Duas décadas avaliando o ensino médio

O Enem chega à edição dos 20 anos com 5,5 milhões de candidatos inscritos

Em agosto de 1998, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) foi aplicado pela primeira vez. De participação voluntária, a prova elaborada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) focava em uma forma inédita de avaliar o aluno que estava concluindo a educação básica, contando com 157 mil inscritos.

Vinte anos depois, são 5,5 milhões de candidatos. O aumento no número de inscritos se dá, sobretudo, pelo fato da avaliação ser a porta de entrada para universidades federais e estaduais de todo o país – mudança que ocorreu em 2009, quando o Ministério da Educação (MEC) criou o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), plataforma digital que concentra essas vagas. Assim, os estudantes deixaram de prestar vários vestibulares para serem submetidos apenas ao Enem. A avaliação também permite o acesso ao ensino superior em faculdades privadas, com as bolsas do Programa Universidade para Todos (ProUni) ou ainda com o aporte do governo, por meio do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

De acordo com o Inep, o Enem surgiu como proposta inovadora, pelo caráter transdisciplinar e pela ênfase na avaliação de cinco competências e 21 habilidades do estudante ao término da educação básica. Já em sua concepção, propunha-se a oferecer parâmetros para o prosseguimento dos estudos ou para o ingresso no mundo do trabalho.

Atualmente, um dos grandes desafios do Enem será se adequar ao novo formato do Ensino Médio, após a aprovação da Base Nacional Comum Curricular, que está sendo avaliada pelo Conselho Nacional de Educação (CNE). “Acredito que irá impactar não só o Enem, mas todas as avaliações externas. Entretanto, ainda não há como prever essas mudanças. Antes, será preciso conhecer a Base, mas é fato que a avaliação deverá dialogar com sua proposta”, avalia a secretária executiva de Desenvolvimento da Educação do Estado de Pernambuco, Ana Selva.

Para o professor de Física do Colégio Marista São Luís, Rodrigo Cunha, o período de transição traz um grande desafio. “Quando eu era aluno, não via aplicação daquilo que estudava no dia a dia. O curso universitário também não nos formou para isso, no meu caso, o conteúdo era Física pura. Hoje a contextualização é muito forte, é preciso estar em constante atualização, porque o ensino está evoluindo”, conta.

O educador também aponta que o nível de exigência do Enem vem aumentando nos últimos anos. “A prova exige criticidade do aluno, pede que ele faça conexões, articulações com outras áreas do conhecimento”, diz.

Buscando uma vaga em Engenharia Biomédica, o estudante Antônio Andrade, do 3º ano do Ensino Médio, do Colégio Marista São Luís, fez o Enem por experiência em 2017. “A prova é, realmente, bastante contextualizada. A forma como vemos o conteúdo em sala de aula se relaciona bastante com o formato das questões”, observa.

Outro aspecto importante para encarar a avaliação é o preparo emocional. “De nada adianta saber o conteúdo, se não estiver bem para enfrentar a prova. Esse suporte emocional por parte dos professores e da coordenação ajuda bastante”, diz a estudante Larissa França, 17 anos. Aluna do 3º ano do Ensino Médio, do Colégio Marista São Luís, a estudante vai prestar vestibular para medicina.

As provas do Enem serão nos próximos dias 4 e 11 de novembro. No primeiro domingo, os estudantes terão cinco horas e meia para fazerem a redação e questões de linguagens e ciências humanas. No segundo dia, serão questões de ciências da natureza e matemática, com cinco horas de prova.

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