"O BRT é prioridade do governo de Pernambuco"

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Nas palavras de Ruy Rocha, presidente do Grande Recife Consórcio de Transporte (GRCT), gestor do transporte público na Região Metropolitana do Recife, o BRT é um sistema eficiente, que compensa todo o investimento feito até agora e que é prioridade da gestão estadual. É o modelo que o Estado tem nas mãos e que aposta sem qualquer dúvida. Apesar de tantas certezas, o gestor não se atreve a dar prazos para a conclusão dos corredores, que há mais de quatro anos operam incompletos.

JC – O BRT é de fato um sistema eficiente ou compramos gato por lebre?

Ruy Rocha – O BRT é um sistema eficiente. Não há dúvidas sobre isso. O problema é que ainda não foram concluídas as obras previstas para os dois corredores metropolitanos do Via Livre – o Norte-Sul e o Leste-Oeste. Assim como o nosso sistema, outros pelo País também enfrentam dificuldades. A crise nacional afetou a todos os projetos. Mas entendemos que na Região Metropolitana do Recife houve importantes ganhos. Agora, faltam resolver algumas interferências que farão o sistema melhorar, como é o caso da segregação física nas vias, que irão melhorar a velocidade dos BRTs. Mas esbarramos em dificuldades. Dependemos da Prefeitura do Recife, por exemplo. Mas mesmo assim, os índices de aprovação do BRT é muito maior do que o sistema convencional. Não só para o passageiro, mas também para o operador. São veículos melhores, refrigerados, que fazem viagens mais rápidas. Isso tudo é importante e precisa ser considerado quando falamos do sistema BRT.

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JC – O BRT pernambucano tem pelo menos dois grandes problemas: a superlotação nos horários de pico e a falta de segregação física de parte dos corredores. Temos circulação exclusiva onde ela já existia antes da adaptação para o BRT e continuamos sem ter onde deveria ter sido implantada. O que vocês pretendem fazer, já que são mais de quatro anos de operação incompleta?

Ruy Rocha – É uma decisão do governador Paulo Câmara que a gente continue trabalhando para garantir a segregação do transporte público, seja com corredores ou faixas exclusivas. Que a gente continue priorizando o transporte público diante do particular. Agora, nos enfrentamos resistência não só da população, mas também do poder público. E sofremos até com a incapacidade momentânea de recursos. Mas acreditamos que o País voltará a andar nos trilhos e nós iremos aumentar a arrecadação para investir na conclusão dos corredores porque Pernambuco será um dos Estados que estará à frente da retomada do crescimento porque está com a infraestrutura pronta.

JC – Mas não precisamos de muitos recursos para fazer a segregação física do tráfego dos ônibus. Ao contrário. Então, por que o Recife não faz? Quando vocês vão pressionar a gestão municipal para, de fato, segregar os corredores já que a circulação é responsabilidade dela?

Ruy Rocha – Existem interferências físicas que precisam ser feitas nos corredores para viabilizar a circulação exclusiva. Eles parecem completos, mas não estão. São intervenções necessárias que existem nos projetos, mas que infelizmente ainda não conseguimos destravar. Temos discutido com a prefeitura e acredito que em breve chegaremos a um acordo. O município tem se mostrado sensível à necessidade de dar prioridade viária ao transporte público na cidade. Não é tudo azul, mas estamos caminhando para um entendimento em breve.

JC – Agora que a reeleição está garantida, quais são os planos do governo de Pernambuco, gestor do sistema de transporte por ônibus da Região Metropolitana, para o BRT?

Ruy Rocha – Vamos concluí-lo o mais rápido possível. No caso do Corredor Norte-Sul, primeiro finalizar duas estações que faltam ser construídas. Precisamos terminar isso. Temos um contrato com o Consórcio Emsa/Aterpa e estamos cobrando que termine as estações ou rescinda o contrato. Tudo está dependendo do consórcio. Temos o recurso. Ele estava trabalhando nisso, mas deu uma esfriada na obra. Não foi por falta de pagamento, não é falta de recurso. É uma questão da empresa mesmo. Como aconteceu com a Mendes Júnior. Não tem demonstrado aptidão para a conclusão dos trabalhos. Por isso, já estamos calculando o remanescente da obra caso ele não conclua o corredor. A pendência é saber se o consórcio continuará ou não. Retomamos as obras de adequações do TI Igarassu e as outras previstas continuam nos planos, mas ainda sem prazo. Temos recurso, mas dependemos da definição do consórcio para fazer novas licitações. Já o Corredor Leste-Oeste conseguimos avançar mais com a conclusão do TI da IV Perimetral (concluído em setembro de 2018, mais de quatro anos depois do projetado). Agora estamos na fase de projeto para definir a construção das quatro estações do BRT em Camaragibe. Na verdade, contratamos a empresa Maia Melo para fazer o projeto, mas o contrato foi abandonado e estamos recontratando. Só que, mais uma vez, temos sido prejudicados pela crise do País. É exatamente esse projeto que irá definir se as estações serão centrais ou laterais. A licitação está para ser lançada. Já o projeto de ampliação do TI Camaragibe está finalizado. Vamos licitar a obra. Sobre o restante das pendências do corredor não sei dizer. Não temos estimativa. Mas é certo que estaremos com todos os projetos reavaliados no ano que vem. E, aí, teremos as coisas acontecendo simultaneamente.

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JC – E o Ramal Agamenon do BRT, que seria o segundo eixo do Corredor Norte-Sul e permitiria conexão com o Leste-Oeste, lembra dele? Alguma previsão para ser desengavetado pelo governo do Estado?

