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Implementação da Base Nacional Comum Curricular gera discordâncias e traz preocupações

Em junho de 2015, o Governo Federal anunciou a criação de um documento para nortear a elaboração dos currículos das escolas de Educação Básica do Brasil. Para o Ministério da Educação (MEC), a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) representa um avanço para a qualidade e equidade da educação no Brasil.

Após longo processo de discussão, a versão final da Base para a Educação Infantil e o Ensino Fundamental foi homologada em dezembro de 2017. Ela prevê competências dentro das áreas de conhecimento – Linguagens, Matemática, Ciências da Natureza e Ciências Humanas.

Dentre as mudanças propostas, as crianças passarão a ser alfabetizadas mais cedo – no 2º ano do Ensino Fundamental e não mais no 3º, como até então. Além disso, estabelece a língua inglesa como o idioma a ser ensinado nas escolas; antes o idioma não era definido.  

Já a Base Nacional Comum Curricular para o Ensino Médio segue em avaliação pelo Conselho Nacional de Educação (CNE). O desafio é direcionar o ensino para habilidades e competências distantes de memorização e preparação para um vestibular, por exemplo, mas que esteja mais alinhada às competências que o mercado de trabalho exige, como pensamento crítico, criatividade, comunicação e trabalho em equipe.

Porém, o fato de ser aprovada de maneira dividida gera discordâncias. Para a conselheira da Câmara de Educação Superior do CNE e professora titular do Centro de Educação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Marcia Angela Aguiar, a aprovação da Base nesse formato foi um equívoco. “Apenas três conselheiros apresentaram parecer contrário pelo rompimento do conceito da Educação Básica, eu estava dentre eles. Além disso, também discordei porque a Base impacta na autonomia dos docentes e dos sistemas de ensino, além do nível de detalhamento que ela traz. Quando partimos para a Base do Ensino Médio é ainda pior, pois mexe bastante com as escolas, no campo do currículo”, opina.

Para outros, a proposta da Base é positiva, por organizar o conhecimento. “A Base é o ponto de partida, não de chegada. Ela promove a interdisciplinaridade entre as disciplinas, ou seja, permite que os conteúdos das mesmas se relacionem. Organizando o conhecimento dessa forma, prepara o estudante para o futuro”, avalia o diretor de Articulação e Inovação do Instituto Ayrton Senna, Mozart Neves.

Ainda em sua opinião, a grande mudança da Base passará pela formação do professor. “As universidades precisam se envolver mais na discussão, precisam repensar o ensino, dialogar com as diretrizes da Base”, diz. “Qualquer medida que venha modificar só o conteúdo não será eficiente. Garantir a efetivação de uma política de valorização dos profissionais da educação, articulando formação inicial e continuada, além de planos de carreira e salários condignos são caminhos mais acertados para melhorar a educação do país”, completa Marcia Angela Aguiar.

É nesse momento de mudanças que surge a Escola Conecta, localizada na Zona Oeste do Recife. A psicopedagoga Sandra Janguiê irá dirigir a instituição, cujo primeiro ano letivo será em 2019. “Muitas instituições escolares resistem a chegar ao século 21. Hoje, há a necessidade de ajustar a escola ao novo aluno, propondo experiências de aprendizagem desafiadoras, prazerosas, estimulantes”, conta.

Dentre os benefícios que a Base proporciona, a psicopedagoga destaca a possibilidade de um currículo mais significativo para a vida do aluno. “A defesa de uma formação integral é um ponto importantíssimo. A Base orienta as escolas na construção de um currículo que desenvolva as habilidades socioemocionais, tecnológicas e cognitivas do aluno”, completa.

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