EMPRESAS QUE INVESTEM EM EDUCAÇÃO RECEBEM MAIS QUE LUCRO FINANCEIRO

O combustível que provoca as mudanças é o interesse de querer contribuir para melhorar a realidade da educação pública brasileira. Conheça cinco iniciativas de empresas privadas que decidiram entrar nessa luta em Pernambuco. Cientes das dificuldades em escolas e redes de ensino, elas disponibilizam não só recursos, mas também experiência em gestão e, sobretudo, mostram o desejo de fazer a diferença. São instituições que provam ser possível ir além do papel de gerar emprego e renda. Mirando o futuro, elas investem em cidadania.

ESCOLA CÍCERO DIAS: MODELO INOVADOR NO RECIFE

Criada 11 anos atrás pelo governo de Pernambuco juntamente com a empresa de telefonia Oi (na época, em 2006, ainda Telemar) e consultoria do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (Cesar), a Escola Técnica Cícero Dias/Nave, localizada no bairro de Boa Viagem, Zona Sul do Recife, atende a 505 jovens, a maioria com idades entre 15 e 17 anos. Eles cursam o ensino médio integrado a dois cursos técnicos, multimídia e jogos digitais.

A empresa de telefonia construiu o prédio, equipou os laboratórios, cuida da manutenção deles e oferta todos os softwares e insumos tecnológicos necessários. Contrata e custeia os salários dos professores (vinculados ao Cesar) e ainda participa do planejamento pedagógico da escola. À Secretaria Estadual de Educação cabe pagar os docentes que lecionam as disciplinas do ensino médio regular e cuidar da manutenção do prédio.

Os alunos têm nove aulas diárias, com jornada das 7h20 às 17h, de segunda à sexta-feira. Já se formaram na unidade de ensino 1.055 jovens, que saem com o certificado de conclusão do ensino médio e o diploma de curso técnico. O índice de aprovação é alto, 97%, e o de abandono, praticamente inexistente, 0,2%, segundo dados do Ministério da Educação.

Conheça a história de Guilherme Sousa, 23 anos, ex-aluno da Cícero Dias, cuja vida foi modificada depois de passar pela escola:

O EXEMPLO INSPIRADOR NO AGRESTE DE PERNAMBUCO

Todos os meses, uma reunião em Belo Jardim, cidade localizada no Agreste pernambucano e distante 183 quilômetros do Recife, monitora se as metas do Plano Municipal de Educação (PME) estão sendo cumpridas. Representantes da Secretaria Municipal de Educação se juntam à equipe do Instituto Conceição Moura, organização sem fins lucrativos concebida e mantida pelo Grupo Moura (indústria de baterias automotivas). O alto índice de crianças com distorção idade-série (30%) e a não alfabetização no tempo certo (até o 3º ano do ensino fundamental) estão entre os principais problemas a serem resolvidos na área educacional da cidade.

“É muito importante a ajuda que o municípo recebe da iniciativa privada. Alguns exemplos de parceria são capacitação de professores e gestores, investimentos em laboratórios e na articulação entre famílias e escola. O acompanhamento das metas do PME também é fundamental", destaca a diretora de Ensino do município, Lindhiane Farias. O PME foi elaborado em 2015, em parceria com o Instituto Conceição Moura. O acompanhamento das metas começou este ano.

“É muito importante a ajuda que o municípo recebe da iniciativa privada” Lindhiane Farias

“É desafiador alfabetizar uma criança. Se o aluno sai lendo e escrevendo, não terá dificuldade em seguir os estudos. O problema é que nem sempre isso acontece, infelizmente”, comenta a professora Maria Cristina Pires, 52 anos, dos quais 21 dedicados ao magistério. Ela leciona no Centro Municipal Castelinho, uma das 65 escolas da rede municipal de Belo Jardim.

Além do apoio do Instituto Conceição Moura, a Secretaria de Educação conta com os projetos Se Liga e Acelera, do Instituto Ayrton Senna. A plataforma Conviva, desenvolvida em parceria entre o Instituto Natura e a Fundação Lemann, é usada pela gestão municipal. “Também implantamos em 28 escolas um programa de qualidade total, que aplica a metodologia japonesa dos 5s, muito usada na indústria. Visa evitar o desperdício, melhorar a organização do ambiente, disciplina e rotina”, explica a presidente do Instituto Conceição Moura, Mariana Moura.

