Aperto no bolso, aperto no peito

Dois anos de recessão econômica e o arrocho financeiro afeta de forma cada vez mais íntima os brasileiros. A falta de dinheiro para pagar as contas do mês, o medo de perder o emprego e a angústia de estar desempregado fragilizam o corpo, a mente e as relações familiares. Cada cidadão reage de uma forma ao cenário de perspectivas pouco animadoras. Em certa medida, porém, todos sentem na pele a desesperança que parece ter criado raízes.

Tratando-se de uma questão delicada e repleta de preconceitos, as doenças da crise empurram as pessoas para o isolamento. Não é fácil encontrar quem aceite abrir as portas de casa, mostrar o rosto, revelar os nomes e contar as sequelas geradas ou agravadas pela recessão.

Sempre respeitando os limites de exposição acertados com os entrevistados, exibimos, no vídeo abaixo, histórias dos personagens apresentados ao longo desta série de reportagens.

Vítimas de um sistema que incentiva o consumo e nega a educação, estas pessoas estão doentes e precisam de ajuda. Ainda assim, demonstram uma admirável capacidade de superação física e mental. É como se soubessem que, como as crises financeiras, nenhum mal dura para sempre. São ciclos de mercados, ciclos de vida.

Na sequência destas reportagens, além de dramas humanos, explicações sobre os motivos da crise e opiniões de especialistas em saúde pública, divulgamos uma lista de locais onde são oferecidos apoios financeiros e psicológicos na Região Metropolitana do Recife. Se você conhecer alguém doente por causa da crise (ou se você mesmo estiver nesta situação), lembre-se que a compreensão do problema é o primeiro passo para resolvê-lo.