De novo, o Santa Cruz derruba o Sport e leva a taça de campeão pernambucano. Já é a terceira vez. O grito de “Tri, tricolor! Tri, tri, tri, tricolor!” agora se soma ao de “Tri, tricampeão! Tri, tri, tri, tricampeão!” Precisando só de um empate, a Cobra Coral bateu o Leão por 2x0, dentro da Ilha do Retiro, gols de Flávio Caça-Rato e Sandro Manoel, e trouxe a faixa para o Arruda. Graças também ao goleiro Tiago Cardoso, com suas defesas incríveis. Assim o Recife se pinta nas três cores tricampeãs

Martelote

Obediência tática. Esta foi a frase utilizada por boa parte dos jogadores tricolores para explicar o sucesso do Santa Cruz na temporada. E quem senão o treinador Marcelo Martelotte para se encaixar nessa justificativa? O carioca de 44 anos chegou no Arruda para dar uma oxigenada no processo de reconstrução iniciado há dois anos com Zé Teodoro. Se o clube tropeçou no final de 2012 com a desclassificação precoce na Série C, Martelotte conseguiu trazer nova alegria para a torcida com o fim da partida de ontem. Mais do que isso, também colocou no seu currículo o primeiro título como comandante de uma equipe profissional.

O comandante!

Ex-jogador da cobra coral na década de 90, ele havia sido campeão pernambucano em 93 como goleiro do time. Com a conquista de hoje, entra em um grupo seleto de treinadores que foram campeões tanto armando o time como na posição de atletas. O primeiro a conquistar o feito foi Ilo Just, em 1931, 1932, 1933 e 1935, todos os anos na função de goleiro e diretor-técnico (que era a figura de treinador, na época). Depois vieram Amauri Santos – 1946, como jogador, e 1957 e 1959 como treinador-interino – e Givanildo Oliveira – 1969 a 1973 e 1978 e 1979 como jogador, além de 2005 como técnico.

Dentro do elenco para 2013, Martelotte não contou com nenhuma grande estrela. O nome maior foi o do atacante Dênis Marques, com quem, inclusive, teve atritos durante a temporada por conta de faltas nos treinos. O jeito durão do treinador serviu para disciplinar e muitos torcedores o apoiaram pela atitude, mesmo que tenha sido contra o principal jogador coral. Mas, para Martelotte, não tem essa história de principal jogador. O coletivo é a alma do negócio. “Temos jogadores com poder de decisão, mas, coletivamente, o time tem de estar no ponto máximo, de concentração total. É importante o trabalho em conjunto.”

Apesar disso, nem sempre o treinador teve a torcida ao lado. Os tricolores pegaram muito no seu pé durante um momento crítico do ano, a desclassificação da Copa do Nordeste, no Arruda. Em outros jogos, também em casa, alguns torcedores chegaram até a pedir que o juiz expulsasse o técnico, em tom de deboche. Os fatos foram relevados por Martelotte, que tinha a confiança da diretoria.

Com esse poder em mãos e novas peças chegando aos poucos, o treinador foi montando seu time ideal. O esquema foi sendo moldado, fosse com três meias e um atacante apenas ou com o quadrado clássico de ataque, com dois meias e dois homens de frente.

Mais encaixado, o Santa Cruz cresceu. Por pouco não se classificou em primeiro no segundo turno. Acabou em terceiro, mas passou pelo Náutico e, mais uma vez, se viu frente a frente com o Sport, rival que derrotou nas duas últimas decisões do Campeonato Pernambucano. Após um vitória no Arruda por 1x0, os tricolores fecharam a final com uma, na Ilha do Retiro, ontem, por, para deleite dos torcedores tricolores, que se acostumaram a chamar os adversários de fregueses nos últimos anos.