História do Estádio

Lacerdão já foi Central Park e PV; conheça a história do estádio

Localizado na área mais nobre de Caruaru, a Avenida Agamenon Magalhães, no bairro Maurício de Nassau, o Estádio Luiz José de Lacerda, mais conhecido como ‘Lacerdão’, no caso das gerações atuais, ou mesmo Estádio Pedro Víctor de Albuquerque, o eterno PV, como era denominado até o final dos anos 90, nome que permanece vivo na lembrança dos torcedores mais antigos, é mais um motivo de orgulho para os torcedores do Central. Mesmo tendo com o passar dos anos sua capacidade diminuída para 19.478 torcedores, até mesmo por questões de segurança, a exemplo de outros estádios do País, ainda ostenta a condição de maior estádio particular do interior do Norte e Nordeste, sendo o segundo em tamanho nesta região, perdendo apenas para o Estádio Governador Ernani Sátyro, o conhecido ‘Amigão’, em Campina Grande, administrado pelo Governo do Estado da Paraíba. Um estádio que serviu de palco para jogos memoráveis não apenas para a Patativa, mas para os times da capital.

Tudo começou no terreno conhecido como ‘careca da Rua São Paulo’, no início do Século XX, onde a garotada e juventude da época se reunia para apreciar o esporte vindo da Inglaterra, que aos poucos tomava conta do país, não apenas nas capitais, mas também do interior, até mesmo com a popularização e criação dos primeiros times profissionais e campeonatos. Um campinho de pelada, como tantos outros campos de várzea que já existiram ou ainda resistem à especulação imobiliária nas várias cidades espalhadas pelo país do futebol, como o Brasil é mais conhecido. Depois, após a fundação do clube, surgia o ‘Central Park’, no terreno pertencente ao comendador José Víctor de Albuquerque, que ficava no quintal da residência de Tutú, um ex-atleta do clube, onde havia bastante exemplar da ave que posteriormente acabou sendo adotada como mascote do time. Ao invés de alambrados, apenas uma cerca separava os jogadores dos torcedores que acompanhavam as partidas, a princípio apenas jogos amistosos, da Patativa do Agreste.

Público se preparando para mais uma partida da Patativa na década de 60.

As primeiras arquibancadas começaram a ser construídas apenas no início da década de 60, por conta da profissionalização do time e para marcar o retorno da Patativa à disputa do Campeonato Pernambucano no ano de 1961, após um hiato de 23 anos, quando passou a receber o nome de Estádio Pedro Víctor de Albuquerque, o PV, numa homenagem póstuma ao irmão do comendador José Víctor de Albuquerque, que doou o terreno ao clube. Pedro Víctor chegou a presidir o clube na fase amadora, no período de 1931 a 1947. Contudo, como a doação foi feita de forma verbal, diante do temor da direção alvinegra de que o terreno pudesse ser reivindicado pela família do comendador após a sua morte, o então prefeito Jaime Nejain apresentou um projeto à Câmara Municipal, aprovado pelo Legislativo municipal, determinando a sua desapropriação e doação ao Central.

Estádio na década de 80.

Apesar das dimensões pequenas, o PV passou a ser chamado também de ‘alçapão da Patativa’, face às dificuldades que as equipes visitantes tinham em derrotar o Central dentro de seus domínios, principalmente o chamado ‘trio de ferro’ da capital. A atual estrutura da praça de esportes alvinegra surgiu no final da década de 70 e início da década de 80, graças principalmente ao esforço do então presidente, o empresário Luíz José de Lacerda. O jogo inaugural ocorreu no dia 19 de outubro de 1980, quando o Central bateu a Seleção da Nigéria em partida amistosa por 3×1, cabendo ao atacante Gil Mineiro entrar para a história como o autor do primeiro gol assinalado no PV após a ampliação. A mudança para o atual nome do estádio, numa homenagem ao presidente benemérito do clube, ocorreu através de uma decisão unânime dos conselheiros do clube, durante uma assembleia ocorrida no dia 26 de julho de 1999.

Seja na época do Central Park, depois como PV ou na atual denominação de Lacerdão, o estádio Patativa foi palco de memoráveis partidas. Desde o período amador, nos duelos da Liga Desportiva Caruaruense (LDC), em partidas amistosas nacionais ou mesmo internacionais, como no do dia 06 de fevereiro de 1968, quando a vítima da vez foi a Seleção Argentina de Novos (Atual Seleção Pré-Olímpica), que acabou caindo diante do alvinegro caruaruense ao perder por 2×1, ou mesmo nos jogos oficiais, a exemplo do histórico confronto contra o Flamengo/RJ, realizado em 22 de outubro de 1986, quando o Central derrotou o rubro-negro carioca por 2×1, em partida válida pelo campeonato brasileiro, o ‘alçapão Patativa’ está sempre pronto para fisgar os adversários.

Por seu gramado já passaram outros campeões brasileiros como Fluminense/RJ, Vasco da Gama/RJ, Palmeiras/SP, Guarani/SP, Atlético/PR, Coritiba/PR e Grêmio/RS. Que venha o Corinthians/SP, no amistoso em comemoração ao centenário do clube, e num futuro próximo, outras grandes equipes do futebol nordestino e novos duelos contra os rivais do futebol pernambucano.

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