A tecnologia a favor do desenvolvimento

Além de desenvolver habilidades como capacidade de inovar, relacionamento em equipe e resolução de problemas, a tecnologia desperta o interesse dos estudantes e melhora o aprendizado

Em um mundo cada vez mais tecnológico, onde as crianças são consideradas nativos digitais – por terem contato desde cedo com esses dispositivos – e recebem uma gama de estímulos por minuto, a maneira de educar foi se adaptando. Primeiro, o ambiente da sala de aula não era mais suficiente, os alunos passaram a ocupar cada vez mais laboratórios e outros espaços. Depois, era preciso aproximar a linguagem do ensino à das crianças e jovens. Assim, as ferramentas tecnológicas deixaram de ser utilizadas apenas nos momentos de lazer e passaram a integrar o material pedagógico, primeiro aplicativos, tablets e celulares e, mais recentemente, a robótica.

Utilizada de maneira interdisciplinar, a robótica desperta o interesse dos estudantes e auxilia no aprendizado de diversas disciplinas. Pernambuco foi pioneiro em adotar a robótica em larga escala nas escolas de Ensino Médio, em 2014. Na época, 226 escolas espalhadas por todo o estado receberam o programa de robótica. Atualmente, são 324 escolas beneficiadas e um universo de quase cem mil alunos, dos 15 aos 18 anos, contando com essa ferramenta. “Percebemos que matemática e física são componentes curriculares que requerem uma atenção especial no ensino, alguns alunos apresentam dificuldade ou se assustam com o conteúdo. Com a tecnologia, a linguagem se tornou mais atrativa e os estudantes mais participativos, o que facilita o entendimento”, conta a gerente de Políticas Educacionais do Ensino Médio, do Governo do Estado, Raquel Queiroz.

Também em 2014, a Prefeitura do Recife iniciou o programa de robótica, que atualmente atende 73 mil estudantes entre três e 14 anos. Na implantação do programa, os professores foram capacitados para o uso dos kits da Lego em sala de aula, que é a ferramenta de robótica com a qual os estudantes possuem mais contato. Além disso, os alunos matriculados no Clube de Robótica – que funciona no Centro de Tecnologia na Educação (CETEC), no bairro da Boa Vista, área central da cidade – têm contato com a linha de robôs humanoides (NAO).

“Apesar de ser uma iniciativa jovem, os resultados são bastante positivos. O primeiro é que, ao utilizar algo que desperta o interesse das crianças e jovens, o olhar deles para o ambiente escolar passa a ser diferente, a escola torna-se interessante, desejável. Outro ganho é em relação à aprendizagem, professores e alunos são unânimes em afirmar que o rendimento melhora muito, em todas as disciplinas. Além disso, esses alunos começam a desenvolver as habilidades do século 21: o trabalho em equipe, a inovação, a resolução de problemas, a iniciativa em buscar novos conhecimentos, é o aprendizado experimentado na prática”, avalia o secretário municipal de educação, Alexandre Rebêlo.

Outro avanço percebido com o programa de robótica é uma maior participação feminina, inclusive nas competições. “Foi ótimo as meninas começarem a se interessar, para inovar o mercado de tecnologia, que hoje ainda tem mais meninos. Acredito que no futuro poderá ser misto", diz a estudante Maria Carolina dos Santos Melo, 13 anos, da Escola Mário Melo, que fica em Campo Grande, Zona Norte do Recife. Ela é integrante da equipe “Os Veteranos”, que conquistou o primeiro lugar no III Torneio de Robótica do Recife (TORRE), ocorrido em agosto. “Ainda nesse mesmo torneio tivemos equipes compostas exclusivamente por meninas. Foi algo que a rede estimulou, essa participação maior por parte delas no Clube de Robótica”, conta Alexandre Rebêlo.  

“Façamos Nós Mesmos, Juntos”

Também seguindo a proposta da aprendizagem criativa, a Maker School, do Fab Lab Recife, aposta na experimentação, onde os alunos são estimulados a utilizar técnicas e ferramentas inovadoras na resolução de desafios, conectados à realidade em que vivem. Com isso, crianças dos seis aos 12 anos aprendem conteúdos como raciocínio lógico, programação, fabricação digital e impressão 3D. O objetivo é formar os makers do futuro.

Os sócios Edgar Andrade, Cris Lacerda, Letícia Falcão, Betita Valetim e Mariana da Mata iniciaram, em 2017, uma metodologia que vai além do “mão na massa”, onde as crianças podem transformar as ideias em realidade. A experimentação na prática permite criar e prototipar, em um dos módulos, por exemplo, A Casa do Futuro, partindo do estudo de referências de projetos de arquitetura, até modelar os projetos no computador, cortar as peças dos protótipos e montar. “É incrível perceber que esses estudantes assimilam o processo com extrema facilidade. Imagine como esses jovens estarão preparados quando chegarem nas universidades, depois de viverem diversas experiências como essas ao longo do Ensino Fundamental e Ensino Médio? Entrarão dominando a habilidade mais importante do século 21, ter a capacidade de entender e resolver um problema”, conta Edgar Andrade, CEO do Fab Lab Recife.

Ele conta, ainda, que é quase um consenso nos debates que participa com educadores de que a tecnologia não resolverá os problemas da educação, mas pode ser uma ferramenta relevante. “Nesse sentido, a Educação Maker ganha uma dimensão muito mais ampla e vai além da robótica, incorporando outros conteúdos e abordagens, como a própria fabricação digital, o antigo Faça Você Mesmo, que agora entendemos como Façamos Nós Mesmos, Juntos”, completa.

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