Educar para a vida

O cuidado com a saúde emocional das crianças também é uma preparação para as exigências do futuro

Escola, idiomas, esporte, atividades artísticas. Nos últimos anos, as crianças vêm apresentando agendas tão intensas quanto as dos adultos. Mas como será que elas recebem esses estímulos? Elas têm o preparo emocional para lidar com tantas tarefas e compromissos?

“É preciso observar como a criança se comporta nesses diversos cenários, se com alegria, tristeza, empatia. Essa criança tem medo do novo, medo de errar ou responde com criatividade, lidando com os obstáculos e apresentando capacidade de resposta? Esses questionamentos ajudam a perceber o engajamento da criança”, orienta a psicóloga Ana Carolina Azevêdo, especialista em psicoterapia e orientação profissional e de carreiras.

De certo que as ofertas são muitas e chegam por todos os lados. No entanto, ao matricular os filhos em uma nova atividade, os pais precisam ter bem claro qual o objetivo. Por exemplo, se for um esporte, é preciso delimitar se quer que o filho pratique uma atividade física ou que se torne um atleta. O estímulo e as cobranças serão diferentes em cada situação. “Outro exemplo é requerer que a criança entre ainda cedo em uma escola de idiomas. Será que ela está preparada? Às vezes ainda não é tempo. Aos oito anos, ela terá a mesma disponibilidade de aprendizado que aos sete. Então, é preciso observar o que acontece com cada criança, para que o estímulo seja positivo”, afirma.

Outro fato é que essas escolhas, muitas vezes, são dos pais, preocupados em preparar a criança para que ela tenha o desempenho que a sociedade espera para o futuro, ou, ainda, porque não é possível ter um cuidador no contraturno escolar. “E os pais não fazem por mal, sempre estão querendo acertar. Mas é importante que a criança participe dessas escolhas, o nível de engajamento com a atividade e o desempenho costumam ser melhores”, orienta.

Em todo caso, é importante respeitar o estado emocional da criança, suas habilidades, seus limites e a capacidade de adaptação. “É um respeito às individualidades e etapas do desenvolvimento”, reforça Ana Carolina Azevêdo.

A psicóloga faz ainda a ressalva de que o excesso de conexão com muitas oportunidades pode desconectar a criança da felicidade, daquilo que realmente lhe faz bem. E lembra que os momentos de ócio são importantes, pois é o espaço para a livre expressão, para exercitar a autonomia e a criatividade.

Teoria e prática com foco no futuro

Quando se fala em educação do futuro, um dos desafios é saber aliar o conhecimento técnico ao desenvolvimento das competências emocionais. Os diálogos nesse sentido apontam que teorias e exercícios preparam o aluno para enfrentar testes e alcançar notas, porém as adversidades do século 21 pedem mais que isso. Gerenciar conflitos, lidar e respeitar o outro e aprender a conhecer a si mesmo são habilidades que as escolas têm vivenciado na prática, com foco na formação do indivíduo para esse novo cenário.

“A Base Nacional Comum Curricular aponta essas competências. Antes disso, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) já recomendava trabalhar as competências emocionais em sala de aula”, diz o professor Carlos Alexandre Borba.

Para abordar as competências socioemocionais, o Colégio Santa Maria utiliza há quatro anos o programa educacional Escola da Inteligência, que envolve alunos dos cinco aos 15 anos. Desenvolvido pelo psiquiatra, pesquisador e escritor, Augusto Cury, o programa é baseado na Teoria da Inteligência Multifocal e promove – por meio da educação das emoções e da inteligência – a melhoria dos índices de aprendizagem, redução da indisciplina, aprimoramento das relações interpessoais e o aumento da participação da família na formação integral dos alunos.

“É uma tríade: escola, aluno, família. Eles aprendem a gerenciar as emoções e administrar conflitos. De maneira lúdica com os mais novos e alternando elementos à medida que essa criança vai crescendo, a metodologia ajuda na formação cidadã. A criança se envolve, participa do processo e desenvolve a capacidade de respeitar o outro e a si mesmo, construindo relações saudáveis, não apenas no ambiente escolar”, conta o professor.

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