O grupo Moura também investiu na Escola Técnica Estadual Edson Mororó de Moura, inaugurada em abril do ano passado. Foram R$ 600 mil para equipar os laboratórios usados pelos alunos dos três cursos técnicos ofertados lá, administração, desenvolvimento de sistemas e química. A empresa também se comprometeu a abrir vagas de estágios. “É um investimento no futuro. Apostando na escola, a Moura receberá mão de obra qualificada. Bom pra eles e para nós”, observa Ana Carolina Lira, 15 anos, aluna do 2º ano do ensino médio e do técnico em administração.

Mariana Moura, do Instituto Conceição Moura, defende o acesso de todos a uma educação de qualidade

“Não vamos acabar com as desigualdades sociais se não trabalharmos a educação. Mas como fazer isso, se uma criança que nasce no Nordeste, no interior de Pernambuco, num bairro pobre de Belo Jardim, tem uma educação tão diferente da que minha filha recebe, por exemplo? Só acredito em um mundo melhor quando as pessoas tiverem as mesmas oportunidades desde a infância”, defende Mariana Moura.

INSTITUTO CRIA NOVOS HORIZONTES PARA JOVENS DA ZONA SUL

Rômulo Germano cresceu em uma casa de vão único no bairro de Brasília Teimosa, Zona Sul do Recife. Diante da falta de espaço, o colchão que dividia com a mãe e a irmã mais nova era colocado ao lado do fogão e o risco de um incêndio era preocupação diária. Para ajudar na renda da família, chegou a trabalhar durante a adolescência como garçom nas barracas de praia e a vender coco na orla. Hoje, aos 25 anos, sua vida tem um panorama bem diferente. Já recebeu cinco promoções em um emprego de carteira assinada. Assim, pôde ajudar a comprar uma casa mais confortável para a mãe. A revolução na vida de Rômulo e de mais outros 24 mil jovens estudantes ou egressos de escolas públicas do Recife, Salvador, Fortaleza e Aracaju aconteceu através dos projetos focados em educação do Instituto João Carlos Paes Mendonça (IJCPM).

A unidade pioneira da iniciativa foi montada em 2007 no mesmo bairro de Brasília Teimosa, com o início da implantação do RioMar Shopping. As estruturas nas demais cidades nordestinas seguiram o mesmo princípio: atender às comunidades em que o Grupo JCPM construiria seus empreendimentos para incluir as pessoas no processo de desenvolvimento.

De vendedor de coco a trabalhador de carteira assinada que recebeu cinco promoções: a revolução do IJCPM na vida de Rômulo

“Defendemos que o lojista, quando for contratar, considere os candidatos das comunidades próximas aos shoppings. Isso facilita a vida do cidadão que deseja o emprego e também a do empreendedor, que pode contar com alguém que mora perto do ambiente de trabalho”, explica Lúcia Pontes, diretora de relações institucionais e desenvolvimento social do Grupo JCPM.

As ações do instituto são voltadas para jovens das comunidades próximas aos empreendimentos do grupo e se distribuem principalmente entre o apoio educacional e a formação profissional. Além de oferecer oficinas para elevação da escolaridade – uma espécie de complemento ou “reforço” ao que é visto em sala de aula –, estudantes do ensino médio ainda podem participar do curso pré-universitário focado no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Fazendo a ponte entre a sala de aula e o mercado de trabalho, o instituto seleciona adolescentes que participam dos cursos de elevação da escolaridade e, em parceria com o Senac, possibilita a inserção no Programa Jovem Aprendiz sem a necessidade de que eles saiam da comunidade para ir a uma unidade do Sistema S para as aulas, que são oferecidas pelo próprio IJCPM.

