O centro de informática se destaca na parceria com empresas

Todos os celulares da Samsung que chegam aos mais diversos países do mundo são testados pelo Centro de Informática (CIn) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Lá, os projetos de pesquisa resultaram em softwares dos mais diversos tipos, - inclusive os que testam os celulares -, sistemas usados para fazer transações bancárias pelo celular, algoritmos usados na operação dos sinais de trânsito, aplicativos de computação móvel e de correio eletrônico, entre outros. Eles foram desenvolvidos pelos mestres e alunos da instituição em parceria com as empresas, que bancaram o seu desenvolvimento.

No ano passado, o CIn fechou 25 convênios de pesquisa a serem realizados com 13 empresas que resultarão num aporte de R$ 36 milhões, sendo 34 milhões via Lei de Informática, a qual permite as grandes empresas usarem uma parte do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) que seria recolhidos em projetos de Pesquisa & esenvolvimento (P&D). Desse total, R$ 18 milhões entraram no caixa da insituição em 2012 e o restante será usado à medida que os projetos são desenvolvidos. O centro está entre as cinco instituições de Ciência e Tecnologia que mais captaram projetos bancados por empresas via Lei de Informática, sendo a primeira entre as universidades. “Nos preparamos para isso”, disse o diretor do CIn, Paulo Cunha.

Abaixo Paulo Cunha fala do modelo bem sucedido implantado no CIn e o vice-diretor do Centro, André Santos, diz as vantagens de desenvolver projetos em conjunto com empresas e também explica como são feitos os testes nos celulares da Samsung.

A parceria com as empresas também traz outro bem precioso: o conhecimento acumulado pelas empresas da iniciativa privada. “Isso faz o professor dar uma aula mais bem elaborada e também melhora a qualidade da pesquisa”, afirmou o professor do CIn, Geber Ramalho. O CIn se destaca nas parcerias com a iniciativa privada porque se estruturou. Em 2003, o Centro criou uma coordenação de cooperação para tratar de projetos que envolvessem parcerias com empresas, acompanhando desde os tramites burocráticos até o andamento do projeto. Esse setor foi se profissionalizando. Hoje, disponibiliza uma estrutura que auxilia o professor - responsável pelo projeto com a empresa - colocando um gerente para acompanhar as atividades burocráticas, deixando o cientista com mais tempo para a pesquisa e as atividades pedagógicas. Cerca de 80% das despesas do CIn são mantidas com as verbas aportadas nos projetos de pesquisa. Os salários dos professores e algumas despesas fixas, como por exemplo a energia, são bancadas com recursos públicos já que a UFPE pertence ao governo federal.

Os projetos bancados por empresas também podem desenvolver pesquisas que precisam de mais recursos, inclusive porque usam equipamentos caros. “Se não fosse as parcerias com as empresas era a seca. O valor médio dos projetos de pesquisa bancados pelo CNPQ variam entre R$ 20 mil e R$ 120 mil, que é o teto máximo para um projeto desenvolvido em três anos”, afirmou a professora do CIn e pesquisadora, Judith Kelner. Geralmente, os projetos bancados pelas empresas aportam valores maiores do que os do CNPQ. Judith coordena um grupo que já produziu várias patentes, registrando a metodologia usada para fazer o sotware. O software em si não é patenteável no Brasil.

Pesquisadores de ponta, recursos para pesquisas que se voltam para o conhecimento aplicado consolidaram o CIn como uma ilha de excelência. Resultado: o centro ganhou o prêmio Finep de instituição inovadora em 2011. Também contribuiu para isso o fato dele ter sido o embrião do Centro de Estudos Avançados do Recife (Cesar) e do Porto Digital, ambos sediados no Bairro do Recife. O Cesar inclusive chegou a ocupar, fisicamente, uma parte do CIn. Hoje, essa estrutura é usada para desenvolver os projetos em parceria com a Samsung. Atualmente, o Cesar conta com 584 colaboradores, desenvolve projetos na área de softwares, mobilidade, cidades inteligentes, TV Digital, entre outros e apresentou um faturamento de R$ 59,6 milhões em 2011. Já o Porto Digital é um parque tecnológico que tem 195 empresas atuando na área de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC).