus. Em 2013, tinha 3,3 quilômetros de faixas exclusivas – no Recife batizadas de Faixa Azul. Em 2018, já são 107 quilômetros, com outros 10 previstos para até o fim do ano. Um crescimento de 2.900%. Investimento que provocou um ganho de velocidade comercial dos coletivos superior a 200% em algumas ruas, como a Avenida Santos Dumont, uma via fundamental na estrutura viária da cidade, com oito quilômetros de extensão e que liga o Centro à Zona Leste, chegando à Praia do Futuro e cruzando um dos bairros mais famosos de Fortaleza: Aldeota.

“O transporte público vem tendo prioridade em Fortaleza com a expansão da malha de faixas exclusivas. Passamos de 3,3 km em 2013 para 107 km em 2018. Quando sinalizamos as vias, sempre analisamos a possibilidade de implantar uma ciclofaixa e uma faixa para os ônibus ao mesmo tempo. Foi assim que conseguimos ampliar a malha de faixas exclusivas”

Bianca Macedo, engenheira do Paitt

FAIXAS AZUIS

26% As faixas azuis reduziram em 26% a quantidade de trechos de baixa velocidade para os ônibus x

A expansão das faixas exclusivas reduziu em 26% o número de trechos de baixa velocidade para os ônibus, sendo possível garantir mais de 40% de circulação livre em algumas áreas e 19% de trafego veloz em outros trechos. Houve, também, coragem: há diversas vias, como as Avenidas Santos Dumont e Antônio Sales, por exemplo, em que o espaço viário foi dividido igualitariamente com o transporte público e a bicicleta. Vias que têm uma ciclofaixa do lado esquerdo e uma faixa de ônibus do lado direito. Sem que uma iniciativa inviabilizasse a outra, como seria o argumento em diversas cidades, entre elas o Recife. Nessas avenidas, os veículos particulares perderam metade do espaço. E, mais uma vez, a redução da largura das faixas de tráfego foi a receita e fez a diferença.

CUSTO DO QUILÔMETRO

70 mil 70 mil reais é o custo do quilômetro da faixa exclusiva dos ônibus (incluindo a sinalização de toda a via) x

A simplicidade também prevaleceu. Em Fortaleza, a gestão não se preocupou em criar cores para identificar a prioridade viária dos ônibus. Usou o branco mesmo. No lugar de rebuscamentos, investiu em placas de sinalização e, principalmente, na fiscalização eletrônica das faixas exclusivas. Em quase todos os 107 quilômetros da malha prioritária ao ônibus há monitoramento. Mas as autuações só caem. Mesmo onde não há fiscalização, o respeito dos motoristas prevalece porque a presença de radares e câmeras de videomonitoramento é forte nas ruas. Estão por toda parte.

Embora com os problemas comuns aos sistemas de transporte público – superlotação nos horários de pico e frota, em sua maioria, beirando a velhice –, Fortaleza avançou em outros aspectos que o Recife até hoje engatinha: tem 100% da frota com wi-fi e já utiliza, há três anos pelo menos, o app Meu Ônibus, o aplicativo oficial do sistema para informar os horários dos coletivos em tempo real. Por lá, é pago pelo setor empresarial, como poderia ser o CittaMobi na Região Metropolitana do Recife.