Lúcia Pontes: é preciso preparar os jovens para transformar a vida das próprias famílias e da comunidade

Outra iniciativa acontece através do banco de currículos formado após a conclusão de cursos profissionalizantes oferecidos em parceria com o Senac e o Senai. São voltados principalmente para a construção e o varejo, de acordo com a fase de implantação dos empreendimentos. Entre as formações estão os ofícios de pedreiro, operador de caixa, atendente e vendedor. As aulas são oferecidas em três turnos com o intuito de dar oportunidade aos jovens que estudam ou trabalham.

“O Senac desenvolveu um projeto customizado específico para o RioMar. Fez uma leitura de quais eram as principais funções oferecidas pelo shopping para que a gente estabelecesse uma oferta de cursos. Os alunos saem com um certificado de qualificação do Senac, que dá uma posição bastante importante no mercado de trabalho e junto ao empregador”, detalha Lúcia. Através desse banco de dados 1,5 mil jovens foram contratados no RioMar e 3,3 mil em todas as unidades do instituto no Nordeste.

Instituto oferece diferentes tipos de cursos e capacitações, todos para as comunidades do Pina e Brasília Teimosa

A entidade realiza ainda cursos de férias, de formação empreendedora e, mais recentemente, uma oficina de projetos com foco em discussões sobre a comunidade, permitindo que o jovem contribua com a construção do conhecimento. “Preparamos os jovens para solicitarem novas ações do poder público e para que haja uma melhora na formação deles como pessoas e para a transformação da vida das famílias e do entorno”, resume a diretora.

O VERDADEIRO RETORNO DO INVESTIMENTO

Investir em educação é uma realidade para o Grupo JCPM. Através do próprio instituto (IJCPM) e da Fundação Pedro Paes Mendonça (FPPM), em Sergipe, o grupo ajuda a transformar a realidade de várias comunidades ao oferecer acesso ao conhecimento e à profissionalização. Na entrevista abaixo, o empresário e presidente da organização, João Carlos Paes Mendonça, fala da motivação para o engajamento social:

A ESCOLA MAIS DESEJADA DA VILA DOIS CARNEIROS

Situada intencionalmente em um bairro simples e com alto índice de vulnerabilidade social, a escola da Fundação Bradesco na Vila Dois Carneiros, em Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife, é o sonho da maioria das famílias que lá residem. A unidade, totalmente gratuita, oferece da educação infantil ao ensino médio, além de Educação de Jovens e Adultos e cursos técnicos e profissionalizantes. Ano passado, a concorrência foi de dez candidatos por vaga. Havia 500 inscritos para apenas 50 vagas na educação infantil.

“Partimos da premissa de que trabalhando com inclusão social, com possibilidades iguais para todos, a gente consegue desenvolver e transformar a vida dos nossos alunos. A escola dispõe de uma boa estrutura física, mas tem também uma proposta pedagógica inovadora. Queremos impactar na vida dessas crianças e adolescentes. Também na comunidade onde estamos”, destaca o diretor da unidade de ensino, Márcio Maia.

Somente ano passado, a Fundação Bradesco, pertencente ao segundo maior banco privado brasileiro, investiu R$ 595 milhões nas 40 escolas mantidas em todo o País (atende cerca de 108 mil alunos). Os estudantes recebem uniforme, material escolar e assistência médica e odontológica.

Concluinte do ensino médio, Joyce Rodrigues, 17 anos, estuda na Fundação desde pequena. Espera ingressar na graduação em biologia ano que vem. “Aqui os professores são bem participativos, nos ajudam bastante. Tenho acesso a um ensino de qualidade. Posso concorrer às vagas do ensino público superior com as mesmas condições de alunos de escolas particulares de Pernambuco”, comenta Joyce.

EM IGARASSU, UM CAMINHO RÁPIDO PARA O MERCADO DE TRABALHO

De cada cem jovens que participaram dos cursos do Ponto Cidadão, 83 estão formalmente no mercado de trabalho. É num casarão histórico situado no Centro de Igarassu, no Grande Recife, que adolescentes e jovens de baixa renda – concluintes ou egressos do ensino médio e da rede pública – encontram formação técnica para buscar o tão sonhado emprego. É lá que o futuro começa a ser construído de maneira diferente.

