agora os sorrisos brotam nos rostos dos idosos pela maneira como eles vêm aproveitando a vida

Egídio e Maria

As brincadeiras com carrinhos e bolas de gude foram deixadas de lado muito cedo. Aos oito anos, Egídio Acassiano da Silva, de 81, ficou órfão e precisou aprender rapidamente o ofício que lhe garantiu o sustendo de uma vida. Pedreiro desde então, ele se acostumou ao trabalho pesado na construção civil, sobretudo depois do casamento com Maria das Dores Max Otaviano, de 73. Para ajudar no sustento dos sete filhos da união, ela também não mediu esforços como costureira de uma fábrica. Há 13 anos, porém, a rotina do casal ganhou uma nova dinâmica. Com a aposentadoria, ambos conseguiram ressignificar o sentido da palavra felicidade.

 

Se durante a juventude a alegria dos dois era traduzia em contas pagas e obrigações cumpridas, agora os sorrisos brotam nos rostos dos idosos pela maneira como eles vêm aproveitando a vida. Juntos há 56 anos, são exemplos de parceria em toda e qualquer programação direcionada à terceira idade no Recife. Nos Jogos da Pessoa Idosa, organizados anualmente pela Prefeitura, integraram o grupo Babaloo. Egídio e Maria competiram em modalidades como hóquei, basquete e dominó. Também não perderam nenhuma aula de dança.

A vida da gente começou de verdade agora. A gente não tinha vida, dormia e acordava só para trabalhar”,  relembrou Maria.

Se não fosse pela personalidade forte da idosa, o companheiro poderia ter passado ainda mais tempo desempenhando o ofício de pedreiro. Depois que se aposentou, Egídio continuou trabalhando por uma década. “Mas eu sempre falava para ele: ‘quando eu me aposentar, você vai ver, viu? Se você vai continuar trabalhando’. Quando esse dia chegou (aos 60 anos), sempre tinha alguém no portão da nossa casa chamando ele para algum serviço. Eu já despachava. Dizia: ‘ele não está mais trabalhando’. Deixei claro para Egídio que a gente ia viver a nossa vida. Passear, participar das coisas que aparecerem para a terceira idade. E ele aceitou numa boa (risos)”, relembrou.

 

A aposentada, então, levou o marido para um dos núcleos, mantidos pela Prefeitura do Recife em vários bairros, com atividades físicas e culturais para idosos. No local, eles fazem aulas de ginástica e dança três vezes por semana.

Depois que fiz a aula pela primeira vez, me senti muito bem. Não quero deixar de fazer nunca mais”,  contou o idoso, que tinha o trabalho pesado na construção civil como único exercício da juventude.

Nos dois dias em que não estão no núcleo, o casal se dedica a caminhadas. Antes de conseguir fazer com que o marido adotasse esses hábitos, Maria via o companheiro com a mobilidade cada vez mais comprometida. A diabetes também estava fora de controle e subia a cada avaliação médica. “Antes dele começar a se exercitar, estava muito ruim para andar. Nas caminhadas, eu ia na frente e, quando eu olhava para trás, ele vinha bem longe, devagarinho. Aí eu sempre falava: ‘Egídio, pode andar para me pegar que eu não vou parar para te esperar não. Não vou deixar meus passos para ir igual a você. Aí, agora, quando eu dei fé, ele já estava na minha frente. Graças a Deus! A diabetes também baixou, está controlada e a pressão é sempre boa”, comemorou Maria.

Com a saúde em dia, o casal não se furta ao direito de demonstrar o amor que os une em muitos momentos dessa nova jornada. Vez por outra, surpreende a turma de dança e o professor com um beijo de interromper a aula. Entre os aplausos arrancados, eles percebem a admiração dos colegas pelo sentimento que vem impulsionando ambos a querer viver mais e melhor.

Envelhecer com qualidade de vida costuma ser um desejo comum. A diferença entre quem consegue atingir esse objetivo e os que veem a pretensão frustrada está no estilo de vida. Os geriatras, porém, costumam afirmar que nunca é tarde para adotar hábitos saudáveis. Conscientes disso, o casal Maurício e Cristiane Lima resolveu, no ano passado, preparar-se para chegar melhor à terceira idade em 2018.

Antes de começarem a praticar exercícios e fazer dieta, eles estavam entregues ao sedentarismo.

A não ser quando estava no trabalho, eu passei 10 anos no sofá. Senti que perdi 10 anos da minha vida. Agora estou mais magro, feliz, durmo melhor, a qualidade de vida é outra”,  afirmou o engenheiro Maurício, que eliminou 16 quilos 

Cristiane, que atua como médica, também baixou de peso. Com musculação e exercícios aeróbicos, ela enxugou 10 quilos. “Mas ainda quero perder mais. Antes, eu detestava academia. Agora não fico sem. Tem a nossa personal, que é uma pessoa maravilhosa e também responsável por essa mudança. Como estamos comprometidos com ela, procuramos não faltar aos treinos”, contou.

A treinadora Alexsandra Oliveira é a responsável por despertar no casal o gosto pela atividade física. Tanto que, quando não estão com ela na academia, procuram pedalar e caminhar nos fins de semana. “Quem se exercita regularmente mantém a saúde física e mental, o que reflete na qualidade de vida na fase idosa. Com músculos fortalecidos é possível ampliar a independência e retardar os efeitos do envelhecimento”, pontuou Alexsandra.

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