Treino quatro vezes por semana. Faço dois dias de pilates e dois de crossfit

Lizete Rebordinho

O perfil jovem dos frequentadores da Viking Crossfit, no Espinheiro, Zona Norte do Recife, está começando a ficar mais heterogêneo. No box, a presença assídua da aposentada Lizete Rebordinho, de 69 anos, dá início a uma das quebras de paradigmas mais almejada pelos amantes da modalidade. A cada movimento com o querobel, medicine-ball e outros equipamentos do treinamento, ela comprova que as técnicas podem ser perfeitamente aplicáveis a qualquer pessoa. Independente de sexo, idade e nível de condicionamento físico.

Praticante de pilates há alguns anos, a ex-funcionária pública decidiu se aventurar no crossfit em setembro deste ano. A nova experiência só foi iniciada graças à insistência do filho, que é adepto da atividade. “Ele me ajudou a vencer o medo, a superar a ideia de que o crossfit não é lugar de gente mais velha. Topei o desafio de começar, pois estava buscando uma atividade mais vigorosa. Queria perder peso e estava procurando algo que me desse resultado mais depressa”, comentou Lizete.

Depois que aderiu ao crossfit, a aposentada acrescentou mais dois dias de exercícios à rotina. “Treino quatro vezes por semana. Faço dois dias de pilates e dois de crossfit”.

No começo, eu saía cansada e toda dolorida. No dia seguinte, ninguém contasse comigo (risos). Mas agora isso passou”, relatou

Durante as sessões de treinos, Lizete procura acompanhar o programa que está sendo passado aos demais alunos. A diferença é que a aposentada realiza as séries de acordo com os seus limites. Dependendo do exercício, algumas adaptações também são realizadas. Sempre que é necessário fazer o overhead squat (agachamento com a barra acima da cabeça), por exemplo, Lizete utiliza uma pedaço de cano pvc em substituição à peça de ferro.

“As principais adaptações são na carga e padrão de movimento. A gente tem que analisar cada pessoa que chega. Independente de ser da terceira idade ou não, todo mundo hoje em dia tem um padrão de encurtamento maior. Qual é a diferença para as acima dos 60 anos? É que, em muitos casos, ocorre um pouco de fraqueza muscular, de dor articular. Então, é necessário saber medir isso aí. E a melhor forma é analisando como cada um consegue se movimentar, progredindo o movimento para cada um, adaptando as cargas, como é o procedimento utilizado para todos os alunos, não apenas para os de terceira idade”, explicou o coach Fernando Fonteles.

Em dois meses frequentando os treinos no boxe de crossfit, Lizete já conseguiu observar uma redução da gordura abdominal, algo que incomodava devido ao risco de diversas morbidades associado ao acúmulo de tecido adiposo nessa região. A aposentada vem se surpreendendo ainda com outros avanços. “Quando eu trabalhava, passava muito tempo sentada ou viajando de carro. Desenvolvi problemas na coluna, bursite nos dois ombros, mas principalmente no direito. Desde que passei a treinar, estou notando que já não estão mais tão doloridos e que meus movimentos estão voltando a ficar quase normais”, contou.

Querida por todos os frequentadores do box, Lizete foi eleita a mascote do local. Mais uma surpresa da aposentada com a modalidade. “Geralmente, escolhem o mais novo, né? Aqui é a mais velha. Tenho sido referência para outras pessoas no meu prédio e outras com quem convivo, que precisam começar a se exercitar. Já me disseram que eu ia ser o espelho, um incentivo. Porque veem que, com a minha idade, eu não estou parada”, contou.

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1 de Outubro de 2017

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