Ruy Rocha – Esse projeto é um pouco diferente porque está no meio de uma grande discussão junto à Prefeitura do Recife. Está sendo rediscutido. Estamos vendo se será mantido como corredor no lado esquerdo da Avenida Agamenon Magalhães ou substituído por uma faixa exclusiva do lado direito. Vão ser feitas grandes mudanças. É um projeto que vai demorar mais porque ainda estamos nas discussões. O resto não, já está traçado. É só uma questão de execução. Seja dos projetos ou das obras. Já discutimos com parceiros, com as prefeituras, não há entraves.

JC – E a Avenida Conde da Boa Vista, que integra o Corredor Leste-Oeste e há anos está totalmente degradada, sem que a Prefeitura do Recife ou o Estado façam nada?

Ruy Rocha – Temos participado de discussões com a Prefeitura do Recife. Uma consultoria já foi contratada para realizar o projeto e acredito que, em breve, estará sendo apresentado à população. Faltam só algumas adequações. Na primeira vez que sentamos para discuti-lo, houve divergência técnica em relação ao comprimento e largura das estações. Essa etapa foi vencida, mas estamos numa fase que ultrapassa o papel do Consórcio. Já há consenso de que não serão apenas os BRTs que rodarão na Conde da Boa Vista. Que o tráfego de ônibus será misto. Agora, o projeto em si, as definições finais, dependem unicamente da Prefeitura do Recife. Estamos apenas fornecendo as informações que os técnicos municipais necessitam.

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JC – O BRT pernambucano também está bem longe de alcançar a demanda de passageiros projetada, o que aumenta a necessidade de subsídios. Essa deficiência, inclusive, é característica da maioria dos sistemas do Brasil. Por que é tão difícil alcançar essa demanda?

Ruy Rocha – Estamos enfrentando uma grande crise e, em função dela, houve uma queda de passageiros nacionalmente. Mas acredito que o Brasil vai dar a volta por cima e quando isso acontecer veremos o País dar prioridade ao transporte público. Retomar projetos que valorizem o transporte coletivo diante do individual. Vamos dar prioridade viária ao transporte nas ruas e, assim, qualificar a oferta do serviço, com viagens mais rápidas, o que deverá atrair mais passageiros. No nosso caso, por exemplo, quando finalizarmos a segregação dos corredores, o BRT se tornará mais atrativo. Mas, além disso, é preciso considerar que as integrações foram ampliadas e, embora representem o pagamento de uma única tarifa, as viagens ficaram mais demoradas porque não há prioridade viária para os ônibus. Mas o que eu quero dizer é que não estamos parados, que temos trabalhado para isso acontecer.

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JC – Apesar de mais de quatro anos de operação, até hoje não temos uma conexão entre os Corredores Norte-Sul e Leste-Oeste. Isso não é absurdo?

Ruy Rocha – Essa integração entre os dois corredores está prevista para acontecer a partir do TI da IV Perimetral, inaugurado recentemente. Mas levará algum tempo até que aconteça porque estamos estudando as linhas. São mudanças que dependem de diversos fatores, como a frota de BRTs por exemplo. Mas ela acontecerá assim que estivermos usando o TI da IV Perimetral integralmente. É uma necessidade, reconhecemos.

JC – O sistema BRT custa caro e vai custar cada vez mais. Isso é consenso entre todos: técnicos, gestores e operadores. Como o Estado vê essa realidade?

Ruy Rocha – Eu não diria que o BRT é caro. Ele pode custar mais, mas também transporta mais pessoas e tem viagens mais eficientes porque trafega em corredores, o que termina compensando o custo. Agora, de fato, o subsídio ao sistema sempre vai existir e dependerá da capacidade financeira do Estado. E, se analisarmos os números do nosso BRT, os valores dos subsídios não são tão absurdos. Diminuíram bastante. Hoje em dia são R$ 28 milhões por ano para o Conorte e R$ 14 milhões por ano para a MobiBrasil.

JC – Embora ainda estejamos falando da conclusão dos corredores pernambucanos de BRT, os equipamentos encontram-se completamente degradados. Já têm aspecto de velhos. Estão abandonados, sem qualquer qualificação dos entornos, sem iluminação, acessibilidade e faixas de pedestres. Como vocês, que são gestores do sistema de transporte metropolitano, vêem essa degradação tão gritante do BRT, que deveria ser um sistema essencialmente qualificado?

Ruy Rocha – Temos tentado, dentro do possível, fazer as cobranças devidas à prefeitura e a outras secretarias estaduais que têm envolvimento com os projetos. Mas há, inegavelmente, uma dificuldade financeira de todos. Isso é fato. Mas como eu sou um otimista, acredito que vamos avançar, que o País vai crescer e que Pernambuco estará à frente desse crescimento por já ter a infraestrutura pronta.

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JC – A impressão que temos é que o BRT tem passado à margem das prioridades da gestão estadual, principalmente no governo Paulo Câmara. É isso mesmo?

Ruy Rocha – De forma alguma. O BRT é prioridade do governo do Estado, é prioridade do Consórcio (GRCT) e é o modelo que temos à mão. O que precisamos é melhorá-lo para que sua eficiência seja evidenciada. É claro que estamos abertos para, no futuro, adotarmos outros modelos de transporte, mas hoje o que temos e acreditamos é no BRT.

JC – Mas teríamos um prazo de conclusão do BRT pernambucano para apresentarmos à população?

Ruy Rocha – Não. Porque é algo que não depende apenas do governo do Estado. Depende também de outros órgãos e gestões, sejam municipais ou federal. Dependemos de terceiros. Mas posso garantir que é prioridade do governo concluir os corredores e melhorar a vida do cidadão.

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Publicado em 21 de outubro de 2018

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