O cisne do BRT pernambucano

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Um mês mais velho do que o Norte-Sul, o corredor de BRT Leste-Oeste tem ares de cisne diante do irmão. São completamente diferentes. E a diferença é mais gritante sob a ótica da infraestrutura e da segurança. O BRT Leste-Oeste não enfrenta os mesmos problemas do Norte-Sul. Não sofre com o isolamento das estações, a difícil acessibilidade, a falta de iluminação e o medo dos assaltos. Mas tem operação menor e isso pesa nos números. Na verdade, o fato de ter um corte mais urbano, operando prioritariamente dentro do Recife em quase toda sua extensão, é o divisor de águas. É o que ainda garante a imponência do sistema.

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A demanda de passageiros também é crescente. Tem sido de 10% ao ano. Já chegou a ser mais, de 20% a 30%. Mas, assim como o Norte-Sul, ainda não transporta a quantidade projetada – são 84 mil passageiros por dia, quando deveriam ser 140 mil – segundo números do Grande Recife Consórcio de Transporte (GRCT). Desse total, 50% são integrados (que entram pelas linhas alimentadoras e pelo metrô) e o restante é catracado (ou seja, que pagam a tarifa nos bloqueios). A força do Leste-Oeste se confirma em outros dados. O BRT já representa dois terços do faturamento e da demanda do Consórcio MobiBrasil, embora componha apenas um terço da frota de veículos da empresa. E mais: é um corredor com capacidade plena de crescimento.

Nossa demanda é crescente, sempre. O BRT transporta mais, sempre mais. Já teve saltos maiores, mas sempre cresce. Se aumentarmos o serviço, atraímos mais gente. Seja do carro ou de outras linhas de ônibus, mais atraímos. Com uma maior oferta, ainda vamos buscar de 10% a 20% de demanda. Por isso precisamos tanto da conclusão das obras e da total segregação física do corredor. O BRT é um sistema ótimo, mas requer manutenção e investimentos para que não deprecie. Funciona muito bem e tem grande potencial para crescer.

Djalma Dutra, diretor institucional do Consórcio MobiBrasil

“Nossa demanda é crescente, sempre. O BRT transporta mais, sempre mais. Já teve saltos maiores, mas sempre cresce. Se aumentarmos o serviço, atraímos mais gente. Seja do carro ou de outras linhas de ônibus, mais atraímos. Com uma maior oferta, ainda vamos buscar de 10% a 20% de demanda. Por isso precisamos tanto da conclusão das obras e da total segregação física do corredor. O BRT é um sistema ótimo, mas requer manutenção e investimentos para que não deprecie. Funciona muito bem e tem grande potencial para crescer”, sentencia Djalma Dutra, diretor institucional do Consórcio MobiBrasil.

Por outro lado, o BRT Leste-Oeste é mais dependente de subsídio do que o Norte-Sul – que integra um consórcio operacional quase três vezes maior em operação. Mesmo com uma demanda de passageiros crescente. Diferentemente do irmão, sempre precisou do subsídio previsto no contrato de concessão. No início da operação, há quatro anos, chegou a precisar de 25% de subsídio. Com os anos, a necessidade foi reduzindo. Hoje, está entre 10% e 12%. A crescente demanda de passageiros ajudou.

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O sistema que liga o Centro do Recife ao extremo Oeste da Região Metropolitana, entretanto, sofre com a superlotação. A reclamação entre os passageiros é geral nos horários de pico. Principalmente na linha TI Camaragibe-Centro. Além disso, o BRT Leste-Oeste tem como concorrente direto – digamos assim – o metrô do Recife, que afugenta muitos passageiros pela lotação e frequentes problemas operacionais. Depois do metrô, o sistema é o único que faz a ligação direta da Zona Oeste da RMR e do Recife com o Centro da capital. Por isso, os passageiros têm que se render a ele.

A superlotação é o grande problema. Andamos espremidos nos ônibus. Como o governo reduziu as linhas dos bairros para nos forçar a pegar o BRT, a lotação ficou impraticável. Está muito ruim. Os ônibus passam muito lotados. Sempre. É difícil até para a gente entrar no veículo. Isso compromete demais a qualidade do serviço, a imagem do BRT

Daniela Maria Nascimento, passageira do Corredor Leste-Oeste

E, assim como o Norte-Sul, sofre com a falta da segregação viária do corredor. As viagens são feitas numa velocidade de 17 km/h. Na faixa exclusiva – existente apenas na Avenida Caxangá –, os BRTs chegam a desenvolver 21 km/h. Mas a partir da Rua Benfica, na Madalena, bairro da Zona Oeste do Recife, que antecede a chegada do sistema ao Centro Expandido da capital, cai para até 6 km/h. “Por isso é fundamental a segregação do corredor. Insistimos sempre nisso”, reforça Djalma Dutra.

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Publicado em 21 de outubro de 2018

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