Bonito

Teleférico de Bonito oferece um novo olhar sobre a cidade

Em 1954 moradores de Bonito, no Agreste pernambucano, a 133 quilômetros do Recife, subiram um monte com altitude de 700 metros acima do nível do mar levando tijolos e telhas na cabeça, por várias noites, para erguer uma capela em homenagem a Nossa Senhora do Monte Serrat. É no topo dessa montanha, onde foi construída a igrejinha, como pagamento de uma promessa, que o Teleférico de Bonito tem o seu ponto de desembarque desde a inauguração em maio de 2018.

A mais nova atração do município funciona das 9h às 17h, com possibilidade de esticar o horário até as 22h, da quinta-feira ao domingo. Nos 24 minutos da viagem – 12 na subida até o Monte Serrat e 12 no regresso ao Centro da cidade onde fica o receptivo – a pessoa vai contemplando a paisagem urbana e rural, as serras, as áreas verdes, a Barragem do Prata que abastece parte do Agreste e o Alto Bonito, distrito localizado próximo ao manancial.

O teleférico percorre uma extensão de 1,2 mil metros conduzindo oito pessoas por viagem (quatro em cada cabine), informa Carlos Henrique Vilela, presidente da Agência de Desenvolvimento de Bonito, que recebeu a concessão e administra o equipamento. “Temos três quiosques de lanches no Monte Serrat e montaremos mais dois”, diz ele. A capela de Nossa Senhora, aberta em 30 de maio de 1954, continua de pé.

Um manuscrito afixado na parede da igreja relata aos visitantes a história do templo, construído com dinheiro de leilão, rifas e esmolas doadas por gente de Bonito, Caruaru, Bezerros, Camocim de São Félix, São Joaquim do Monte, Barra de Guabiraba (no Agreste) e do Recife. O documento é uma carta escrita por Zózima de Lucena Carneiro (1916-1987), a mulher que teve um sonho com Nossa Senhora do Monte Serrat e fez a capela para pagar promessa.

O teleférico entrou no roteiro turístico da cidade, moradores de Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte, Estados vizinhos de Pernambuco, são nossos fregueses”, afirma Carlos Henrique Vilela, presidente da Agência de Desenvolvimento de Bonito.

No dia da inauguração da ermida, a imagem de Nossa Senhora subiu a montanha em procissão pela mata ao som de música e de fogos de artifício. A santa foi recepcionada com tiros de bacamarteiros. “Restauramos a capela preservando a imagem original”, afirma Carlos Henrique Vilela.

Implantado pelo governo do Estado, o teleférico abre outra janela para o turismo no município, conhecido pelas cachoeiras. A psicóloga aposentada Roseana Câmara, moradora do Recife, recomenda o passeio. “Vale a pena, é bacana ver a cidade de cima do monte. E agora temos cachoeiras e teleférico”, diz Roseana, que fez o passeio acompanhada do marido, o professor aposentado Marcos Gimino.

Com 32 metros de queda-d’água, a Véu de Noiva 1 é a mais famosa cachoeira de Bonito. Mas não é a única. Generoso, o Rio Verdinho vai passando pelo município e formando oito cascatas: Véu de Noiva 1, Véu de Noiva 2, Barra Azul, Camping do Mágico, Eco Parque, Paraíso, Pedra Redonda e da Gruta. Do Centro até a primeira cachoeira são 11 quilômetros de chão (dois deles em estrada de barro).

O Rio Verdinho nasce na Mata da Chuva e se junta a diversas nascentes para criar as quedas-d’água, diz Fabiano Cavalcanti, guia local credenciado. Uma dica para quem pretende desbravar as cachoeiras de Bonito e não conhece a região é dar uma passada no Centro de Atendimento ao Turista, na entrada da cidade.

Todas são particulares e abrem para o público das 8h às 17h. Isso quer dizer que, para se refrescar nas águas e lagartear nas pedras, é preciso pagar a taxa de preservação ambiental, que varia de R$ 5 a R$ 20 por pessoa. Fique atento no caminho das cachoeiras à Pedra do Rodeador, onde o ex-soldado do 12° Batalhão de Milícia de Bonito Silvestre José dos Santos fundou um arraial com camponeses da região e do Ceará, denominado Cidade do Paraíso Terreal, no ano de 1819.

Movimento de caráter messiânico, o arraial criado no Sítio do Rodeador, no século 19, estava apoiado no mito de dom Sebastião, o rei de Portugal que desapareceu na Batalha de Alcácer Quibir (África), no século 16, como relata em livro o historiador pernambucano Flávio Cabral. A comunidade foi destruída pelo governo em outubro de 1820. Ficou a história.

Serviço

Teleférico e cachoeiras

BR-232 e PE-103

133 quilômetros do Recife

2 horas e 15 minutos de carro

Funcionamento do teleférico

Quinta-feira a domingo

Horário: 9h às 17h

Contato: (81) 99848-5281 e (81) 99599-5086

Preço

30 reais inteira

15 reais meia entrada (estudantes, professores, idosos, policiais e munícipes)

Funcionamento das cachoeiras

Todos os dias

Horário: 8h às 17h

Preço

5 a 20 reais por pessoa

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2 de setembro de 2018

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