Paudalho

Lazer e história são os ingredientes do Engenho São Bernardo

A viagem ao Engenho São Bernardo, em Paudalho, município da Zona da Mata Norte de Pernambuco, não leva nem uma hora de carro a partir do Recife. Construído no século 17 e situado no alto de uma colina, o engenho que ajudava a movimentar a economia estadual com a produção de cana-de-açúcar destina parte de suas terras ao ecoturismo desde janeiro de 2017.

Dos 940 hectares da propriedade, situada a apenas 50 quilômetros da capital, 13 hectares (o equivalente a quase dois Parques da Jaqueira, área verde da Zona Norte do Recife) são reservados ao lazer, com açude de água natural, banho de bica, pesque-e-solte, campo de futebol, piscinas e redes para o descanso do corpo, da mente e do espírito. As visitas são bem-vindas em qualquer dia da semana, mas é preciso agendamento prévio.

“Recebemos só grupos, com o mínimo de 20 pessoas, preferencialmente, para passar o dia em contato com a natureza”, convida Angelina Bandeira, proprietária do São Bernardo, localizado na Estrada do Santuário de São Severino dos Ramos. A água do açude, diz ela, vem de um riacho que passa pelo engenho, abastece a bica e segue para o Rio Capibaribe.

No espaço destinado ao pesque-e-solte, se a maré estiver para peixe, é possível capturar tilápias, traíras e piabinhas. Nenhuma delas, porém, vai tostar na brasa. O pescador pode até fotografar o peixe e exibir sua façanha aos amigos, mas deve devolver a criatura vivinha da silva à água. A pescaria no engenho é só uma brincadeira.

O São Bernardo produziu cana por muitos anos. Agora conciliamos a atividade com o lazer e o turismo rural. As crianças adoram mexer nas peças antigas, recebi várias que nem sabiam como usar um telefone de disco”, comenta Angelina Bandeira, proprietária do engenho.

A visita ao São Bernardo tem sete horas de duração, das 9h às 16h, com direito a passeio no casarão e na capela. “É uma casa rústica, com mais de 300 anos, que passou por reformas”, comenta Angelina. Um velho ralador de mandioca, uma pedra de moer milho e um telefone da Usina Catende, daqueles que a pessoa pedia a linha à telefonista, decoram a varanda e funcionam como atrativos museológicos.

A casa-grande não foi erguida à toa no topo da colina, é uma posição estratégica, observa o historiador Eduardo Freitas, de Paudalho. Da varanda, o proprietário “podia avistar tudo e proteger-se de possíveis ataques”, diz ele. Hoje, os visitantes contemplam a paisagem e, do outro lado do Capibaribe, o Santuário de São Severino dos Ramos, com ares de abandono.

O engenho, no século 17, pertencia a Bernardo Gonçalves Lobo, um português que durante a ocupação holandesa no Nordeste brasileiro (1630-1654) doou terras e material de construção para frades franciscanos construírem um refúgio. O Mosteirinho de São Francisco, fundado em 1635 e ocupado até a expulsão dos flamengos, não existe mais. Restam apenas as ruínas da igreja, tombada como patrimônio brasileiro, no caminho de acesso ao casarão do engenho.

Comprada no século 19 por Herculano Bandeira de Melo (1850-1916), governador de Pernambuco de 1908 a 1911, o São Bernardo permanece com a família e preserva 200 hectares de mata atlântica nos 940 hectares da propriedade. “Temos o turismo rural e pedagógico, mas continuamos produzindo cana”, diz Angelina, bisneta de Herculano Bandeira de Melo.

Quem vai ao engenho pode retornar a Paudalho e conhecer outros pontos turísticos, como a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, edificação religiosa de 1778 (século 18) na Praça Joaquim Nabuco. “A igreja não recebe as pessoas o dia todo, mas chegando aqui é só perguntar por Socorro do Rosário e eu abro as portas, moro pertinho e todo mundo me conhece”, avisa Maria do Socorro Assis, que toma conta do imóvel.

A antiga Estação Ferroviária, inaugurada em 1881, estava desativada, foi restaurada e reaberta em 2014. O prédio funciona como sede da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo e recebe visitantes com agendamento (81-99988-1107). “Expomos acervo da cultura local e dispomos de um miniarquivo público com livros e fotografias”, informa Alessandra Alcoforado, assessora técnica da secretaria.

“Paudalho reúne história e natureza, além da gastronomia”, declara Angelina Bandeira. Nas terras do engenho ela mantém o restaurante Sabor do Sertão (quilômetro 77 da BR-408), com redes para o repouso de clientes e charrete puxada a cavalo para um pequeno circuito pela propriedade com crianças. O café da manhã de visitantes do São Bernardo pode ser degustado no restaurante, com produtos da região.

Serviço

Engenho São Bernardo

Estrada do Santuário de São Severino dos Ramos

40 quilômetros do Recife

50 minutos de carro

Funcionamento

Todos os dias da semana e apenas para grupos agendados a partir de 20 pessoas

Horário: 9h às 16h

Contato: (81) 3636-1273 e (81) 99952-0177

Preço

60 a 100 reais por pessoa (incluindo refeições) dependendo do pacote escolhido

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2 de setembro de 2018

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