REDUÇÃO DE MORTOS

15% foi a redução no número de vítimas feridas em colisões de trânsito em 2017, comparando com 2016 9% é a redução da quantidade de mortos no trânsito no mesmo período x

O automóvel financiando a ciclomobilidade

Outro sinal de que Fortaleza escolheu, de fato, a ciclomobilidade como prioridade de gestão é a aprovação, em junho de 2018, de uma lei que destina toda a arrecadação de taxas cobradas pelo estacionamento rotativo dos automóveis – também chamado de Zona Azul – para políticas cicloviárias (Lei 10.752). Exclusivamente para as bicicletas. Seja para a ampliação de ciclofaixas e ciclovias ou do programa de bicicletas compartilhadas. Com um recurso para chamar de seu – o que é raro a ciclomobilidade ter nas gestões públicas –, a prefeitura planeja, também, garantir a manutenção da infraestrutura, outro grande desafio das cidades – quem pedala sabe disso. É a primeira cidade brasileira a ter o gesto de colocar o carro para subsidiar a bike.

Confira a Lei da Zona Azul

“Nós vemos a bicicleta como transporte, não como lazer e turismo. Estimulamos, sim, essas atividades, mas nosso foco é a mobilidade sustentável. Não só para transformar nossa cidade, com menos congestionamentos e vítimas no trânsito, mas pela saúde da população, do trabalhador. Temos uma lista de pedidos para instalação de novas estações de bicicleta na cidade e mais de 70% da população que utiliza o sistema é de áreas domiciliares de baixa renda”

Luiz Alberto, secretário-executivo de Conservação e Serviços Públicos

MAIS CICLISTAS

Crescimento de ciclistas nas ruas que receberam infraestrutura ciclável.
Entre 2012 e 2017 * Avenida Santos Dumont | Volume aumentou de 33 para 181 ciclistas nas duas horas de pico da tarde x

Fortaleza ainda possui poucas vagas de Zona Azul – 2.500 – quando comparada a cidades como Belo Horizonte (MG), que tem 21 mil vagas. Mas, novamente, planeja grande: alcançar 9 mil vagas nos dois próximos anos. Pelas contas da gestão, nesse pouco tempo em que a lei está em vigor já foi possível arrecadar R$ 1,3 milhão. Até dezembro, quer chegar a R$ 9 milhões com a ampliação das vagas rotativas. E, assim, aos pouquinhos, vai garantindo recursos para a ciclomobilidade.

A primeira utilização dos recursos será na ampliação para a periferia da cidade do projeto de compartilhamento de bicicletas públicas da cidade, o Bicicletar. Serão 25 novas estações na região Oeste e Sudoeste da cidade. Em Fortaleza, assim como no Recife, o maior uso do sistema de bike share é pelo Bilhete Único, ou seja, de passageiros do transporte público, que têm direito à gratuidade (no Recife isso não acontece, apenas no VEM Estudantil). “Nós vemos a bicicleta como transporte, não como lazer e turismo. Estimulamos, sim, essas atividades, mas nosso foco é a mobilidade sustentável. Não só para transformar nossa cidade, com menos congestionamentos e vítimas no trânsito, mas pela saúde da população, do trabalhador. Temos uma lista de pedidos para instalação de novas estações de bicicleta na cidade e mais de 70% da população que utiliza o sistema é de áreas domiciliares de baixa renda”, explica o secretário-executivo Luiz Alberto.

HORA DE PICO

* Avenida Domingos Olímpio
Volume aumentou de 311 ciclistas para 789 ciclistas nas duas horas de pico da tarde x

Em paralelo à mudança na legislação, a Prefeitura de Fortaleza também está modernizando o sistema de estacionamento rotativo como forma de eliminar fraudes e, assim, garantir o pagamento das taxas. Vai entrar, enfim, na era digital e substituir os cartões de cobrança por um aplicativo – algo que o Recife até hoje não adotou, vale ressaltar. Ensaiou, ensaiou, mas não passou disso.