De novo, o Santa Cruz derruba o Sport e leva a taça de campeão pernambucano. Já é a terceira vez. O grito de “Tri, tricolor! Tri, tri, tri, tricolor!” agora se soma ao de “Tri, tricampeão! Tri, tri, tri, tricampeão!” Precisando só de um empate, a Cobra Coral bateu o Leão por 2x0, dentro da Ilha do Retiro, gols de Flávio Caça-Rato e Sandro Manoel, e trouxe a faixa para o Arruda. Graças também ao goleiro Tiago Cardoso, com suas defesas incríveis. Assim o Recife se pinta nas três cores tricampeãs

Dênis, o carrasco

Um atacante decisivo, frio no momento de finalizar, com uma alta eficiência próximo ou dentro da área. São algumas definições de Dênis Marques do Nascimento, 32 anos, 1,83 de altura, alagoano de Maceió. Não é sem razão que é chamado Predador pela torcida do Santa Cruz. Como na temporada de 2012, o artilheiro foi novamente destaque do time. Marcou gols decisivos, principalmente nos clássicos contra o Náutico e o Sport. Um diferencial da equipe do técnico Marcelo Martelotte.

Dênis, o carrasco

Com o tricampeonato, depois do bi do ano passado, Dênis Marques está definitivamente na história do clube. Antes desses dois títulos, o atacantes havia colocado a faixa pelo Atlético Paranaense, em 2005, e ainda o Brasileirão pelo Flamengo, em 2009.

A história vestindo a camisa tricolor se fortalece ainda mais pelo retrospecto individual. Da temporada passada até a conquista do tri, foram 54 jogos, 36 gols, uma média de 0,66 por partida. Ainda em 2012 foi eleito o melhor atacante do Pernambucano, sagrou-se artilheiro com 15 gols (em 17 jogos) e repetiu o mesmo na Série C do Brasileiro com 11 e apenas um gol na Copa do Brasil. Na atual temporada, participou de 17 jogos, dos 26 do time, até o momento, e marcou nove gols, média de 0,52. No Pernambucano foram sete gols em 14 jogos, média de 0,5.

O fato é que o atacante demorou um tempo para aceitar a renovação do contrato. Ele chegou até a diminuir o salário. A reestreia só veio no segundo jogo das oitavas de final da Copa do Nordeste contra o Fortaleza, 17 de fevereiro, no Arruda. Ele marcou um golaço, mas o time perdeu por 2x1, de virada, e foi eliminado da competição. Após essa decepção, a prioridade passou a ser o tricampeonato, que o Santa Cruz não conquistava há quase 42 anos, a último havia sido em 21 de julho de 1971, contra o mesmo Sport e também na Ilha do Retiro.

O artilheiro, porém, teve dois momentos polêmicos. O primeiro em relação ao diretor técnico Ataíde Macedo, que o criticou por faltar a um treino no período de Carnaval, quando estava na relação para o primeiro jogo das oitavas de final da Copa do Nordeste e, por isso, foi cortado. Seria a sua reestreia, no dia 13 de fevereiro. Depois, não participou do treino que antecedia a partida diante do Porto, dia 7 de abril. O técnico Marcelo Martelotte o tirou novamente da relação. Dênis, porém, criticou a posição do comandante, pois garantiu não ter cometido indisciplina e havia comunicado a diretoria que a ausência foi devido a uma questão familiar.

Essas questões foram superadas. A prova é que fez a reestreia no segundo jogo diante Fortaleza. A mesma situação se repetiu após a partida diante do Porto. Foi escalado para o clássico contra o Sport, pela última rodada do segundo turno, e marcou um golaço no empate por 2x2.

O fato é que Dênis Marques, após um ano e meio sem atuar, depois que deixou o Flamengo durante a temporada de 2010, devido a problemas particulares, recuperou o seu futebol no Santa Cruz. O clube apostou no artilheiro. Ele não esconde de ninguém o seu sentimento de gratidão. “Agradeço muito ao Santa Cruz a oportunidade que me deu. Mas também retribui com gols e com muita vontade de vencer ao lado dos meus companheiros.”

Para o atacante, a prioridade, agora, é o acesso da Série C à Série B do Brasileiro. Afinal, 2014 é o ano do centenário do clube. O ano passado, apesar de ter sido artilheiro da competição, o time fracassou. O que não pode voltar a ocorrer.