Durante o primeiro ano, os jovens, com idades entre 16 e 24 anos (residentes em Igarassu ou na vizinha Itapissuma) fazem curso de auxiliar administrativo. Depois, passam 11 meses complementando a formação nas áreas administrativa e financeira. A iniciativa começou em 2004 com a empresa Itamaracá Transportes. Hoje, a TGI Consultoria em Gestão e EBrasil são parceiras.

“Focamos em três eixos. Um é o reforço no que os jovens aprenderam na escola, com matemática, português, informática, conhecimentos gerais. Outro é psicossocial, para desenvolver e melhorar atitudes. E a parte de educação profissional, quando aprendem segurança do trabalho, contabilidade, logística”, explica a presidente do Ponto Cidadão e uma das diretoras da Itamaracá Transportes, Maria Amélia Bezerra Leite.

Aluna do 3º ano da Escola Estadual Santos Cosme e Damião, também no Centro de Igarassu, Milena Carolayne Souza, 17 anos, é uma das participantes do curso. “A escola não oferece tudo que quero. Procuro evoluir e sempre fui atrás de cursos. Espero trabalhar logo. Acho que o Ponto Cidadão vai ser importante para eu conseguir isso”, diz Milena.

“O projeto surgiu de repente, quando vagou o casarão onde funcionava o RH da empresa e hoje é o Ponto Cidadão. Pensamos numa ação para dar um retorno a Igarassu, que por tanto tempo nos acolheu. Pesquisamos e decidimos que a cidade precisava de investimento em educação e na juventude”, observa Maria Amélia.

Para Maria Amélia, inciativa é um retorno da empresa para a população da cidade

Gerente financeiro da TGI e formado em matemática, Paulo Ricardo Souza, 29 anos, integrou a primeira turma do Ponto Cidadão. “Fez muita diferença na minha vida. Vejo colegas de turma da escola que não conseguiram bons empregos porque não tiveram a mesma oportunidade que eu”, comenta Paulo, que em julho completou 10 anos de empresa.

“Investir em educação para mim é investir em gente qualificada. É bom pra todo mundo. Ainda há um conceito nas empresas, principalmente num período de crise, de só se ocupar de responsabilidade social quando tudo está bem. Acho que o investimento deve ser o tempo todo”, ressalta a diretora de Relações Institucionais do Ponto Cidadão e uma das sócias da TGI, Cármen Cardoso.

Aluno da primeira turma do Ponto Cidadão, hoje Paulo Ricardo trabalha na TGI

A HORA DE FOCAR NA EDUCAÇÃO PROFISSIONAL

Uma das principais propostas da reforma do ensino médio é inserir a formação técnica na grade curricular para que o jovem, ao concluir a última etapa da educação básica, saia com um diploma que lhe permita ingressar mais rapidamente no mercado de trabalho. O País tem 1,9 milhão de alunos na educação profissional, segundo o Censo Escolar do ano passado. Número pequeno, considerando que há 22 milhões de brasileiros entre 18 e 24 anos. O Plano Nacional de Educação (PNE) propõe triplicar a oferta de vagas nesse nível de ensino, com pelo menos metade das matrículas na rede pública.

"Precisamos ampliar a educação profissional. Na maior parte dos países da Organização para Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), que reúne as 30 nações mais ricas do mundo, mais de 50% dos jovens de 15 a 17 anos fazem educação profissional junto com a educação regular. No Brasil, isso é menos de 10%”, aponta o diretor de Educação e Tecnologia da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Rafael Lucchesi, foto abaixo.

“Está claro que temos aí um grande problema. Apenas 17% dos jovens brasileiros vão para a universidade, enquanto 83% não chegam no ensino superior. É fundamental, para balancear o mercado de trabalho, dar alternativas e trilhas profissionais diferenciadas, para além da formação superior, a um contingente importante da população. Isso vai ser benéfico para a competitividade das empresas”, complementa Lucchesi, que também é diretor-geral do Serviço Nacional da Indústria (Senai) e superintendente nacional do Serviço Social da Indústria (Sesi).

