Norte-Sul: o mais sofrido e esquecido

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O mais extenso corredor de BRT da Região Metropolitana do Recife, o Norte-Sul é também o mais maltratado, degradado e esquecido. Sofre do mal que mais tem afetado os sistemas brasileiros: a baixa demanda porque a integração e o acesso à rede são ruins. Além disso, enfrenta a degradação intensa da infraestrutura. Para quem não conhece, os BRTs do Norte-Sul trafegam num pavimento esburacado, que já chegou a ser em terra em alguns trechos, algumas vezes. Em um inverno, três estações do corredor tiveram que receber barro para permitir o embarque e desembarque dos passageiros. A situação foi tão extrema que a operação chegou a ser suspensa pelos empresários. Interdições no percurso devido às condições do pavimento também são comuns. A vegetação alta e a ausência de iluminação na maior parte do corredor intimidam passageiros e operadores. Aliás, andar à noite é ter um resumo realista do que é o Norte-Sul. O medo é passageiro constante. Dentro ou fora dos BRTs e estações.

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O Norte-Sul sofre ainda, como diz o Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP), de afastamento. O passageiro do BRT Norte-Sul está muito longe dele. Segundo avaliação dos corredores metropolitanos do Recife realizada pelo ITDP, 87% das pessoas que usam o sistema residem a mais de um quilômetro do corredor e apenas 13% residem a menos de um quilômetro. É difícil chegar e sair das estações do BRT. O caminho é longo, escuro, perigoso, sujo e feio. A integração com o entorno não foi aprimorada, embora estivesse destacada nos projetos apresentados quase que mensalmente pelos gestores do governo de Pernambuco que o planejaram. Eram os anos de 2008/2009/2010.

É um bom sistema, sem dúvida, mas temos sofrido muito com o tempo perdido nas viagens porque o corredor não é totalmente separado dos carros. É o caso da Avenida Cruz Cabugá, na área central do Recife, onde perdemos, às vezes, quase uma hora da viagem. O corredor deveria estar pronto desde que entrou em operação. Essa é a verdade. É absurdo que mais de quatro anos depois ainda esteja assim

Renato Ferreira, vendedor e passageiro diário do Corredor Norte-Sul

Quem opera e utiliza o Norte-Sul sente tudo isso na pele. Diariamente. Dos 33 quilômetros entre o Centro do Recife e o município de Igarassu, no extremo Norte da Região Metropolitana, apenas dez quilômetros não têm a segregação física. Embora seja o menor trecho, é o mais impactante para a operação na concepção da qualidade da viagem. São nesses dez quilômetros de disputa por espaço com o trânsito comum – carros, caminhões, motos e os ônibus convencionais – que o BRT perde toda a produtividade obtida no trecho segregado. Os BRTs saem de 25 km/h de velocidade comercial para 5 km/h no trecho em que se misturam ao tráfego.

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“O BRT é muito rico e traz muitos resultados. Agora, é um sistema que não pode ser concebido sem as interfaces urbanas. As estações de embarque e desembarque, por exemplo, não podem operar sem acessibilidade, travessia segura e iluminação. A prioridade viária também é fundamental. Estamos falando de veículos com 21 metros, bem maiores do que os 13,5 metros dos ônibus convencionais. É um sistema que tem muito a oferecer, muito para viver ainda. Mas é preciso dar as condições devidas”, afirma Gabriel Tenenbaum de Oliveira, do ITDP.

O BRT é muito rico e traz muitos resultados. Agora, é um sistema que não pode ser concebido sem as interfaces urbanas. As estações de embarque e desembarque, por exemplo, não podem operar sem acessibilidade, travessia segura e iluminação. A prioridade viária também é fundamental. É um sistema que tem muito a oferecer, muito para viver ainda. Mas é preciso dar as condições devidas

Gabriel Tenenbaum de Oliveira, do ITDP

O Norte-Sul é hoje dependente do subsídio. Não era no início da operação. São R$ 5,4 milhões por ano em recursos orçamentários repassados ao Consórcio Conorte, operador do corredor. Mesmo incompleto, custou R$ 198 milhões e transporta metade dos passageiros que deveria – são 85 mil por dia, quando deveriam ser 160 mil.

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Publicado em 21 de outubro de 2018

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