O Senai e a rede de institutos federais respondem por uma boa parcela de oferta de cursos técnicos no País. Dezoito por cento das matrículas na educação profissional estão na rede federal, 41% na privada, 37% na estadual e só 4% na municipal. Em Pernambuco, o governo estadual decidiu apostar no fortalecimento das escolas técnicas. Já são 37 implantadas, com 15 mil alunos.

“Outras três serão inauguradas até o fim do ano. A meta para os próximos anos é ultrapassar 24 mil estudantes nas escolas técnicas estaduais”, afirma o secretário de Educação de Pernambuco, Frederico Amancio. Em 2018 devem ser abertas mais seis unidades. “Temos também uma poderosa rede de formação profissional de educação a distância. São 79 polos que funcionam em nossas escolas técnicas ou nas sedes de nossas regionais. É um dos estados com uma das redes mais extensas de EAD do Brasil”, assegura Frederico.

Quiz: com qual curso técnico você mais se encaixa?

O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) realizou uma pesquisa para nortear seu planejamento de oferta de mão de obra em todo o Brasil. Chamado de "Mapa do Trabalho Industrial 2017-2020", o documento identificou a necessidade de formar mais de 380 mil profissionais nos níveis técnico, superior e de qualificação nos próximos anos. Em parceria com a psicanalista e diretora da Trajeto Consultoria, Silvia Gusmão, o JC elaborou um quiz para identificar com quais das áreas de grande demanda técnica você pode ter mais afinidade.

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LEI DE APRENDIZAGEM AJUDA NA INSERÇÃO PROFISSIONAL

Aos 17 anos e antes de concluir o ensino médio, Ana Carolina Silva de Lima comemora o primeiro contrato de trabalho formal. Faz um ano que sua carteira está assinada como operadora da Rota do Mar, maior empresa do polo de confecção do Agreste pernambucano. Conquistou a vaga após ficar um ano como Jovem Aprendiz. Como ela, milhares de jovens brasileiros têm a chance de ingressar no mercado de trabalho por causa da Lei da Aprendizagem (nº 10.097 de dezembro de 2000). O problema é que muitas firmas ignoram a legislação.

A lei estabelece cota mínima de 5% do quadro de funcionários para aprendizes. “O Programa de Aprendizagem é a forma mais eficaz de capacitar profissionalmente os adolescentes e jovens com idades entre 14 e 24 anos incompletos, através da formação técnico-profissional, e é desenvolvido durante a realização de atividades nas empresas”, destaca a superintendente-adjunta de Operações, Estágio e Aprendizagem com qualidade do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) em Pernambuco, Ana Patrícia Gomes.

“Mas muitas empresas não cumprem a lei. Pela falta de vagas não abertas por essas firmas, jovens perdem a oportunidade da profissionalização”, complementa Ana Patrícia. “O jovem capacitado contribui para o desenvolvimento de sua região, pois está preparado para os desafios do mundo do trabalho. Além disso, o programa concorre para melhoria dos índices sociais, pois garante o recebimento de salário e benefícios trabalhistas. E contribui para a diminuição da evasão escolar, assim como proporciona a elevação da escolaridade desses aprendizes”, enumera a superintendente do CIEE.

A Lei da Aprendizagem ajudou Ana Caronlina, que sonha em ser médica, a entrar logo no mercado de trabalho

“Falta às empresas darem mais oportunidade de trabalho aos jovens. Muitos fazem cursos técnicos mas não conseguem emprego, apesar da existência do Jovem Aprendiz”, observa a secretária administrativa da unidade Senai de Santa Cruz do Capibaribe, Gislaine Nunes. A principal economia do município, distante 191 quilômetros do Recife, é a têxtil.

Foi lá que Ana Carolina iniciou sua formação profissional, no curso de costura industrial e vestuário. “Meu sonho é ser médica. Não sei se conseguirei. Fiz um curso profissionalizante para começar logo a trabalhar. Entrei na Rota do Mar com 16 anos como Jovem Aprendiz. Um ano depois fui contratada”, comemora a adolescente, aluna do 2º ano do ensino médio, à noite, na Escola Estadual Adilson Bezerra de Souza. Investir em educação é também dar chances a jovens como Ana Carolina.